Confesso que sempre acreditei no discurso realizado em cima do palco corporativo, onde presidentes e gestores proclamam a inovação como irreversível. Já cheguei a ouvir estatísticas e estratégias que colocam o tema INOVAÇÃO como prioridade básica para ganhar competitividade. Mas parece que na hora em que profissionais de mídia, especializados em Relações Públicas, trazem o tema á tona, a prática é outra. Pelo menos, essa é minha percepção quando se trata de comunicação e relacionamento NA WEB com consumidor final.
Alguém duvida de que não dá pra fazer inovação com pesquisa só dentro de casa? Ou de que a colaboração externa é indispensável? Duvido de que, entre os gestores de novos negócios, essas premissas não sejam verdadeiras. Mas, então, responda-me: porquê a prática ainda continua a mesma? OK. Eu entendo que o momento seja apenas de observação. Afinal, o mundo das mídias sociais continua nebuloso. É preciso ter muito cuidado para não perder o principal valor que está em jogo: as GRANDES MARCAS.
Mas experimentos são extremamente necessários para que a mudança aconteça. E não adianta exigir números e ROI de projetos que envolvem inovação. As estatísticas estão aí: projetos de inovação demoram muitooooooooooooo para dar retorno e 80% deles falham no meio ou no fim do caminho. Estima-se que projetos de inovação podem levar até SETE ANOS para trazer retorno aos cofres corporativos.
Opa, peraí, mas o que inovação tem a ver com mídia social? Tudo. Se sua empresa é capaz de se comunicar da maneira correta com a cauda longa que se forma de maneira assustadora pela internet, imagine o quanto ela está preparada para oferecer o produto certo aos prosumers - termo cunhado por Alvin Toffler (conheça mais sobre o gringo no blog de Pedro Dória) para classificar os consumidores que também produzem conteúdos e, muitas vezes, ainda são os early-adopters da vida.
Entenda melhor o conceito neste artigo escrito por Diego Cox, do blog Reflexões Digitais: Existe um prosumer dentro de você?
Soa ingênuo, para você, acreditar que como INOVAÇÃO é a ordem do mundo corporativo, é natural que o conceito de mídia social também faça parte das salas de reuniões das organizações? OK. Sorry! Santa ingenuidade a minha! Eu acreditei que diante da proliferação de posts bem escritos sobre tais conceitos [são muitos, mas cito João Carlos Caribé que traz à tona também a Era da participação ( leia post do André Furtado, do Websinder) no post O novo geek e Maslow], a fresta das grandes portas abririam para quem está disposto a ousar, a fazer diferente…Ops, a INOVAR. E detalhe: com muita ética e cuidado. Mas, talvez, esteja enganada. Ou melhor, talvez, esteja apressada demais para o mundo onde tempo é dinheiro.
Por outro lado, continuo cada vez mais animada e crente de que tais premissas podem tornar-se realidade. Motivo? Tem muita gente boa trabalhando para que isso aconteça agora. Nunca vi tanta movimentação no mundo de RP – quem assina lista de vagas na área de jornalismo sabe do que estou falando: as assessorias estão reforçando cada vez mais a equipe DIGITAL. Por isso, apesar das empresas continuarem apenas OBSERVANDO ou investindo forte em publicidade e criação de sites próprios, parece que o momento está propício para bater na porta de quem entende de NOVOS NEGÓCIOS.
Leila Oliva, que tive prazer de conhecer recentemente, acaba de comentar aqui (veja comentário abaixo) e tem um discurso que vai de encontro com aquilo que acredito quando penso sobre MÍDIA SOCIAL: ética é crucial no processo de inovação e, muitas vezes, ela está bastante distante do necessário ROI que os sistemas de gestão e os donos do dinheiro estão acostumados a cobrarem de quem não inova. É bom lembrar que quem inova SABE o quanto ROI também é crucial, portanto, não segue o processo tradicional que estamos acostumados agora.
