Eu nunca vi nem me lembro de nada que a LG promoveu entre 2000 e 2005. Neste período, eu viajei até para França patrocinada pela Nokia para cobrir evento de mobilidade. Houve sempre bons jabás de fabricante de switch, desenvolvedor de plataformas de CRM e por aí vai. NUNCA durante cinco anos de IDG, lembro de alguma iniciativa da LG que envolveu JABÁ.
Em abril deste ano, entretanto, a fabricante sul-coreana entrou para lista de discussão sobre Ética em Blogs devido a ação Safari Urbano. Pitacos e críticas vieram de todos os lados. Aqui eu citei a ação a partir de diversos pontos que foram discutidos durante o NewsCamp: Responda-me: porque a LG não dá seus brinquedinhos para os presidentes das corporações andarem de helicóptero e fotografar as imagens vistas lá de cima? Seria uma estratégia de relacionamento? Não é fácil discutir “o que homem faz a partir do que fizeram dele” ( Sartre).
Eu acredito nas convenções como Informe Publicitário, Anúncio, Licenciamento de conteúdo e até no tão criticado JABÁ. Mas, como já disse antes, certas convenções precisam ser reinventadas porque replicá-las dentro do ambiente de rede provoca, no mínimo, mal estar. Motivo? É preciso se adequar ao ambiente de “sociedade em rede”. Fazer jabá com blog é oferecer algo a pessoas. Fazer jabá com a Imprensa é oferecer algo à uma entidade burocrática, hierarquizada. Não existe “o jabá da Nokia é para Ceila Santos”, mas o jabá da Nokia é para o veículo tal. Essa mudança implica num cuidado estrondoso na hora de criar os recursos do Jabá para que a ação com pessoas não torne-se exploração ou coação.
O erro do Safari Urbano foi utilizar a tão propagada “voltinha de helicóptero” para falar de celular. Tudo bem, lá do alto as imagens devem ser incríveis, mas o recurso é bastante luxuoso para pessoas assim como é extremamente usual para executivos. Não há como não se assustar com o helicóptero dentro dessa ação.
OK. Eu sei que você vai me questionar: Mas a viagem para França paga pela Nokia? Ela está atrelada ao evento de mobilidade. Por mais luxuoso que seja, a viagem é a ÚNICA via para chegar ao evento. Já o helicóptero é uma opção diante de diversas possibilidades de fotografar por ângulos diferentes.
Faço esse mega pano de fundo pra informar o seguinte: Eu vi Rafinha Bastos e Danilo Gentili no show da LG! Minha sensação foi de que o grupo sul-coreano acertou na dose. Desta vez, a Dudinka e a One Digital ofereceram um Jabá dentro do Contexto.
A fabricante lançou um site ( ok, eu sei que isso é comum e típico das grandes organizações) com uma estratégia de divulgação que envolveu quase 99% de blogueiros. O nome do site é Lorotas e os dois atores (NASCIDOS DA INTERNET e extremamente famosos por causa do programa de TV CQC, da Bandeirantes) apresentaram seu repertório de comédias, trazendo á tona o jabá (achei fantástico!), o produto, a internet e ainda suas piadas. Enfim, uma campanha viral com contexto.
Não houve luxo, deu o recado, vai gerar muito buzz, é imediatista e, detalhe, não deve nada aos típicos jabás oferecidos à Imprensa. Talvez uma pergunta que se coloca diante da ação é: TV de Plasma é um produto adequado a blogueiros? Acredito que não assim como muitas ações de Jabá não são adequadas a jornalistas, mas ao público que lê os veículos onde esses profissionais trabalham. Também não tenho a mínima idéia se o público dos blogueiros presentes é o nicho alvo. Mas, com certeza, TV de Plasma é SIM um desejo de consumo. Ainda mais com a chegada da TV Digital.
Houve alguns percalços. Eu não sabia, por exemplo, que o show oferecido era patrocinado pela LG. Óbvio que como fui convidada para ir ao show do Rafinha Bastos e Danilo Gentili sabia que era um jabá, mas o convite não deixou isso claro. É bom adotar a convenção: “A LG tem o prazer de lhe convidar….” Na troca de emails até houve menção à marca ( [dudinka] LG Plasma – Stand Up Comedy Show) mas somente no tópico assunto do email. Passou despercebido por mim.
De resto, gostei do formato. A dupla de apresentadores trouxe á tona a palavrinha mágica: JABÁ sem nenhum pudor nem hipocrisia, durante o show. E como todo jabá não houve nenhum tipo de coação para gerar o viral como o que faço aqui e agora, mesmo sem ter uma TV Plasma na minha sala, mas o encontro foi tão agradável que hoje posso falar dele como uma pessoa comum que escreve. Se estivesse lá como jornalista, talvez, não falaria nada. Ou até divulgaria o release sobre o produto, mas você JAMAIS ficaria sabendo que eu vi o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili de graça. Essa é a transparência que a sociedade em rede traz á tona e, consequentemente, permite relacionar e mostrar um pouco dos bastidores do jornalismo convencional.
Upgrade: hoje – quase 18 horas após ter publicado este post - pensei o quanto essa minha divagação está atrelada, ou não, ao fato de ter participado pela primeira vez à uma ação destinada a blogueiros. Como não participei do Safari Urbano, minha percepção era de quem lê a espuma. Agora que vivi presencialmente a segunda ação, estou influenciada. Afinal a ótica é outra. E, pela primeira vez, percebo minha metamorfose em aceitar as convenções do modelo de mídia para a Imprensa e talvez considerar estranho a mesma estratégia para mídias sociais. leia Mais: Um desabafo de uma blogueira, ou seria Jornalista?