Hoje finalizo a série Conversas deste mês com as respostas do Francisco Madureira, gerente de projetos do UOL. Mas abro o blog para todos para começarmos a falar sobre Mestrado em Comunicação. Aidéia é propor conversas sobre a busca pelo Mestrado sob a perspectivia de um profissional de redação. Ou seja, aquele que desconhece o mundo acadêmico. Não há dúvida de que o primeiro passo é pesquisar, pesquisar e pesquisar os lattes dos doutorandos e mestrandos. São eles quem vão mostrar os caminhos para quem ainda não tem idéia do que é lattes, Linha de Pesquisa, objeto, sujeito e Metodologias….
Só cheguei no primeiro passo depois de ouvir muitooooooooooooooooo pessoas que já fizeram o Mestrado. E, por isso, resolvi replicar seis perguntinhas para amigos que admiro e sabia que iriam responder minha demanda. O Madureira é um dos primeiros profissionais que conheci na minha fase virtual e conectada. Ou seja, não o conhecia pessoalmente até o dia em que ele aceitou o convite para participar do NewsCamp. Eu trabalhei como frila para ele uma única vez, mas as trocas de emails foram suficiente para uma boa sinergia. Motivo? Filhos e internet. Ou seria, internet e filhos…Eu gosto muito da analogia racional Clico, logo existo! , apesar de ter criado nomes completamente malucos para minha própria identidade como Freelancer, o profissional que rala e Mídia Social (tão criticado pelos teóricos e amigos como Marmota).
Eu não conheço muito Madureira para ter julgamentos e elogios como fiz com Borges e Cruz, mas uma atitude que eu admiro e considero rara nas faltas de tempos que temos hoje é alguém te dar feedback. Madureira sempre retornou às minhas demandas malucas de querer mudar o mundo através de um clique. Prova disso são as respostas abaixo. Outra acaracterística que percebo nele é que Madureira também gosta do que faz, seja na USP ou no UOL. E isso, pra mim, é básico na vida. Tenho horror a pessoas que não priorizam a paixão…, mas eu sempre as tolero. Afinal, a maioria ainda trabalha só pelo salário. Com vocês, Francisco Madureira:
Foram 75 páginas de suor e lágrimas… mas valeu a pena! =)
1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?
Surgiu da necessidade que sinto de pensar no que eu faço, sem fazer simplesmente por fazer. E também porque adoro dar aula, é algo genético talvez —tenho avô e pai professores universitários. Como é praticamente um requisito, comecei a ir atrás. Mas a ausência de título não me impediu de já ter sentido o gostinho. Já ministrei cursos de jornalismo online no Mackenzie entre 2006 e 2007. Foi uma fase corrida, mas ótima.
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim, sobre jornalismo colaborativo. Na verdade, foi a colaboração que resgatou meu interesse no jornalismo, depois de encontrar redações mais preocupadas com o consumidor que o cidadão, com a audiência que com o compromisso público e social da profissão. E olha que só trabalhei em lugares que admiro —quando faço esta crítica, não é aos veículos onde trabalhei, mas ao que se tornou o jornalismo como um todo, especialmente em nosso país.
3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Tem um ditato que diz: “O mundo é uma grande bunda, e precisa de muito papel para se limpar”. Eis o que senti sobre o mundo acadêmico —uma necessidade impressionante de papéis, comprovações, burocracia. Sinto que isso emperra muitas das iniciativas legais que o Brasil, esse tal país criativo, poderia empreender no campo da educação. Mas aí vem o Lattes, currículo acadêmico obrigatório e que vale mais pela quantidade que pela qualidade, entre outras burocracias burras, como, por exemplo, a ausência de áreas multidisciplinares em grades curriculares do MEC e das próprias universidades, que continuam compartimentando o conhecimento em uma era de internet e redes que se cruzam e influenciam.
4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Trabalho com a Beth Saad, do grupo de pesquisas COM+, da ECA/USP. É o único grupo de trabalho da Escola de Comunicações e Artes que realmente trabalha com a internet na vida real, sem levar o debate intelectual para o mero exercício teórico. Escolhi a Beth Saad por intermédio de uma colega de Mackenzie à época, a Daniela Ramos, que já trabalhava com ela no doutorado. A Beth é hoje a única profissional do Departamento de Jornalismo e Editoração capaz de conduzir um trabalho sério sobre internet e novas mídias. Há muita gente na ECA com qualificação teórica, mas sem experiência alguma no mercado de trabalho, e isso é fundamental em um campo tão mutante como a web.
5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Certamente, mas não apenas dar aula. Honestamente, em meio a tanto debate sobre o diploma, acredito que saí da faculdade sem saber muita coisa sobre jornalismo. Na ânsia por dar uma formação generalista, com disciplinas como filosofia e sociologia, e por direcionar você a determinado campo do jornalismo (impresso, rádio, tv etc.), acabam por deixar de te ensinar o básico. Senti muita falta de estudar COMUNICAÇÃO na graduação. Acho que acabei voltando à universidade para ler e descobrir coisas que me faltaram. Não sei se é o caso da maioria das universidades no país, mas a USP em particular tem um currículo muito anacrônico. Para ter uma ideia, tive que buscar Teoria da Comunicação numa disciplina optativa oferecida por outro departamento que não o de Jornalismo —algo que é fundamental para um comunicador.
6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
Estou no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA/USP, mais especificamente na área de Interfaces Sociais da Mídia. Minha dissertação investiga o engajamento do público no jornalismo participativo dos grandes portais brasileiros —acabei escolhendo este recorte por minha experiência pessoal como profissional de mídia, e também por julgar que os grandes portais, apesar de normalmente não atenderem nichos, têm maior alcance de audiência e, talvez, maior possibilidade de levar uma nova forma de fazer jornalismo ao grande público. Porém, o estudo dos nichos certamente seria enriquecedor, e eventualmente posso tomar este rumo em uma pesquisa de doutorado —apesar de sentir vontade é de empreender nesta área para testar alguns ideais, assim como minha entrevistadora… 
Minha dissertação deve ficar pronta até março de 2010. Ainda não sei se posso/devo publicar meu relatório de qualificação, mas você pode esperar novidades em breve em meu blog, em www.clicologoexisto.com.br.
É isso minha cara! Espero ter ajudado!
Ajudou e muito, meu caro! Obrigada pela colaboração. Espero que esses posts sirvam para alguém que esteja perdido aí na blogosfera em busca do começo da linha do novelo, saca?
Só pra deixar registrado, como manda a boa automação, eu fiz as mesmas perguntas a três amigos (veja posts abaixo) com perfis um pouco diferentes, porém, com algumas características que considero importante: todos têm o espirito de colaboração e entedem que o saber só é válido quando é para e entre todos. Por isso, faça sua parte também! Comente!