Construir o NewsCamp é pura Arquitetura de Informação

Agosto 4, 2008 · 4 Comentários

Pode até parecer que o NewsCamp é um esforço doente que não vai refletir em nada na minha vida profissional já que AGORA não busco emprego e o evento parece resultar muito mais em networking e relacionamento. Mas meu foco sempre foi a troca de conhecimento. Como decidi correr atrás daquilo que me dá prazer e isso se chama internet, preciso trocar conhecimento URGENTE para poder inovar e ter meu negócio próprio. E como ainda não sei fazer todas as perguntas certas, nada adianta ter o Google na minha vida. Por isso, o “olho no olho” que permite o NewsCamp foi minha escolha para aprender a formular as tags certas na hora de usar o Google.

Esse foi meu objetivo pessoal quando pensei em fazer o primeiro NewsCamp, mas a partir do momento que a gente está disposto a compartilhar de graça e colocar seus desafios à tona, o jogo do ganha-ganha lhe traz resultados inesperados e muito além daquilo que o levou a arriscar seu tempo, sua vida e seu esforço ao mundo desconhecido. Além de aprender muitoooooooooo sobre jornalismo em cada NewsCamp a partir da fala de outras pessoas e da minha participação em cada sala que estive, eu descobri que formatar o NewsCamp envolve o mesmo desafio de definir a carinha do Desabafo de Mãe.

Na terceira edição do NewsCamp ficou claro que não dava mais para imitar a internet e deixar que cada um fizesse suas escolhas a partir das suas próprias experiências. Motivo? Muita gente que veio ao NewsCamp estava no mesmo estágio em que me encontrava: não sabia fazer as perguntas certas. Então, a troca de conhecimento continuava em águas rasas, apesar de muita gente ali viver a profundidade das questões que estavam sendo levantadas. Essa divergência de conhecimento não permitia que um ouvisse o outro. Então, surgiu a idéia das oficinas.

A idéia era “quem já mergulhou em assuntos que interessam a todos será responsável em alinhar nosso conhecimento para que a conversa aconteça”. Só que eu nunca tinha percebido que o NewsCamp também retratava a construção de um projeto web: pessoas diferentes com interesses comuns que por meio da web ( neste caso, das salas do Espaço Gafanhoto) podiam conversar e trocar conhecimento. Por mais óbvio que isso seja e por mais que eu tenha escrito isso, no passado, viver tal experiência na pele lhe permite mergulhar e entender melhor o óbvio.

Filtrando as críticas feitas ao NewsCamp, acabo de descobrir que o caminho para a nossa melhor desconferência é exatamente o caminho que os arquitetos precisam trilhar para descobrir o sistema de rotulação, navegação e a estrutura do site.

Explico: quando montei o Desabafo de Mãe pensei que estava concentrada 100% no público-alvo, mas continuava agindo como jornalista que organiza a informação a partir daquilo que é pauta. E seguindo a premissa de Steve Krug, do Não me Faça Pensar, para definir aquilo que no jornalismo a gente conhece como seções do jornal e na arquitetura de informação, eles definem como sistema de rotulação, acreditava que a melhor forma de organizar meu site era usando a estrutura tradicional da “concorrência” ( de outros sites de nicho): gravidez, bebês, primeira infância, segunda infância, terceira infância e adolescência. Ou seja, seis categorias de conteúdo, ou seis formas de organizar o conteúdo do site ou seis seções de jornalismo….Um número considerado alto, mas ainda aceito pelos teóricos da arquitetura de informação.

Afinal, quanto menos guarda-chuva você tem dentro do seu projeto, mais focado você está, certo?

Pois bem, qual foi a minha maior decepção no Meu III NewsCamp? A chatice dos horários, a minha preocupação doentia com os convidados por causa do horário e o receio de todas as TAGs definidas não serem discutidas naquele período de tempo. Então, meti os pés pelas mãos e perdi a chance de participar. Porquê? Simplesmente porque escolhi OITO oficinas, que seriam as oito tags do NewsCamp ou oito categorias de conteúdo de um projeto web ou oito formas de organizar o conteúdo de um site formando sua estrutura para uma boa navegação. Lembra de Krug? Quanto menos, melhor.

Elimine, elimine, elimine sem dó. Seja aquele editor que corta o sangue. Não tenha pena do outro. Diga Não ao outro. Ou seja, você precisa determinar sua própria escolha. Vai ter que deixar muito assunto fora da brincadeira se tiver um tempo limitado ( no caso do NewsCamp) ou um espaço limitado (no caso do site).

