Media On – Joshua Benton

Outubro 29, 2009 · Deixe um comentário

Rever a curadoria e os palestrantes na platéia do Media On deu saudades da minha inocência infantil. Naquela época, ainda enxergava apenas os extremos das possibilidades da democracia de acesso, produção e circulação do conteúdo. Escutava apenas aquilo que fazia sentido para quem sonha com alternativas para a atual estrutura da mídia. Por isso, no auge da minha inocência, eu tinha absoluta certeza de que a hegemonia dos donos da mídia também estava em jogo. E, detalhe: os fragmentos, os múltiplos, os diversos e, principalmente, os pequenos teriam poder com seus respectivos públicos. Sim, poder de grana, além da transformação social!

Eu acreditava que os velhos grupos seriam eternos, mas não os via como os vejo hoje. Tenho a sensação de que ainda estou cega, mas desta vez minha crença está baseada em outros extremos das potencialidades das mídias digitais. Agora, ouço Joshua Benton como um uma mero telespectadora. Explico: No passado, cheguei até a acreditar que fazia parte do público e, detalhe, sem a hierarquia que carrego na identidade profissional que ocupo.Vejo no palco apenas um narrador que faz parte e fala para o mainstream. Agora, sim o discurso do palco ganha mais sentido. O extremo que vejo na internet agora é muito mais recheado de hegemonia e hierarquia do que democracia e mídias alternativas.

Sei que existe um meio do caminho, entre outros tantos tão diversos, mas estou vivendo e, falando, de EXTREMOS. Agora, meu olhar para as potencialidades da internet é de que ela reforça a concentração dos donos da mídia. A arrogância e gestão de links que Joshua cita no palco só faz sentido porque é a maneira como o velho profissional - dos grandes grupos - poderá explorar os outros. Pra mim, ainda soa mais como subordinação que parceria ou deslocamento de poder. A mudança parece deslocar apenas o meio, enquanto o status quo permanece vivo, forte e lucrativo.

Não é só o custo do papel, mas também as próprias cabeças de papéis. Muito MAIS com menos. Porquê vejo tudo tão extremista? Eu acompanhei muitos nascimentos de guetos, participei da construção dos quase impossíveis consensos e os caminhos trilhados apontam sempre para a mesma porta do passado. Lógico que a idéia sempre foi bater nessas portas, mas achei que haveria uma transformação. Ela não aconteceu ainda e o processo continua o mesmo. 

Ouvir Joshua, entretanto, também mostra que há ainda um caminho em construção. Ele citou que a estrutura marxista da produção da notícia está em xeque. No mínimo, neste novo circuito foi eliminado o processo de circulação/impressão, acrescentado novos elementos no processo de produção. Mas cadê a criatividade para colocar essa nova estrutura pra rodar uma nova economia, inclusive entre quem são os donos da mídia?

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Aníbal Quijano – os fantasmas nossos de cada dia

Outubro 28, 2009 · Deixe um comentário

 Identidade, Modernidade, Democracia, Unidade e Desenvolvimento.
Esses são os fantasmas históricos colocados por Aníbal Quijano, um dos teóricos que faz parte da bibliografia da disciplina Cultura Brasileira, no Celacc (ECA-USP). Infelizmente tenho lido bastante picado o imenso volume de livros propostos no curso, o que fragmenta ainda mais minhas idéias e interpretações. Logo, resulta em posts ainda mais confusos e egoístas (sorry!)

O que me faz blogar sobre Quijano é a idéia sobre os (des) encontros. Ele diz: o novo não acabou de nascer e o velho não terminou de morrer. Esse paradigma, aliás, é o que permeia a história de Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. São momentos de (des) encontros como esse que há oportunidade de enxergar as coisas de forma diferente daquela que estamos acostumados. Ou seja, os (des) encontros permitem a ruptura do pensamento da ordem dualista, sequencia unilinear e unidirecional de evolução. É uma oportunidade de pensar diferente e perceber que a história segue uma ordem associativa, extremamente complexa, contraditória e descontínuas de significados.

Quijano acredita que os fantasmas (citados acima) sempre nos perseguem porque o tratamos ainda como colonizados/colonizadores ( pensamento eurocêntrico). Ou seja, de forma fragmentada, separada, por etapas e tentamos resolvê-los gradualmente e em sequência. E, por isso mesmo, consideramos as propostas e tentativas meras utopias. Ou seja, ninguém as vê como propostas de novos sentidos históricos até porque a maioria realmente não é. Todo esse contexto permeia a cultura da América Latina, mas cada paragrafo lido me remetia à Comunicação, mídias sociais, comunidades, blogs e por aí vai.