Porque pensar, estruturar e validar alguma coisa nova leva tempo. Quando a discussão é feita durante o processo, antes da validação, pode parecer que o processo é longo, infinito mesmo. Porém, sem esta discussão, poderemos não saber quais as consequências, impactos de uma nova idéia. E os problemas aparecem depois.
Você fala de ética neste artigo: pois é, acredito “prá caramba” que esta é uma das dimensões da validação de qualquer idéia nova. Só que eu acredito que a validação só se dá depois do debate dos dilemas éticos que cada nova idéia pode gerar. E isso leva tempo. Melhor fazer isto durante o processo de geração e gerenciamento de idéias do que depois que a idéia já foi implementada.
Comentário feito no post abaixo por Leila Oliva
5 respostas Até agora ↓
Gilberto Pavoni Jr. // Agosto 1, 2008 às 11:22 am |
CVM, ativos intangíveis, BNDES. procura isso no Google.
Só agora o valor da marca vai começar a fazer algum peso contábil. O mesmo para relacionamento, metodologia, inovação (q não é P&D, muito pelo contrário) e capital intelectual.
Até hoje, o discurso era muito bonito, mas muito hippie. O q valia mesmo era o balanço, q não tinha nada disso. Ativos intangíveis não fazem parte do balanço… pra quem não sabe ainda. Poderão fazer, agora.
Procurando no Google, vc vai ver q agora pode vir a ter. Provavelmente terá.
Precisa sim um novo ROI. Só q não dá pra medir o q não tem valor… ou tem só num discurso hippie, sem números que todos podem aceitar como válidos. Mas, isso tb deve mudar com esse novo cenário da CVM e do BNDES para ativos intangíveis.
Uma empresa não vai adotar mídia social nenhuma se não for provado o valor agregado dela ou como ela agrega valor ao negócio. E em números, no caixa.
Tirando a deslumbrada área de mkt da empresa adoradora de memética paga, e a de Comunicação (q nunca tem a independência necessária para adotar o que quer) as outras áreas de negócios estão sim muito desconfiadas disso tudo…. Ninguém mosta o retorno.
Teve 300 visitas no blog. E daí? Qual o retorno contábil? Bem… hã.. a marca… o relacionamento… OK, quanto a empresa ganhou em marca e relacionamento? Mmmm… olha… é difícil… e um investimento de longo prazo… E qdo a empresa for realizar esse lucro desse investimento de longo prazo, qto terá no balanço? …..(???) balanço?
Vai interferir na compliance (se for, esquece)? Como se lida, em termos de governança, com isso?… E mais dezenas de perguntas q nuncam são respondidas.
E não é só no Brasil não. Se vc tirar tudo q tem relação com o modelo StartUp x Venture Capital, sobra muito pouco de sucesso contábil de mídia social.
Ativos intangíveis é um discurso complicado por lá tb.
ética é um problema. Mas, para empresas, é o menor deles. Elas lidam bem (do jeito delas) com isso.
Agora, retorno, é um problema das mídias sociais… q não estão sabendo lidar com isso.
ceilasantos // Agosto 1, 2008 às 12:28 pm |
uau, Giba, obrigada! Confesso que neste exato momento não vou ter o tempo adequado para tantas pesquisas propostas, mas lógico que vou correr atrás de tudo isso. Valeu mesmo!
Tenho a sensação de que a área acadêmica tem feito muitas pesquisas que podem trazer muitas respostas às perguntas que você coloca aqui. O que não falta por lá são teses que tentam buscar uma forma de mensurar tudo isso.
