Entradas do Outubro 2008

Conteúdo do “site do cliente” é responsabilidade de quem?

Outubro 17, 2008 · 3 Comentários

Preciso desabafar de novo. Sorry! Não aguento mais…Tem coisas na área de comunicação que nunca vou conseguir entender. Uma delas é o site corporativo. Socorro !!!!! Que conteúdo é esse? ( leia-se não só texto, mas interface e principalmente organização – sistema de rotulação…) Eu acho que esses detalhes são responsabilidade de quem cuida da comunicação corporativa. Ou seja, assessoria de imprensa e a área interna que ganha milhares pra cuidar do quê?…Da comunicação, certo?

Calma, não me refiro à qualidade de texto ( há até um bom conteúdo, ás vezes). É raro, mas existe. Meu susto é no fato do site ser um canal de comunicação e não seguir nada que eu imagino que diz o mantra da comunicação corporativa. Ou seja, no mínimo, que seja adequado e considere a identidade da marca, né?

Mas, responda-me, como uma assessoria de imprensa vai conseguir “vender” os “lides” dos jornais aos clientes se não faz o mesmo pra melhorar a imagem do “cara” na internet? Eu explico:

quanto mais a assessoria de imprensa é boa, melhor é a lábia do entrevistado pra convencer os intermediários ( nós, jornalistas, responsáveis pelo conteúdo) a inserir no texto os ‘valores” que vão construir a marca do cliente. Ou seja, o cara é tão treinado que consegue dar o ‘lide” da reportagem ao jornalista – que nem percebe que está literalmente contribuindo com a construção de marca da empresa, que vale bilhões de dólares (ás vezes), e a gente não chega na casa nem dos mil real pra escrever aquilo.  Claro que não teria sentido remar contra essa maré já que a informação não é falsa nem há interesse do público de desvendar o outro lado da moeda. Ou, se há interesse, a internet agora existe justamente pra preencher essas lacunas da mídia convencional. Mas meu foco não é discutir essa cadeia tão delicada. O título é claro: Conteúdo do “site do cliente” é responsabilidade de quem, cara pálida?

Deveria ser da assessoria de imprensa? Eu acho que sim. Mas não sou especialista. Nunca tive a experiência em trabalhar na área.

Parece ( não tenho certeza) que quem cuida disso é a agência de publicidade ou, pior, há chance de ser a fábrica de software???? Vocês, por acaso, já entrou num site de quem é especialista em fazer códigos? Então, faça isso agora e descubra, por exemplo, que nem endereço esses caras “têm capacidade” de colocar na página dos site deles próprios. Calma! Antes de me crucificar, veja bem, eu escrevi “fábrica de software”…Atenção: não escrevi agências especializadas em desenvolver sites corporativos, que pelo que lembro tem muita animação, inovação e parece que tem arquitetos de informação. Mas, não importa quem faz. Até porque o problema não é esse.

Só pra não criar confusão. não estou criticando competência nem sei avaliar nada de desenvolvimento, ok??????? A sensação é de que o Brasil tá recheado de gente boa pra fazer sites. O título é claro: CONTEÚDO.

Quem faz vai continuar fazendo e bem. Quem desenha, também. Mas, que raios, porque quem escreve não escreve junto com outros especialistas em conteúdo? Detalhe: quando escrevo “escrever” estou me referindo não só ao texto, mas ao sistema de rotulação, organização, estrutura mesmo, tá. Isso também é puro conteúdo.

Também vale lembrar que não escrevo sobre indústria de bens de consumo como as mega-super-hiper-conhecida do mercado, que contratam agências interativas pra fazerem seus sites. Não tenho a mínima idéia do que rola nesse mundo corporativo e em outros segmentos. Eu sou especializada em TI e Telecom. E, nesta semana, fui obrigada a olhar mais de 400 sites corporativos ( um frila que não vem ao caso) neste mês DESTE SEGMENTO. Ano passado, olhei quase 600. Houve uma evolução, é verdade.

Mas não dá pra ficar quieta diante da falta de cuidado com conteúdo. OK. Você tem toda razão quando pensa nos avanços quando lê algo que soa tão negativo como este texto. Mas, lembre-se, estou desabafandooooooooooooo. Mas vou tentar elencar os tais avanços:
Alguém descobriu que existe tradução do inglês para português…yes!
Nem todos descobriram isso ainda. pena!
Outros até descobriram que existe usabilidade, interface, mas a sensação é de que ninguém ainda acha válido cuidar do cotneúdo…

Calma! Não fica nervoso. Eu percebi que já há um cuidado de orientar o internauta de acordo com o perfil dele ( pequenas, médias e grandes empresas, segmentos verticais) ou ainda permitir que alguém navegue pelas tecnologias ou áreas de atuação da empresa. OK. É um desafio superado, mas isso é básico, né!