Não é por acaso que a cada aula reforço a premissa de que COMUNICAÇÃO É PURA CULTURA, ou vice-versa. A hegemonia da cultura de massa segue muito bem a cartilha do pensamento eurocêntrico e o ecossistema que forma a Imprensa é recheado de pensamentos dualistas, progressistas e lineares. Pelo menos essa foi minha vivência. Meu maior desafio quando resolvi entrar na turma dos blogueiros foi abandonar a cabeça de seções, categorias, segmentos e nichos. Eu via tudo dentro de caixas. Não tinha capacidade de associar, ligar, interagir…

Hoje ainda é muito complicado inverter toda minha experiência, mudar meu jeitinho de pensar, mas ler Quijano permitiu entender um pouco a razão desse meu jeito de agir. Não é só cultural ( o que já é um motivo e tanto), mas também tem uma carga histórica. Confesso que olhar as potencialidades das redes e mídias sociais agora faz mais sentido, porém demonstra o TAMANHO  do desafio. Minha sensação é de que a internet também potencializa a concentração e a hierarquia, o que torna as quatro famílias da MÍDIA ainda muito mais importante do que quando vendiam só papel. Afinal, agora – além delas estarem relacionadas a grandes grupos de telecom – o público cresceu e ainda tem muita gente que trabalha de graça pra eles.

PS: o material disponível em um dos links acima faz parte dos Estudos Avançados, de 2005 e também do curso de extensão universitária Gestão de Projetos Culturais

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Raça e Preconceito

Outubro 18, 2009 · 1 Comentário

Tivemos uma aula bastante participativa na disciplina Cultura Brasileira, neste sábado, que deu vontade até de blogar… Estamos mergulhando nas origens brasileiras, questionando as ideologias eurocêntricas ( vindas da formação Européia com sentido hegemônico) e a tal da formação colonialista. Tudo em busca da desconstrução, da ruptura e principalmente da meta do Celacc, cujo slogan é Conhecer para transformar.

Ainda não li as bibliografias propostas, mas as leituras em sala de aula traziam uma mensagem um pouco vaga. Motivo? A sensação era muito mais de constatar o óbvio do que digerir algo novo. Hoje, entretanto, a questão da raça ganhou novos ares. Eu nunca aceitei muito bem a “cota das universidades” porque tenho pavor de políticas públicas que são baseadas em critérios tão discriminatórios como raça. Eu não tenho dúvida de que é necessário a intervenção do Estado na dinâmica das universidades elitizadas. Mas não entendia o discurso em prol das tais cotas porque me remetia a Hitler, totalitarismo e ao reforço de que eu, cidadã, sou obrigada a entrar dentro de uma caixinha. Qual você escolhe: negro, branco ou índio?

Mas aprendi algo novo. Meu olhar é muito AGORA. Eu vejo o diferente e ele é óbvio. Todo mundo vê quem é negro ou branco. Eu “aprendi” a história e, por isso, reconheço nesse olhar o bem e o mal. Mas eu nunca tinha percebido que priorizo o presente. Quando eu constato a raça, tenho medo de assimilar o simbólico. Eu não quero ter preconceito nem ser o mal. Eu não aceito isso!!! Porquê? Alienação, falta de conhecimento, ideologia dominante…

Simples porque eu não entendo. Resolvi adotar uma das respostas na terapia de quem-somos: hoje o discurso desloca a democracia racial para o preconceito ao invés da raça. Então, quando você constata o diferente (raça), você segue o pensamento eurocêntrico - diferente é o outro, logo quem é o bem e o mal? – Ou seja, quem é o inferior (preconceito)? Maluco, né.

O desafio é que o simbólico não é negado, mas o processo de dominação, sim! Quando o discurso desloca para o preconceito é natural que você associe raça a poder e esqueça completamente do processo histórico. Afinal, vivemos o eterno presente…

Eu estou no comecinho da terapia. Vale lembrar que escrevo muito mais aquilo que não entendo do que aquilo que sei. São fragmentos de mim mesma que coloco aqui em busca de construções. Por isso, lhe convido a pensar junto, a dar pitaco, a re-pensar o passado, o meu, o seu e o nosso!

