O que é uma agência de mídias sociais?

Agosto 28, 2008 · 7 Comentários

Acabo de ler o post do  Wagner Fontoura que dedicou seu tempo para evangelizar um pouco o mercado sobre os conceitos da WOMMA e o bichinho do blogar bateu…Então, cá estou mais uma vez com vontade de gritar sem nenhum cuidado com aquilo que escrevo agora e, detalhe!: sem ser especialista neste assunto, mas simplesmente como mais uma entre milhões de blogueiros que gostam de opinar, inclusive sobre aquilo que não é sua especialidade. Contexto feito e vamos blogar porque ainda temos esse direito, né!?

O que mais me assusta neste novo mundo – onde se mistura publicidade, relacionamento, assessoria de imprensa e outros canais especializados na comunicação corporativa - é como as iniciativas dessas novas empresas chegam até mim.

Nesta semana, recebi um email de uma amiga-mãe-blogueira pedindo socorro porque foi descoberta por tais agências. Ela não entendia o que estava escrito naquele email. E quando li o tal email descobri a razão do desespero da minha amiga virtual, que preza valores e princípios tão raros nos dias de hoje. O email propunha a ela uma contratação de serviço ( que não ficou clara) de um publieditorial e dizia que aquele lugar era onde trabalhava o XYZ e o XYZ, solicitando então dados como page views e outros critérios de audiência. Eu expliquei a ela quem era a empresa, o que a empresa fazia e quem era aquelas pessoas citadas no email, além de definir o tal publieditorial e ainda orientá-la de que seria interessante ela fazer essa experiência caso considerasse válida. Afinal, agora ela tinha condições de fazer a escolha dela. Resultado: ela respondeu o tal email a tal agência.

Pessoalmente, tenho recebido muitos emails pedindo que eu escreva posts sobre determinados assuntos e fico me perguntando qual diferença dessa abordagem com os releases que enchem nossas caixas postais vindos das assessorias de imprensa. A diferença é que os releases têm informação por mais que algumas sejam puro marketing. Os emails vindos dessas agências têm um pedido com hiperlink sem um contexto apelativo que me estimule a produzir também. Todo mundo já sabe que para o outro escrever é preciso oferecer conteúdo, mas ainda assim essas coisas acontecem…

Confesso que me sinto muito mal quando vejo tal cenário porque imagino que esses profissionais conhecem e são especializados em publicidade+marketing viral+assessoria deimprensa+relacionamento+gestão de conhecimento e tantos outros conhecimentos necessários para fazer aquilo que se propõem. Na prática, entretanto, minha experiência mostra que falta muitooooooo ainda para nos sentirmos confortáveis nessa cadeia de valor das mídias sociais.

Tais situações mostram o quanto algumas agências ainda não fizeram a principal lição de casa: conhecer o outro, saber quem está falando da outra ponta. Não adianta apenas identificar a pessoa, analisar se o conteúdo é adequado ao contexto da ação de marketing, é preciso saber também quem ela é, com quem ela se relaciona para poder bater na porta dela da melhor maneira possível. Sinto que os novos “RPs” da vida ainda não perceberam que terceirizar o relacionamento inclui ter interlocutores fora e dentro da sua agência.

Uma boa agência cria comunidade para ter capilaridade por meio de diferentes hubs e assim construir sua marca com a transparência e decência que a nova era da comunicação exige. Por outro lado, nem tudo são espinhos. O que não falta é coisa boa neste mercado. Mas como disse no começo deste post estou com vontade de gritarrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.... E a gente não tem essa atitude de olhar o todo quando resolve colocar a boca no trombone.

Poderia escrever vários posts sobre a minha admiração por várias agências. Cito, por exemplo, a evangelização feita pelo Blog da Guerrilha que começou a enviar emails com boletins informativos para minha caixa postal, na semana passada. É uma ação similar a de várias assessorias de imprensa, porém completamente adequada e inteligente. Eu gostei de receber o boletim e de ler tais informações, o que me faz citar a empresa aqui e agora.

