Quem é relevante na Web?

Agosto 8, 2008 · Deixe um comentário

Eu descobri a pesquisa Um Novo Retrato da Web Brasileira feita em 2005 pela turma Marco Modesto, Álvaro R. Pereira Jr, Nivio Ziviani, Carlos Castilho e Ricardo Baeza Yates e fiquei intrigada com a métrica Número de Páginas. Veja abaixo:

Eles avaliaram 132 mil sites no Brasil para realizar a pesquisa e tiveram algumas conclusões como: CADA site tinha, naquela época, em média 85 páginas. Cerca de 13 mil deles (os 10% dos websites) tem muito MAIS páginas. Tanto mais que eles são responsáveis por MAIS de 80% das páginas da web. Ou seja, mais de 120 mil sites, em 2005, tinham menos de 20% das páginas da web no Brasil.
O que são páginas? Uma página é um documento no formato html.

Então, quanto mais página um site tem, maior é a probabilidade do sistema de busca achá-lo e tal conteúdo tornar-se relevante, certo?
Minha conclusão estava baseada numa conversa que tive, certa vez, com blogueiro que me explicou a importância Quantitativa de escrever conteúdo na web: ele é eterno desde que você determine que ele seja ( então, a chance de encontrá-lo fica cada vez maior conforme o número de páginas que você escreve) e o volume de conteúdo é proporcional também à sua relevância ( quanto mais você escreve, maior a chance de você sair das profundezas da cauda longa). A conversa com esse meu amigo blogueiro não estava atrelada ao valor Qualitativo: quanto mais “qualidade”, maior relevância. Afinal, nós dois sabíamos que Qualidade está atrelada ao mundo subjetivo: o que é bom pra mim pode ser lixo pra você… 

Mas só mesmo o post tão bem escrito por Ricardo Cavallini que gerou uma conversa com Fábio Buchecha foi o que me trouxe luz para minha conclusão tão simplista, o publicitário do Coxa Creme mostra que na matriz de valor da nova internet participativa, o ato de produzir deixou de ser. Opa, opa, opa, então, se todo mundo produz, o diferencial não está na produção. Mas, caracas, isso parece tão óbvio, mas a gente esquece disso quando começa a pensar onde devemos focar agora.

Cavallini deixa claro no seu texto que o produto final, O POST ou o CONTEÚDO, continua importante, mas o processo em si já faz parte do dia-a-dia da maioria dos conectados. Eu só achei o Cavallini porque li o post do Blog do Guerrilha que aproveita a iniciativa do Coxa Creme para trazer à tona o conceito de Cauda Longa, de Chris Anderson, deixando claro para mercado o papel da agência a partir deste novo contexto. Isso sim é saber evangelizar o mercado na hora certa com a narrativa certa ( Parabéns!)

Paralelamente, dois posts valem a pena serem observados: O Capital Social, do Manoel Fernandes, e o Lá vem todo mundo (parte2) o público e privado, de Pedro Valente. Manoel tenta explicar que Coutinho, do Ibope, quer complementar a métrica da audiência (quantidade) com a questão social (participação: comentários, novos posts, troca de emails e o que não falta são recursos para continuar determinadas narrativas como essa feita pelo Cavallini).

O problema, caro Coutinho, é que não podemos esquecer da questão que Valente coloca quando traz à tona a palavra público: a partir do momento que o público faz parte da produção, como ensina quase todos posts citados aqui e agora, Qual é exatamente o público que fará parte da sua amostra de pesquisa para mensurar o que é relevante a partir da audiência e participação?

Questiono isso porque quem faz blog, lê blog, comenta em blog e ainda escreve sobre outros blogs. Mas esse público que conversa entre blogs vira audiência para temas relevantes agora para ESTE público. Mas há blogueiros ( e não são poucos) que não se interessam por essas temáticas consideradas relevantes agora para quem tem uma audiência considerável, então, como inserí-los nessa amostra? É possível descobrir a participação de quem ainda não tem audiência porque o público que traz audiência não se interessa por determinados nichos?

Hummmmmm, será que talvez seja importante resgatar o Retrato da Web Brasileira do passado para detectar quem ainda persiste na produção de conteúdo, apesar de não ter nenhuma relevância para quem tem audiência e é relevante? Ou a amostra também segue outra característica da web que implica escolhas e é escolhido apenas aqueles que conseguem superar o desafio de passar em primeiro lugar nos sistemas de recuperação de informação. Ou seja, o bom e poderoso Google!

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