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Não se alienem de sua criatividade!!!!

Outubro 16, 2009 · Deixe um comentário

O título é copiado daqui. Eu já tinha ouvido falar do Dimantas e do Felipe Fonseca, mas só agora começo a ter dimensão de quem são esses caras. Deu vontade de gritar, chorar e rir ao mesmo tempo enquanto lia o post da Gambiarra. Minha vontade foi além de remixar, blogar e distribuir…Quero vestir a camisa e sair aí pelos cantos com indicador fixo para mensagem. A Gambiarra é válida para as mães, mulheres, blogueiras e toda Sociedade da Informação. Eu não tenho idéia do todo que representa esse post, mas sinto ele na pele. Vivi muito disso, ainda engatinho para deixar a submissão de transformar tudo em produto de lado, mas já começo a respirar outros ares.

É uma questão de processos. Confesso que eu continuava processando tudo sem virar a cabeça. Agora tô começando a plantar bananeira. Ando só caindo, é verdade, mas recomeçar é muito bom. Cada tentativa realmente torna o problema menor. E como já foi exagerado meu jeito de ver as coisas. Tudo tão dolorido e tão abundante. Tão ingênuo e tão vítima. Mas extremamente necessário. Eu agradeço por cada caída, cada buraco, ruptura e pelas pessoas más que passaram pelo meu caminho. Valeu a pena!

Ler Dimantas e Fonseca me faz acreditar que é necessário fazer diferente. Não se trata de negar o óbvio. É preciso seguir em frente, buscar as pessoas certas, formar as infinitas redes, construir e reconstruir a si mesmo. Não é fácil. Tenho a sensação de que o gênero potencializa meu jeito de olhar as coisas, mas chega de ser boazinha. É hora de fazer gambiarra. Se estiver disposto, o convite tá feito!

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Conversas sobre Mestrado em Comunicação III

Agosto 28, 2009 · 9 Comentários

Hoje finalizo a série Conversas deste mês com as respostas do Francisco Madureira, gerente de projetos do UOL. Mas abro o blog para todos para começarmos a falar sobre Mestrado em Comunicação. Aidéia é propor conversas sobre a busca pelo Mestrado sob a perspectivia de um profissional de redação. Ou seja, aquele que desconhece o mundo acadêmico. Não há dúvida de que o primeiro passo é pesquisar, pesquisar e pesquisar os lattes dos doutorandos e mestrandos. São eles quem vão mostrar os caminhos para quem ainda não tem idéia do que é lattes, Linha de Pesquisa, objeto, sujeito e Metodologias….

Só cheguei no primeiro passo depois de ouvir muitooooooooooooooooo pessoas que já fizeram o Mestrado. E, por isso, resolvi replicar seis perguntinhas para amigos que admiro e sabia que iriam responder minha demanda. O Madureira é um dos primeiros profissionais que conheci na minha fase virtual e conectada. Ou seja, não o conhecia pessoalmente até o dia em que ele aceitou o convite para participar do NewsCamp. Eu trabalhei como frila para ele uma única vez, mas as trocas de emails foram suficiente para uma boa sinergia. Motivo? Filhos e internet. Ou seria, internet e filhos…Eu gosto muito da analogia racional Clico, logo existo! , apesar de ter criado nomes completamente malucos para minha própria identidade como Freelancer, o profissional que rala e Mídia Social (tão criticado pelos teóricos e amigos como Marmota).

Eu não conheço muito Madureira para ter julgamentos e elogios como fiz com Borges e Cruz, mas uma atitude que eu admiro e considero rara nas faltas de tempos que temos hoje é alguém te dar feedback. Madureira sempre retornou às minhas demandas malucas de querer mudar o mundo através de um clique. Prova disso são as respostas abaixo. Outra acaracterística que percebo nele é que Madureira também gosta do que faz, seja na USP ou no UOL. E isso, pra mim, é básico na vida. Tenho horror a pessoas que não priorizam a paixão…, mas eu sempre as tolero. Afinal, a maioria ainda trabalha só pelo salário. Com vocês, Francisco Madureira:

Foram 75 páginas de suor e lágrimas… mas valeu a pena! =)

1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?
Surgiu da necessidade que sinto de pensar no que eu faço, sem fazer simplesmente por fazer. E também porque adoro dar aula, é algo genético talvez —tenho avô e pai professores universitários. Como é praticamente um requisito, comecei a ir atrás. Mas a ausência de título não me impediu de já ter sentido o gostinho. Já ministrei cursos de jornalismo online no Mackenzie entre 2006 e 2007. Foi uma fase corrida, mas ótima.
 