Espero sinceramente que todas agências cresçam e proliferem para que os canais de mídias sociais tenham condições de sobreviverem de forma profissional, mas é preciso antes de tudo definir o que é seu negócio, onde você atua, quais as diferenças entre sua empresa e o marketing de guerrilha, ou a especializada em relacionamento ou a área digital da mega-agência de publicidade ou até da assessoria de imprensa. Não adianta dizer quem trabalha na sua empresa, mas sim o que sua empresa FAZ.

Boa sorte, moçada!

Categorias: Empresas · Publicidade
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7 respostas Até agora ↓

  • Eduardo Vasques // Agosto 28, 2008 às 9:44 pm | Responder

    Ceila, minhas considerações:

    Não sei se é possível delimitar muito bem a prestação de serviços. Virou uma bagunça generalizada, um entrando no terreno do outro, não há mais fronteira. Todos competem com todos.

    Acho que é o mercado comprador (as empresas que pensam mas não sabem como usar as mídias sociais) não entendeu e ainda precisa aprender muito para lidar com esses novos meios.

    As agências também erram, mas talvez por um briefing errado, porque o cliente não sabe exatamente o que quer e permanece usando critérios da velha mídia para definir o retorno sobre o investimento. Da mesma forma que há agências que realizam ótimo trabalho de assessoria de imprensa, o setor é pulverizado e repleto de picaretas (um retrato de qualquer segmento no Brasil).

    Falta arriscar mais, mas também falta muito bom senso de todas as partes (compradores, hubs de mídia social, blogueiros, marketeiros, etc) para a realização de determinadas ações. Tem muita gente vendendo o que não existe, exibindo números que não me parecem tão reais assim. Até porque, querendo ou não, é um mundo muito novo. Tudo está sendo feito de forma experimental e com parâmetros dos meios tradicionais.

    Acho que o melhor caminho mesmo é ensinar, mostrar o que é esse novo mundo, buscar exemplos positivos e negativos para mostrar a quem realmente interessa: as empresas que vão comprar esse serviços.

    Não entendi isso: “terceirizar o relacionamento inclui ter interlocutores fora e dentro da sua agência.”

    Blog de Guerrilha – não ficou claro que vc pediu informação sobre a agência e passou a receber. Aí não entraria também a questão do SPAM? Eu, por exemplo, conheço a agência, mas prefiro ver as informações via RSS e não e-mail.

    Vou tentar escrever sobre isso também!
    Beijo

  • Alexandre Carvalho // Agosto 29, 2008 às 4:04 pm | Responder

    Concordo com tudo o que o Eduardo disse aí em cima, e não vejo nenhum sinal de mudança; não porque as circunstâncias não estão dando brecha para isso, e sim porque as personagens envolvidas nesse novo cenário não querem mudar nada, preferem manter as coisas como estão.

    Um bom exemplo disso é a completa falta de critérios na hora de as agências escolherem os famigerados “hubs sociais” com quem irão trabalhar em uma campanha. A única linguagem que entendem é audiência, pageviews elevados e grande número de leitores de feeds. Mercado de nicho? Hahaha.

    Por mais que você negue que isso aconteça e ache tudo normal, é claro e evidente que trata-se de uma estratégia do tipo “tiro no pé”, uma vez que, agindo assim, as agências jogam no ralo tudo o que é dito sobre cauda longa e preferem espalhar a mentira de que dão importância aos blogs em geral, mesmo os de baixa audiência. O post que o Mr. Manson publicou no blog da Espalhe foi bem contundente quanto a essa postura do mercado em dar tanta importância aos Top100 Blogs.

    O resultado disso eu já comentei aqui e em outros meios: as figurinhas envolvidas são sempre as mesmas, fortalecendo ainda mais a alcunha merecida de “panelinha”, da qual todo mundo nega fazer parte. A verdade é que ninguém quer largar esse osso. Deve ser gostoso ser tratado como celebridade em um mercado ridículo como esse, que gira em torno do próprio eixo, enquanto o resto da sociedade caga para os blogs e a suposta “revolução” causada por eles.