Por outro lado, minha experiência mostra que tudo pode ser mensurado e MUITOOOOOO via internet. O desafio é mostrar estes números que geralmente são baixos para mídia massa porque não há apoio para divulgação de projetos que levam essa brincadeira de fazer as coisas com tesão e qualidade ( e detalhe: sem grana) bastante a sério
Rodrigo Padron // Agosto 1, 2008 às 1:20 pm |
Concordo que falta um um plano de negócios para fomentar a social media. Não vi nada até agora que demonstre retorno de investimentos. Aliás, é difícil mensurar até os resultados de outras atividades de RP. Por exemplo, não se costuma fazer pesquisas após a implantação de um projeto de relações com a comunidade que demonstre a assertividade da ação. Em relação ao relacionamento com a imprensa, ainda há muita agência considerando o famoso ad value – até por interesse do próprio cliente.
Enfim, imagino que RPs podem contribuir mais com o tema da social media, criando métricas, desenvolvendo perfis de blogueiros e líderes de comunidades, criando mailings inteligentes, promovendo ações e gestão de relacionamento.
Podemos aproveitar o filão já conquistado pelos colegas da publicidade para dar suporte à campanhas virais.
Outro ponto já levantado são as pesquisas. As ações de comunicação deveriam ser suportadas por dados e números. No mínimo, para minimizar os erros. As iniciativas não podem ser apenas empíricas, baseadas em experiências. É preciso dar uma “cara” mais profissional.
Depois de muito tempo dedicada ao relacionamento com a imprensa, as Relações Públicas voltaram a ser públicas com o fortalecimento da Web 2.0. Portanto, as agências e entidades como Abracom e Aberje deveriam ser mais ativas e enfáticas em seus posicionamentos de mercado. É uma oportunidade.
Alexandre Carvalho // Agosto 1, 2008 às 2:04 pm |
“as assessorias estão reforçando cada vez mais a equipe DIGITAL”.
Ceila, isso é verdade, mas você esqueceu de mencionar que boa parte delas está apenas embarcando na onda, sem saber exatamente onde ela vai dar. Muitos entram nessa sem saber o mínimo sobre mídias sociais e acabam fazendo tudo errado. Quando não é isso, penam para vender qualquer projetozinho para um cliente. A maioria da turma que já anunciou a criação de um núcleo digital está sofrendo um bocado para vender algo além de um blog corporativo.
Vale lembrar também que, nesse meio, tem muito figurão aí, com nome feito no mercado, que na prática só tem discurso, perfeito para vender ilusões aos clientes e aos prospects, mas na prática não sabem absolutamente nada, deixando o “trabalho sujo” na mão dos peões. E gente de agência grande. Lá mesmo no NewsCamp vi dois exemplos.
Você afirma que sua experiência mostra que tudo pode ser mensurado via Internet. Mas mensurado de que maneira? O Giba falou em números, “show me the money”, que é o que as empresas estão realmente procurando. E nas mídias sociais não há nada que mostre resultados nesse formato: números. Valor da marca, relacionamento etc. são coisas muito bacanas no discurso, mas no curto e médio prazos (que é o que as empresas usam na hora de avaliar para onde as verbas estão indo), não pagam as contas.
deisemaria // Agosto 1, 2008 às 2:08 pm |
ola ceila, sou leitora do seu blog, mas eh a primeira vez que faço um comentario.
na area academica (desculpe estou sem acentos) tem muita coisa na filosofia que discute a midia social. pierre levy (ciberdemocracia). alem, da galera de arquiteruta da informaçao.
as agencias de comunicaçcao estao criando ferramentas de monitoramento das marcas na midia social. estao começando a entender que eh preciso misturar a experiencia que tem na area de anasile editorial (exemplos CDN e maquinadanoticia) com os novos conceitos de midia.
quanto ao assunto INOVAR tenho a sensaçao que o mundo corporativo tem um pouco de preguiça, se ganham dinheiro do jeito que eh hoje, para quer mudar. soh entenderao quando deixarem de ganhar dinheiro, daih serah tarde demais para alguns deles. nao eh soh tempo que precisa para inovar, precisa trabalhar de verdade: pensar, pesquisar, ouvir, torcar, ruminar, pensar de novo.
eh isso! parabens por seu blog!