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim, sobre jornalismo colaborativo. Na verdade, foi a colaboração que resgatou meu interesse no jornalismo, depois de encontrar redações mais preocupadas com o consumidor que o cidadão, com a audiência que com o compromisso público e social da profissão. E olha que só trabalhei em lugares que admiro —quando faço esta crítica, não é aos veículos onde trabalhei, mas ao que se tornou o jornalismo como um todo, especialmente em nosso país.

3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Tem um ditato que diz: “O mundo é uma grande bunda, e precisa de muito papel para se limpar”. Eis o que senti sobre o mundo acadêmico —uma necessidade impressionante de papéis, comprovações, burocracia. Sinto que isso emperra muitas das iniciativas legais que o Brasil, esse tal país criativo, poderia empreender no campo da educação. Mas aí vem o Lattes, currículo acadêmico obrigatório e que vale mais pela quantidade que pela qualidade, entre outras burocracias burras, como, por exemplo, a ausência de áreas multidisciplinares em grades curriculares do MEC e das próprias universidades, que continuam compartimentando o conhecimento em uma era de internet e redes que se cruzam e influenciam.

4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Trabalho com a Beth Saad, do grupo de pesquisas COM+, da ECA/USP. É o único grupo de trabalho da Escola de Comunicações e Artes que realmente trabalha com a internet na vida real, sem levar o debate intelectual para o mero exercício teórico. Escolhi a Beth Saad por intermédio de uma colega de Mackenzie à época, a Daniela Ramos, que já trabalhava com ela no doutorado. A Beth é hoje a única profissional do Departamento de Jornalismo e Editoração capaz de conduzir um trabalho sério sobre internet e novas mídias. Há muita gente na ECA com qualificação teórica, mas sem experiência alguma no mercado de trabalho, e isso é fundamental em um campo tão mutante como a web.

5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Certamente, mas não apenas dar aula. Honestamente, em meio a tanto debate sobre o diploma, acredito que saí da faculdade sem saber muita coisa sobre jornalismo. Na ânsia por dar uma formação generalista, com disciplinas como filosofia e sociologia, e por direcionar você a determinado campo do jornalismo (impresso, rádio, tv etc.), acabam por deixar de te ensinar o básico. Senti muita falta de estudar COMUNICAÇÃO na graduação. Acho que acabei voltando à universidade para ler e descobrir coisas que me faltaram. Não sei se é o caso da maioria das universidades no país, mas a USP em particular tem um currículo muito anacrônico. Para ter uma ideia, tive que buscar Teoria da Comunicação numa disciplina optativa oferecida por outro departamento que não o de Jornalismo —algo que é fundamental para um comunicador.

6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
Estou no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA/USP, mais especificamente na área de Interfaces Sociais da Mídia. Minha dissertação investiga o engajamento do público no jornalismo participativo dos grandes portais brasileiros —acabei escolhendo este recorte por minha experiência pessoal como profissional de mídia, e também por julgar que os grandes portais, apesar de normalmente não atenderem nichos, têm maior alcance de audiência e, talvez, maior possibilidade de levar uma nova forma de fazer jornalismo ao grande público. Porém, o estudo dos nichos certamente seria enriquecedor, e eventualmente posso tomar este rumo em uma pesquisa de doutorado —apesar de sentir vontade é de empreender nesta área para testar alguns ideais, assim como minha entrevistadora… ;-)
 
Minha dissertação deve ficar pronta até março de 2010. Ainda não sei se posso/devo publicar meu relatório de qualificação, mas você pode esperar novidades em breve em meu blog, em www.clicologoexisto.com.br.
 
É isso minha cara! Espero ter ajudado!

Ajudou e muito, meu caro! Obrigada pela colaboração. Espero que esses posts sirvam para alguém que esteja perdido aí na blogosfera em busca do começo da linha do novelo, saca?

Só pra deixar registrado, como manda a boa automação, eu fiz as mesmas perguntas a três amigos (veja posts abaixo) com perfis um pouco diferentes, porém, com algumas características que considero importante: todos têm o espirito de colaboração e entedem que o saber só é válido quando é para e entre todos. Por isso, faça sua parte também! Comente!