    Sobre a diferença de abordagem feita aos veículos de mídia e aos blogs, embora ambas estejam bem próximas, a diferença principal é que, no caso dos blogueiros, boa parte dessa turma se vende por qualquer agrado que pinte na jogada, mesmo que o contexto do blog não tenha absolutamente nada a ver com a ação marqueteira – o que prova o total desconhecimento por parte das agências sobre este público (colocam todos no mesmo saco): um convite de pré-estréia, uma festinha para lançamento de produto ou campanha, e por aí vai.

  • Ceila Santos // Agosto 29, 2008 às 6:07 pm | Responder

    Oi Du,
    não tenho dúvida de que o segmento passa por uma certa convergência e ainda estamos num processo de evolução dessa cadeia de valor. concordo contigo! E acho fundamental que vários profissionais tragam à tona quem são e o que fazem como o post do Wagner Fontoura que me levou a mostrar um pouco da minha experiência.

    Emr elação a frase que vc não entendeu quero dizer sobre a importancia de ter interlocutores fora e dentro da agência já que o principal valor desse jogo é relacionamento entre público e mercado, o profissional que cuida dessa relação tem o dever de terceirizar o relacionamento a outros interlocutores, certo? Mas ele tem que aprender que não consegue nem pode fazer isso só com a equipe dele, precisa ter parcerias para conseguir falar diferentes línguas. ninguém fala todas as línguas do público-alvo do cliente. ( torre de babel deixa isso bem claro, né!?)

    em relação ao spam do blog da guerrilha, eu nunca me incomodei em receber informação via email e quando me incomoda, eu peço pra retirar meu email do mailing… não sei se eles sabiam disso (hehehehehe), mas enfim me conquistaram com a estratégia. isso que importa. o resultado está aqui e agora. agora eu encaro spam aquelas correntes insuportáveis, mas praga existe em todo lugar, né?!

  • Ceila Santos // Agosto 29, 2008 às 6:23 pm | Responder

    Alê, eu entendo sua revolta e NÃO NEGO que a escolha dos blogs profissionais devem seguir o critério de audiencia, page views e grande número de feeds para vender publicidade. Não teria sentido fazer uma ação de guerrilha com gente que é lido por 100 pessoas. muito melhor escolher um blogueiro com mil ou 10 mil leitores. Eu não nego isso. E acho isso natural, sim.

    Louca a agencia que pegar um blog com 10 leitores pra fazer publicidade.

    Por outro lado, eu não vi ainda nenhuma estratégia de relacionamento rolando pelas ações anunciadas. E não conheço nenhum trabalho dessas agências que envolveu uma campanha focada em nicho. Mas como já disse: essa não é minha área. pode ser que exista. Qual vc conhece?

    O du fala uma coisa importante no comentário: será que as empresas estão dispostas a investir no relacionamento com público? Duvido muito que hoje elas estejam preparadas para isso. E se alguém tiver disposto, a falta de modelos é tão grande que é preferível montar uma rede social dentro de casa que oferece conteúdo. Se já não existe site assim de indústria, em breve terá dezenas até eles perceberem que é preciso gastar muitooooooooo tempo e dinheiro pra fazer isso dentro de casa. Aí, talvez, eles ouçam as agências e reconheçam que além do marketing de guerrilha, post pago, jabá ( que dá resultado, sim!!!!) pode ser necessário pensar em projetos de relacionametno com alguns hubs de nicho.

    Eu disse hubs. Não dá pra uma indústria falar com um blog super legal que tem 10 leitores ou 100 leitores. não dá. pq tem muita coisa boa que ninguem conhece e pode passar a ser conhecida qdo ela conhecer outra tão boa, ou melhor, quanto ela.

  • Ceila Santos // Agosto 29, 2008 às 6:27 pm | Responder

    Só pra não completar, Alê, o blog de 10 leitores se for sobre um tema super exclusivo com conteúdo muito legal pode valer muita GRANA pra quem precisa falar com esse público de 10 leitores…agora sim, acho que ficou claro.
    o que quero dizer é: tudo depende da estratégia!

