Para quê serve um jornalista numa rede social corporativa?

Parece até que todos os estrategistas das mídias sociais internas tem um pacto contra jornalistas. A sensação tem fundamento, pois eles – os jornalistas – tem uma longa bagagem de representação do poder. Eu diria até que os jornalistas são os intermediários do controle! E, quem deseja seguir o mantra da colaboração sabe que “controle” é justamente o aspecto cultural que precisa ser transformado no ambiente empresarial. Logo, é natural que estrategistas corporativos eliminem tais profissionais da equipe de planejamento, gestão ou produção de uma plataforma de mídias sociais como as novas intranets ou as chamadas redes sociais corporativas.

Uma das questões – pouco discutidas – é em quê o controle precisa ser transformado? É raro termos uma resposta clara para esta pergunta. Geralmente, ela está embutida nos objetivos que a empresa tem com aquela plataforma, que passam pelas inúmeras possibilidades de uso – leia-se desde o óbvio difundir conhecimento, partilhá-lo e disseminá-lo até resultados específicos como reter talentos ou obter mais eficiência.

Cada resultado traça um determinado caminho que nem sempre passa por negar o controle, apesar da maioria das estratégias priorizar somente tal meta. É mais fácil negar o controle que transformá-lo em inovação, colaboração ou eficiência. Quem busca a transformação do controle sabe que o caminho não é tão simples como ensina os “especialistas”: sem intermediários!

Trata-se de um movimento muito mais complexo que, ao contrário do que mostra as redes não-corporativas, nem sempre é acionado por paixão, tesão ou interesse. Pelo contrário. Os sentimentos que precisam ser curados envolvem dores, revoltas, desânimos, cansaços e descrenças. O contágio que precisa ser acionado, muitas vezes, é apenas o da responsabilidade. É o entendimento do papel de cada ser humano dentro de uma comunidade de trabalho. Isso é pouco discutido, refletido e levado em conta. E o que um jornalista tem a ver com isso?

Bem, vale resgatar Sócrates para lembrar que eles – os jornalistas – também trazem na bagagem a prática da célebre frase “Conheça-te a ti mesmo”.  Eu diria até que os jornalista vivenciam essa questão filosófica. É um aprendizado que contribui para transformar controles em responsabilidades, pois dá abertura ao outro para pensar sobre si mesmo. O jornalista pode assumir o papel de facilitador, de agente participativo, que utiliza das múltiplas perguntas para dar à luz as idéias do outro. É um papel de auxílio, de orientação. O protagonismo é sempre do outro.

Mas esse é apenas um dos aspectos culturais que pode ser transformado a partir do uso de uma rede social corporativa. A pergunta continua válida. Responda-me: para quê serve um jornalista numa rede social corporativa?

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