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Conversa sobre Mestrado em Comunicação II

Agosto 27, 2009 · Deixe um comentário

Quem participa da série Conversas   hoje é  André Borges, que atualmente trabalha no jornal Valor Econômico. Eu tive a honra de trabalhar ao lado desse grande repórter entre 2000 e 2003 numa editora especializada. André é curioso, inteligente e tem “alma de brasileiro’.

Calma! Eu explico a tal alma de brasileiro: ele reconhece a diversidade dentro de casa, sabe qual é sabor da comida mineira e entende a razão da loucura paulista. Parece meio maluco, mas confesso que não sei expressar em poucas palavras o que representa ter alma de brasileiro. De certa maneira, identifico o melhor de mim nessa tal alma brasileiro e me reconheço um pouco no Andrezinho quando tento caracterizá-lo desta forma. Já o pior de mim está um pouco fora daquilo que considero alma de brasileiro, sacou?

Mas aborges é muito mais que isso. É um profissional que sabe contar história, que sente prazer em apurá-las, que gosta de pessoas e sabe fazer delas uma representação brilhante num texto simples, claro e objetivo. Enfim, André tem tudo de um bom repórter!

O Borges foi o segundo que respondeu meu email com seis perguntinhas sobre a experiência de ter feito mestrado. Meu terceiro convidado foi o Madureira, que em breve conto um pouco sobre ele aqui e publico suas respostas. Com vocês, André Borges:

1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?

Eu tinha concluído minha graduação, mas fiquei com vontade de seguir com os estudos. Terminei a graduação em 1997 e, um ano depois, ingressei no mestrado;
 
 
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim, o objeto de pesquisa é um pré-requisito para concorrer ao mestrado da ECA-USP. O que ocorreu é que, meses depois de entrar no curso, decidi mudar meu objeto de pesquisa e fui apoiado pelo meu orientador.
 
 
3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Acho que o que merece destaque é o perfil do trabalho de mestrado. Diferente da graduação, que na maioria das vezes se apoia em trabalhos coletivos, o mestrado é um exercício individual e aprofundado. É um trabalho solitário, que o aluno precisa aprender a desenvolver.
 
4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Me baseei no perfil de suas orientações anteriores e também em sua postura profissional.
 
5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Não cursei o mestrado com o propósito de dar aula, embora seja este o principal objetivo para quem faz o curso na USP. Muitos colegas de sala, aliás, já eram professores em algumas faculdades em cursos relacionados à área de comunicação. O mestrado me trouxe conhecimento e maior capacidade analítica; o mercado traz a aplicação disso. Penso em dar aula, mas é um projeto para o futuro.
 
6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
Escolhi a linha de jornalismo comparado. Na tese, defendida em 2001, falei sobre os embates da mídia impressa e a internet e as tentativas da mídia tradicional para explorar os negócios no ambiente digital. O cenário analisado foi de 1995 a 2001. Não mudou muita coisa de lá para cá. A tese está à disposição na biblioteca da ECA.

Veja Também:
Renato Cruz

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Conversa sobre Mestrado em Comunicação

Agosto 23, 2009 · 1 Comentário

Quem acompanhou meus últimos posts já sabe sobre minha busca para conhecer melhor o mundo acadêmico. Um dos passos para trajetória do Mestrado é dialogar com quem já teve essa experiência, entender a razão dessa etapa e conhecer melhor a dinâmica e as regras da Pós-Graduação. É por isso que inauguro aqui uma troca de emails com amigos solidários e colaborativos, que já passaram pelo Mestrado. Renato Cruz é o primeiro que responde minhas cinco perguntinhas. Você pode conhecer melhor a trajetoria dele no próprio Lattes

…Mas se está acostumado a considerar mais opiniões que práticas, eu tenho a honra de elogiar um pouco o que vejo no Renato. Ético, solidário e objetivo. Renato faz parte de um grupo seleto de profissionais da Comunicação, que mesmo dentro do mainstream media tem um relacionamento intenso e colaborativo com os jornalistas especializados. Ele ouve, mas não entra nas fofocas rotineiras dos bastidores da imprensa – o que é muito raro em espécies como a nossa (risos). Mas a característica que mais me fascina em Renato é o bichinho da imprensa. Ele gosta do que faz, tem paixão pelo bom jornalismo. Ele compartilha as “investigações” ao ensinar a dinâmica do setor aos outros. Enfim, Renato já é um pouco mestre na prática do jornalismo pra quem sabe ouvir e tem interesse em fazer um jornalismo especializado que valha mais que o salário. É aquele jornalismo que vale a pena!

