No ano passado, fiz uma reportagem para uma das revistas corporativas da Telefônica, cuja pauta era discutir o quanto o conhecimento ainda é elistista, para poucos e muito caro. Sim! Essa é a nossa realidade, apesar da imensa massa crítica, que se expressa no dia-a-dia e da estratégia padrão de abrir os canais de informação da mídia tradicional. Naquela época, as bibliotecas como Scielo, a inciativa Domínio Público e esforço do Sebrae na área de gerenciamento do conhecimento foram os achados que se posicionavam contra a fechada maneira de ser dos donos do conhecimento.
A Proxxima, JumpEducation e a Digital Age são exemplos presenciais do quanto ainda estamos restritos à busca pelo dinheiro ao invés do papel social da evangelização necessária, cidadã e inteligente quando se trata do enigmático mundo digital. É bom lembrar dos logos que permeiam o blog da Proxxima, que traz quase metade do nosso salário-zinho estampado nos espaços de publicidade com as imagens Brasil e Petrobrás assim como aconteceu no passado na área cultural com o patrocínio ao Cirque du Soleil. Sim, é uma vergonha, mas a realidade é mesmo sem-vergonha na cara, né!
É, por isso, que muitos produtores do mar de informações não tiveram a chance de conhecer um publicitário tão consciente como esse que participou do evento e nos ensina a não viver mais no fantástico mundo maravilhoso da fantasia. Leiam! Eu destaco a seguinte frase dele:
“Outro grande erro na transformação dos blogs em mídia é o formato adotado. O blog é a voz de uma pessoa, que fala com milhares de outras, colocar palavras na boca dessa pessoa é como pedir pro seu amigo chavecar a gostosa da balada por você, a coisa fica fake, soa vazia como o Faustão anunciando empréstimo pessoal da Fininvest durante o programa. É complicado imaginar como usar os Blogs como mídia, por que o formato utilizado para essa comunicação não é adaptado ao meio, destoando daquilo que é proposto, passando a falsa impressão de que comunicar de maneira convencional num meio não tradicional já é uma forma de inovação”.
Ricardo Aum
Sem dúvida nenhuma é nosso o papel encontrar caminhos para esses novos formatos, que até podem ser alimentados pelo tradicional bolo publicitário. Porém, precisa ser reinventado a forma de fatiá-lo. Eu estou de saco cheio das críticas feitas ao discurso da monetização quando alguém pensa em planejamento, modelos, oferta e demanda, enfim, quando busca viabilizar o desconhecido mundo digital.
Ok, nossa butique brasileira já aprendeu a copiar o mundo norte-americano do SEO, mas ele não é a única alternativa para todos. E é dever dos acadêmicos pensar e conceituar sobre os valores das redes sociais, dos publicitários descobrir as formas de mensurá-los, dos consultores provar o ROI ás corporações e das empresas sairem de fora da caixa de fazer tudo dentro de casa e sempre com os mesmos profissionais. E, lógico, dos profissionais de mídia social trazerem á tona os projetos. Sim é hora de arriscar sua opinião mesmo que você não saiba nada sobre nada. Até mesmo os bambambãs estão perdidos. Eles sabem que o mundo será móvel e a publicidade, interativa. Mas, e agora, José?
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Ceila,
Acho que um problema é que quem decide para onde vai a verba publicitária ainda não são os nativos digitais. Os blogs refletem isso, mas é uma situação de toda a internet brasileira. A participação no bolo publicitário é muito pequena. Na minha opinião, o cenário vai mudar, talvez radicalmente, em poucos anos. Mas o problema é segurar os projetos de pé até lá.
Beijo.
Obrigado pelo comentário Ceila. Espero que um dia as pessoas consigam quebrar essa barreira que divide a blogosfera do mundo real. Acho que o mercado precisa entender a internet como mídia social, mas o comunicadores dessas mídias também precisam entender o mercado. Felizmente tem mais gente pensando que o caminho para resolver isso é mais simples do que se acredita.
Abraço.
Oi Renato, acho que essa resposta pelo presente é justamente o que precisamos buscar agora. Muita coisa vai mudar amanhã, mas outras tantas podem começar agora.
Olá Ricardo, muito obrigada pela visita e percebo o quanto é complicado conhecer o mercado porque trata-se de uma cadeia ainda estranha porque parece que há mais intermediários do que o tripé: mídia – agência – investidores ( empresas), não?