Atenção: Eu acho que esse processo citado acima deveria fazer parte do trabalho do assessor de imprensa. sim, você deveria acompnhar o arquiteto de informação, o web designer e o programador na hora do planejamento do site do seu cliente. Pra quê? Pra melhorar o contéudo, please. Isso não é sua responsabilidade???  Essa partipação neste processo contribuiria, inclusive, com seu dia-a-dia já que muitas vezes o “atendimento” nem sabe as áreas em que a empresa atua, imagina descrever a tecnologia. Afe!

Eu sei que há treinamento para isso ( conhecer a empresa) e estamos falando ( só pra variar) de mais um mundo CONCENTRADO, onde seu cliente faz de tudo. Eu vi. Você tem toda razão. Haja especialização e saco pra acompanhar tantas mudanças na sopa de letrinhas. Mas, é justamente, por isso, que site precisa de atualização. Ainda mais site de tecnologia que muda todo dia. Institucional não é sinônimo de estático. Afinal, as empresas andam, né? Nem é sinônimo de notícias, please! ( ainda é moda copiar notícia da mídia?) Tenha bom senso, faça apenas clipping.

O que mais me irrita é a falta do ONDE????????????? Caracas, telefone, endereço deveriam ser tão básico como o “quem somos”, please! E, detalhe, volto a dizer contato no site deve abranger sua área de comunicação, seja ela interna ou externa. Não vale formulário. Existe telefone e email ainda, por favor! E, pasmem, também existe espaços físicos com rua, bairro e cidade. Mas que importância tem isso? Nenhuma. Por isso, deve ser básico. Importante, mesmo, é o textinho que classifica a estrutura do site, que também diz claramente quem é a empresa, o que ela faz, entende?!

PS: antes de pensar em montar blog corporativo, cuida do conteúdo do site do seu cliente. Esse é um bom começo pra começar o relacionametno com as mídias sociais, que tal?

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Os Jornalistas, de Honoré de Balzac

Outubro 3, 2008 · 1 Comentário

Acabo de ler o livro menos famoso de Balzac, cujo título é Os Jornalistas. Trata-se de uma monografia da imprensa parisiense do século 19 (XIX) que retrata os perfis dos profissionais de comunicação. O prefácio feito por Carlos Heitor Cony diz: ” O tema escolhido é a imprensa de seu tempo – da qual ele pinçou personagens e situações que persistem na mídia do século XX” e ainda ” pode parecer uma obra de um genial mistificador contemporâneo que retrata a imprensa de hoje com o disfarce – permitido na literatura – de outro cenário atribuído a outro ator”. Enfim, Cony afirma o quanto a obra do século passado ainda fala de quem somos ainda hoje. É atual, segundo um dos escritores famosos lido principalmente pela nossa elite da informação.

De fato, Os Jornalistas nos faz reconhecer em nós mesmos os diferentes perfis que temos quando ele descreve dois gêneros de jornalistas ( o publicista e o crítico) e quase 13 subtipos. Enquanto lia, pensava como teria sido importante que essa obra tivesse feito parte da época em que estudava na faculdade. Mas pra quê lamentar o passado? O que importa é que ainda consigo ler. E porquê estou escrevendo isso aqui e agora? Pra mim, oras bolas!

Mas também porque a obra me fez divagar demais e preciso conversar com você sobre isso. Sinto que a obra Os Jornalistas fará apenas parte da história para as próximas gerações e não terá sentido algum para quem for jornalista daqui pra frente. Há, entretanto, um axioma escrito por Balzac no livro que responde um pouco a razão dessa minha sensação:

‘A imprensa será morta como será morto um povo: dando-lhe a liberdade

Achei a frase do caralh.. pra explicar à mim mesmo aquilo que vivo e ainda não entendo. Ou seja, o ato de blogar. Blog é liberdade. E isso mata o controle. E detalhe: controle até mesmo pessoal. Quando escrevo agora não tenho nenhum senso, cuidado ou cultura de filtro como faço na hora em que escrevo um frila para um jornal, site de editoras ou uma revista. Eu me ferro muito em agir desta maneira ( escrever sem cuidado, com total liberdade), mas aprendo muito mais. Meu blog sou eu agora e não tem nenhum sentido, ás vezes, para mim daqui a pouco. Engraçado, né. Mas é muito real.

Isso me faz lembrar de um bate-papo que tive com Markum sobre escrever e atualizar o blog. Ele contava uma fábula de que um cara que passa um dia numa cidade pode escrever um livro, se passa uma semana escreve uma reportagem, mas se fica por ali por tempo indeterminado não consegue escrever nenhuma linha. Afinal, aquilo passou a ser digerido de fato e faz parte da vida dele, né? É, por isso, que escrevo agora sobre mídias sociais porque estou em processo. Não sei porra nenhuma. Por isso, registro.