  • Alexandre Carvalho // Agosto 29, 2008 às 9:23 pm | Responder

    “Louca a agencia que pegar um blog com 10 leitores pra fazer publicidade.”

    Não existe essa de “a escolha dos blogs profissionais”. Primeiro, porque blogueiro não é profissão; segundo, muitos integrantes da panelinha não são profissionais da área nem têm blogs “profissionais” (seja lá o que for isso).

    Louca é a agência que insiste em usar nas mídias digitais as fórmulas e parâmetros usados nas mídias tradicionais. Você acha isso normal? Então onde fica a questão da cauda longa nisso tudo?

    Do jeito que está, isso prova apenas que, na prática, as agências são mentirosas – ou incompetentes o suficiente para não pensar em criar um novo modelo de plano de mídia – quando falam que estão de olho no mercado de nicho. O que ocorre, de fato, é que elas continuam baixando as calças pro status quo do mercado e achando tudo muito bom.

    Se você acha tudo isso normal, então você não entendeu o post do Mr. Manson no blog da Espalhe. Enquanto insistirem nessa lógica de mercado, vão continuar provando apenas que não entendem merda nenhuma de mídias sociais e só estão embarcando nessa por puro modismo.

    “Ah, vamos fazer uma campanha envolvendo blogs? Beleza, é só anunciar no Edney, no Cardoso, no Inagaki, no LadyBug, e mais alguns blogs badalados aí.”. Para essa turma, blog é tudo igual. E por que isso acontece? Exatamente pela ausência do relacionamento com esse público.

    Sobre o jabá, e daí que dá resultado? Você acha isso legal? Não vale usar o argumento de que na imprensa também acontece, porque imprensa é uma coisa e blog é outra. Os fins não justificam os meios. E o que acontece na casa do vizinho não precisa acontecer na sua também.

    “Não dá pra uma indústria falar com um blog super legal que tem 10 leitores ou 100 leitores”

    Mas é claro que dá. Isso é iniciar o relacionamento com o público, que tanta gente vive pregando que é importante, mas na prática é só fumaça, ninguém faz. E as empresas só não o fazem porque não querem. As coisas não mudam porque as agências são suficientemente covardes para não tentar mudar esse quadro. Simplesmente se acomodaram com a facilidade que é comprar a opinião de alguns blogueiros (atenção, eu disse “alguns”).

  • Ceila Santos // Agosto 29, 2008 às 10:49 pm | Responder

    Alê, definitivamente não falamos a mesma língua, apesar de termos muita opinião em comum….
    adoro as divergências, ponto de vistas diferentes, mas sinto que vc não lê aquilo que escrevo, mas somente aquilo que vai contra a sua opinião.
    depois que dediquei o meu tempo para conversar contigo, percebi que não estava claro e ainda voltei e escrevi:
    LEIA:
    “Só pra completar, Alê, o blog de 10 leitores se for sobre um tema super exclusivo com conteúdo muito legal pode valer muita GRANA pra quem precisa falar com esse público de 10 leitores…agora sim, acho que ficou claro.
    o que quero dizer é: tudo depende da estratégia!”

    mas ainda assim vc respondeu de novo exatamente o que escrevo acima ( o comentário sobre o blog de 10 leitores) só que ainda num tom de ACORDAAAAAAA, COMO ASSIM? VC NÃO ENTENDE NADA. NÃO ENTENDEU O QUE O XYZ falou???

    Agora que fique claro nós discordamos muito SIM. eu acho blog coisa de blogueiro que pode ser profissional, sim! assim como acho que blog pode ser usado de diferentes maneiras. o universo de possibilidades depende do potencial de quem usa a ferramenta. a questão, querido, é que existe estratégia de publicidade e estratégia de relacionamento e acho que realmente eu não entendi nada do que vc quer me dizer e você definitivamente não entendeu nada do que quero dizer…melhor pararmos por aqui, né!

    bjkas e valeu o papo!
    fui!

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