Então, acredito que a melhor desconferência seja aquela que tenha ainda mais foco. Quando Mucci disse que a TV digital deveria fazer o filtro do filtro do Google, ele também me ensinou que projetos que envolve pessoas diferentes com interesses comuns também devem fazer suas escolhas de forma radical. Ufa! Acho que agora COMEÇO a aprender a lição. E, enfim, posso ter condições de continuar a responder a primeira perguntinha de um plano de negócios: Ser ou não ser, eis a mídia social!

E, você, como tem sido seu caminho para definir o seu negócio na internet? Ah! isso é segredo estratégico, né? Hummmm, esqueci que você ainda vive impregnado no mundo da competição, mas caso esteja disposto a fazer parte do mundo colaborativo, que exige uma atitude de compartilhar coisas, comente aqui suas descobertas para definir seu negócio, que envolve pensar na estrutura do site, no seu público, no mercado em que atua, no CMS utilizado e por aí vai.

E, podem me chamar de burra como já fizeram na blogosfera ou até mesmo afirmar que o Desabafo de Mãe já deveria ser um sucesso, que eu sou teimosa e não vou mudar. Acredito que seja importante definir exatamente o que quero para que as coisas aconteçam de acordo com potencial que vejo na idéia que tive. Lapidar diamante leva tempo e envolve risco pode ser que aquilo que achava que era diamante é apenas um carvão ou pedra qualquer. E ainda dizem que fazer plano de negócio é simples……Ou que jornalista de internet não precisa ser arquiteto da informação. Tá bom!

Categorias: Mídia Social · arquitetura de informação

4 respostas Até agora ↓

  • Andre Deak // Agosto 4, 2008 às 3:00 pm | Responder

    putz, fiz um comentário enorme, sumiu tudo.

    vou tentar resumir:
    estive em dois newscamp, no primeiro como público, no segundo como convidado, e gostei bastante. Nos dois, acho que o cafezinho vale até mais que o debate, que gira em 5 minutos por tantos assuntos que é até engraçado. No segundo, no começo da discussão, com a sala quase vazia – só os palestrantes ali -, foi muito bom, deu pra conversar e aprofundar temas de interesses comuns (integração das redações). Ia sugerir uma desconferência contínua, que comecemos pela rede um debate (quem sabe passando por uma ciranda de textos, sei lá), pra na hora H, presencial, já chegarmos com algum substrato para discutir. E aumentar o tempo dos cafezinhos…

  • ceilasantos // Agosto 4, 2008 às 4:10 pm | Responder

    Oi andré,
    no segundo newscamp eu tentei fazer uma “conversa” similar com o ciranda, onde eu convidava de tres a cinco jornalistas via blog newscamp para falar de determinados temas. os posts gerados foram ótimos e a ação foi batizada como Esquenta do NewsCamp, a partir dos posts gerados eu fazia um guia no blog do newscamp. Porém, esse esforço não refletiu no espaço ganhoto. ninguém teve “saco” ou disposição para lê-los. Por isso, achei que a oficina seria alternativa. Agora talvez o ideal seja exatamente isso: a mistura das duas ações com foco. ou seja, com poucos assuntos. O desafio é fazer com que blogueiros participem do Esquenta! é muito raro esses profissionais aceitarem tal discussão ou proposta. se vc entrar na tag esquenta do newscamp vai ver que de cada tres convidados, apenas um topava a brincadeira. os demais nem respondiam
    bjkas e obrigada pela participação.
    PS: uma pena essa ferramenta fazer isso com seu comentário. se souber a razão porque isso acontece, me avisa!

  • Orlando G. da Silva // Agosto 7, 2008 às 1:09 pm | Responder

    Ceila,
    ainda não procurei, mas, preciso lembrar de procurar quem mais partilha a essência de suas “reais” descobertas sobre o universo de empreendimentos online. Dizendo o que fazer acho que tem muita gente. Mostrando como aprendeu, dando as fontes e abrindo para discussão… deve ter, deve ter.

    Obrigado pela partilha.

  • Ceila Santos // Agosto 8, 2008 às 12:21 pm | Responder

    Oi Orlando,
    legal sua iniciativa de encontrar pessoas que estão dispostas a compartilhar de verdade..E não esqueça de nos avisar onde elas estão caso as encontre nesse volume maluco de informação que acontece aqui e agora. obrigada pela mensagem e apoio sempre!

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