Com vocês, Renato Cruz:
1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?
Eu fiz logo depois da graduação, então é quase como se eu não tivesse parado de estudar. Terminei a faculdade de jornalismo e, no ano seguinte, prestei para o mestrado.
 
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim. Eu escrevi o projeto antes de ter um orientador. O projeto era um pré-requisito para a seleção.
 
3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Na minha opinião, o mais difícil para nós, jornalistas, é cuidar das referências bibliográficas. Dá mais trabalho que escrever.
 
4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Na verdade, o orientador é quem me escolheu.
 
5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Já dei aula de especialização. Para mim, dar aula é um projeto de mais longo prazo. O legal do mestrado é escrever a dissertação. Profissionalmente, a gente não costuma ter a oportunidade de escrever um texto com essa extensão e essa profundidade.
 
6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
No mestrado, escrevi sobre a venda de conteúdo na internet. A conclusão foi de que são poucas as oportunidades para fazer o leitor pagar pela informação. A dissertação está aqui: http://njmt.incubadora.fapesp.br/portal/publi/renatoc/EconomiadoExcesso.pdf.

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Jesus Martín Barbero – Um encontro com os acadêmicos

Agosto 18, 2009 · 5 Comentários

Ontem, talvez, tenha sido o meu primeiro contato, de fato, com a área acadêmica. Participei da Aula Magna com Jesus Martin Barbero, promovida durante o Fórum Permanente de Programas de Pós-graduação em Comunicação do Estado de São Paulo, que aconteceu no Memorial da América Latina, de São Paulo. A sensação era de pura transformação. Para se ter uma idéia, o espanhol terminou sua aula com seguinte discurso: “tudo que sabemos, sabemos entre todos”

Foi mágico ver um senhor com seus cabelos brancos com idéias consideradas tão atuais e, de certa maneira, até revolucionárias. Ele acredita que pesquisadores devem ter imaginação e ainda critica o olhar tão comum de considerar a oralidade um analfabetismo. “Tem outras culturas além do livro“, alertou Barbero. Nunca li nada sobre autor, mas a entrevista dele concedida à Matrizes, enviada por email pela organização do evento como material de apoio, já dá um gostinho satisfatório do que prega Jesus. Me lembrou muito a leitura que tive de Maria Nazareth Ferreira  – outra senhora revolucionária que conheci na ECA conforme já relatei aqui  porque ambos parecem se preocupar com as atuais trajetórias das pesquisas na área de Comunicação.

Eu ainda estou deslumbrada com o discurso de ambos. Logo, tudo que penso alto por aqui tem a parcialidade da paixão pelo novo. O que mais tem me cativado a mergulhar neste universo ainda desconhecido é a possibilidade  de mudança e de integração com os demais pensadores da América Latina. Ter um ponto de partida que não seja tão europeu nem norte-americano me fascina e me atrai. Vale registrar aqui o que anotei da entrevista de Barbero:

Sabíamos que estávamos presos, mas pelo menos dentro do grupo da alaic existia uma consciência clara de que era preciso criar um pensamento latino-americano, de que não se tratava simplesmente de misturar coisas que vinham da semiótica com outras do marxismo e da teoria da dependência.

A sensação é de que o caminho das pesquisas é muito novo e , de certa maneira, segue a prática da “butique” ( copiar e seguir os norte-americanos) e se molda muito de acordo com investimento. Parece até que há modismos nos temas escolhidos como as ondas que vivemos no mundo de cá, dos pobres mortais. Tudo é pura percepção pessoal…Entretanto, meu perfil de jornalista de bloquinho trouxe também algumas informações de discursos soltos que vale compartilhar por aqui:

São 36 programas de pós-graduração na área de Comunicações no Brasil e 14 delas estão localizadas no Estado de São Paulo. Na década de 70, as pesquisas feitas eram resultados de trabalhos que confundiam investigação com pesquisa, em 80, surgiram as linhas de pesquisa cheia de categorias e com foco ainda no modelo linear. Parece que tudo se move entre o objeto de conhecimento ser os MEIOS  ou as Mediações ( acho que isso em função do convidado, que tem um livro focado neste tema) e também que agora entramos na fase de analisar as interações, cognição, simulacros. Agora, a questão é como se comunica? Barbero alerta que pensar como exige saber o que

Foram muitos os fragmentos que restaram deste encontro e prometo retomá-los por aqui. Fui!

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Teoria da Recepção, Stuart Hall

Agosto 13, 2009 · Deixe um comentário

O título deste post é referente ao pedacinho do livro “Da Diáspora – Identidades e Mediações Culturais“, que trata-se do meu primeiro “trabalhinho’ em grupo lá no curso Gestão Cultural. Eu passei os olhos no texto, depois reli a primeira parte e fiz um resuminho no google docs. Cada membro do grupo também fez seu resuminho no Google e depois nos encontramos pra discutir como seria a apresentação do grupo. Resultado: nenhum resumo tinha nada a ver com outro e o único consenso entre os resumos era de que Stuart Hall propunha um conceito diferente do modelo emissor/mensagem/receptor porque o considerava linear.

A proposta de Hall baseava no esqueleto da produção de mercadorias apresentada por Marx. Todo mundo entendeu as seguintes palavras-chave: cíclico, multireferencial, Marx e articulação, entre outras. Saimos de lá e só agora, quando reli pela segunda vez o texto, sinto menos perdida.

Estou contando esta rotina toda para chamar atenção no desafio que é ler códigos. Ler códigos? Sim, a escrita acadêmica é um código e para decodificá-lo, é preciso entender as regras acadêmicas. Eu, como ainda não as conheço, resolvi googlar para ver como Hall era decodificado pela rede. Pasmem?! O que aconteceu?

De novo, cada um teve uma leitura bastante particular, dentro de outro contexto, enfim, dificil achar o link preferencial ( que combina com a minha leitura). Destaco dois deles (pra não dizer que  achei 5,1 mil links sobre tema):

O Café com Notícias, um blog de estudantes de jornalismo, foi mais similar com a minha pobre leitura porque fez um resuminho com algumas interpretações, pegando pedaços ( paragrafos inteiros) originais do texto. Seria uma resenha, dentro de um blog no formato pdf. Veja com seus próprios olhos e decodifique com seus próprios códigos o link aqui 

Outro achado foi  da Intercom ( a partir da página 9) que avalia e compara a Teoria de Hall dentro de uma pesquisa de Mauro Porto, que lê Hall de um jeito completamente diferente do pouco que entendi diante das suas conclusões. entretanto, explica a teoria e ainda a contextualiza. Destaco a conclusão dele: Portanto, um dos principais problemas do modelo é o fato de que ele parte do pressuposto de que as mensagens da mídia sempre expressam a ideologia dominante, através de leituras e significados “preferidos”.
Eu interpretava quase oposto disso porque na minha leitura, o que ouvi foi justamente o contrário: as mensagens da mídia não são uma repetição da ideologia, mas uma busca pelos significados que a idelogia constroi no seu mapa de sentidos.

 

 

 

Mas, afinal, o que é essa tal de teoria da recepção? Parece simples: é um novo modelo baseado em Marx para conceituar a prática de produção da mídia. Ok e onde entra a recepção dentro disso? Não faz pergunta dificil, mas acho que está ligado com a audiência. A relação entre audiência e a produção. Não dá pra entender um sem o outro, saca? Eles são relacionados. Mas isso é obvio? Pois é justamente por pensar assim que fica dificil entender o código. Que tal de código é esse, Ceila? Sorry!!!! Não dá mesmo pra explicar de maneira simples, apesar de parecer tão simples. Então, lá vai o que eu joguei no google docs para meu grupo de estudo, quem sabe você não pode decodificar a mensagem pra gente:

Primeiro, Hall vai defender um novo conceito de como funciona a mídia e defende que em todos os momentos há codificação e decodificação. quais momentos?
 
1- produção ( mensagem)
2-circulação (discursiva)
3- distribuição (discursiva)
4- consumo ( sentido)
5- reprodução (valor de uso social)
 
Cada momento deste é determinista no fluxo de produção (fixo), porém cada momento isolado é um processo de codificação e decodificação (articulação). Como estes cinco momentos foram criados a partir da teoria de Marx, ele resulta num produto. qual produto? a mensagem que só é consumida se tiver sentido e valor de uso social. Outra coisa importante é de que a Circulação (2) e a Distribuição (3) só são realizadas de forma discursiva. E, detalhe, todo discurso envolve a operação de códigos. Logo, circulação e distribuição envolve o processo de codificar e decodificar um discurso. E onde está o codificar/decodificar do restante do fluxo ( produção/consumo/reprodução)?
 
o circuito de produção da mídia produz (1) uma mensagem codificada na forma ( 2 e 3) de um discurso significativo.
 
A meleca toda começa porque ele vai explicar cada pedacinho dessa frase aí em cima e mistura uma porrada de coisa só pra dizer como se constroi o código da mensagem. Para nos convencer disso, ele argumenta contra as seguintes teorias:
1- abordagem do conteúdo do behaviorismo, onde acontece a teoria semiotica ( signos – pierce)
2-teoria linguística ( conotação e denotação), onde acontece a codificação
3-teoria da percepção seletiva ( audiencia) onde acontece a decodificação a partir dos seguintes hipotéticos códigos dominantes, códigos profissionais, códigos negociados e os códigos de oposição

Não entendeu nada? Hummmmm, eu fiz outro resuminho da mesma coisa, quando dei uma passada de olhos. Veja se facilita ou complica:

 

 

Stuart Hall traz três inovações nos conceitos de Mídia. Primeiro ela não funciona de forma unidirecional no modelo “produtor emite a mensagem ao receptor”. Ele ensina: “produzir a mensagem não é  uma atividade tão transparente como parece”. Segunda mudança: a lógica da mídia não é determinista, mas sim multirreferencial. Porém, os momentos do fluxo de produção são deterministas. Ou seja, a mensagem tem sentido diferentes de acordo com a referência do receptor. A terceira inovação é contra a idéia de que a relação de produção do conteúdo está relacionada ao consumo (grana e capital). Ou seja, Hall não acredita nos ditados populares: “a TV é ruim porque é o que o povo gosta. Audiência é quem manda. circo para povo…”. Ele alerta para o fato de que o consumo determina a produção assim como a produção determina o consumo. Ou seja, a relação da produção de conteúdo é um resultado de articulação entre os circuitos de produção.

 

 

 

E aí, algum comentário que possa resultar numa mensagem mais transparente, clara e decodificada para a maioria?

 

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Massa, mídia e escala de blogs

Agosto 4, 2009 · 2 Comentários

Tenho a sensação de que hoje é o primeiro dia do ano de 2009 que, pasmem!!!, estou com tempo para navegar na web sem ser de madrugada. É tão bom que dá medo de estar sonhando…Mas antes que esta conversa transforme-se num manifesto sobre tempo, escolhas e autonomia, resolvi blogar porque li o Barbusci, no post A internet como mídia massa?, e ao ouvi-lo fiquei intrigada. Você também acha que a internet é uma mídia massa como a TV? Sério?

Putz! É por isso que eu tenho medo de números e raiva por não ter nascido gostando de matemática…Explico: eu acho muito arriscado enxergar a internet como mídia de massa. Ter 50 milhões de conectados em rede não significa ter todo este potencial para vender anúncio e proclamar o consumo. Eu ainda vejo a internet bastante fragmentada e é exatamente isso que faz ela valer a pena. OK, mas o que é mídia de massa? Ainda não virei uma insuportável de carteirinha para saber conceituar tudo, mas no mínimo, me lembra escala. E é justamente isso que tem estragado a maioria das iniciativas privadas dentro das redes sociais. Exemplo?

Três meses atrás liga um garoto de uma agência, que já foi um blogueiro admirável, querendo colocar um anúncio no Desabafo de Mãe. O critério de valor era aquele determinado pelos portais no passado, o tal CPM( custo por milhões, ou algo assim..), que vale alguns centavos, porque a regra é escala. Resultado: não aceitei. Então, garoto me “ensinou” o nome do jogo: Ceila, mas é melhor ter pouco do que ter nada, né?

Tenho a sensação de que olhar a internet como mídia de massa é justamente o que prejudica a inovação. Se aquele garoto tivesse sendo pago para descobrir formatos de como atribuir valor ao conhecimento adquirido pelas trocas fragmentadas entre pessoas ao inves de ligar para 200 blogueiros para oferecer-lhe centavos por milhões de páginas, talvez estaríamos aprendendo a reconhecer um novo modelo de economia para a internet que não é mídia, massa nem escala.

anotações: o valor de troca das mercadorias, sejam ou não materiais, não é mais determinado em última análise pela quantidade de trabalho social geral que elas contém, mas, principalmente, pelo seu conteúdo de conhecimentos, informações, de inteligências gerais.

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