Tem anotações ótimas no livro que dá pra escrever milhares de posts sobre o perfil dos profissionais de comunicação como ” O principal caráter destes dois gêneros é não ter nenhum caráter” ou ‘eles vivem isolados, separados por suas pretensões, e se conhecem pouco entre si, tanto eles têm medo de ter más consciências”.

Adoro isso porque meu maior desafio pessoal como frila é encarar minha busca pela disciplina e essa necessidade me obriga a descobrir quem sou eu. Porém, é muito mais fácil voltar pra redação onde teria capacidade de me sustentar financeiramente e nem pensar em quem sou eu já que a redação “impõe” disciplina. Balzac continua: “esta vida solitária não impede todos indivíduos  de exercerem sua inveja em relação à posição, ao talento, à fortuna e às vontades pessoais de seus confrades, de forma que sua feroz mania de igualdade vem precisamente do fato de que eles reconhecem entre eles as mais contundentes desigualdades”. Precisa falar mais?

Leia o livro!

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Modelos comerciais de mídias sociais

Outubro 2, 2008 · Deixe um comentário

É bom lembrar que não sou especialista em planejamento nem tenho conhecimento suficiente para determinar formatos de modelos comerciais para qualquer negócio, inclusive mídia. Sou apenas uma blogueira, formada em jornalismo, que transita entre o deslumbramento e a busca por respostas a partir da experiência vivida há quase três anos na internet. Ou seja, nada que você ler a seguir deve ser interpretado como uma verdade (já que nem sempre elas são escritas) e também porque não tenho resposta para nada. Pelo contrário, escrevo uma experiência.

E a minha experiência começa a partir da Minha Cabeça de Papel que acredita no modelo de Patrocínio para viabilizar um site de conteúdo diferente. A idéia é simples: grandes empresas vão patrocinar uma boa idéia que envolva mídia, conteúdo e plataforma web. Afinal, um projeto de conteúdo de boa qualidade, que ainda inova a partir do conceito da colaboração (leia-se redes sociais, blogs, fóruns) seria interessante para as donas do dinheiro corporativo, certo?! Afinal, o que é R$ 10 mil ou R$ 50 mil por mês para essas empresas. Pode ser até pouco, mas esse modelo é irreal. Calma!

É irreal para quem não escreveu um livro, não é filho de ninguém e nem conhece o amigo do amigo do gerente de marketing ou qualquer outro gerente que tenha acesso à tomada de decisão.

Nada é tão simplista como escrevo agora, mas o fato é que patrocínio exige bom relacionamento, credibilidade alta e um marketing pessoal consolidado. Algumas perguntinhas pra gente dar risada:

1-Enfim, você tem marca própria no segmento onde busca patrocínio?
R: Então, existe o modelo comercial de patrocínio para você.
2-Não tem marca própria?
R: Então, busque um sócio que tenha!
3-Vai construir essa marca ainda?
R:
Então, aposte no seu projeto, passe bastante fome e espere, espere, espere e espere…Ah! Não esqueça que fatores externos e outras circunstâncias são cruciais para seu projeto acontecer, independente do seu esforço profissional e dedicação exclusiva ao seu projeto. Exemplo? São vários, mas responda-me: o mercado sabe diferenciar seu projeto de um blog?
PS: E, você, sabe? Mensagem clara é a lição número um para seu projeto dar certo e, detalhe, essa mensagem não surge do nada.

A Cabeça de Papel também acredita que a velha publicidade pode resolver todos os problemas, enquanto o patrocínio não vem… E, detalhe: acredita que se as “velhas” agências não entendem o que você está falando, há ainda a alternativa de “vender” espaços publicitários para pequenas e médias empresas que buscam um lugar ao sol. Vender como, cara pálida?

Cada representante comercial custa entre R$2 mil a R$ 5 mil, quando tem salário fixo e a ajudinha de custo sai por uns R$ 1mil. Ele trabalha com comissão entre 10% a 20% em cima do negócio. E, você, tem idéia onde achar esse profissional que vale ouro: entende de internet e ainda tem relacionamento com cliente?

Ok. Tem as agências que terceirizam essa equipe pra você e cobra 50% para ser sua equipe comercial. Ahhhhhhhhh, achou a fórmula ideal para seu negócio?

Hehehehehe. Cara Cabeça de Papel, é bom lembrar que publicidade vive de números. Já superou o desafio da audiência? O quê? Seu público, cara pálida? Ele se chama visitas, visitantes únicos e exibições de páginas, entre outras métricas. Existe uma estimativa maluca que diz que um site pequeno tem 10 mil visitas/dia. O médio é acima de 100 mil visitas/dia e o grande tá acima de 1 milhão. Tem esses números? Então, corra atrás deles ou vá se virar com Google.

Tudo bem! Eu sei que número não é a única métrica crucial para seu sucesso (nunca falei isso, ok?) e que há uma possibilidade de valorizar a qualidade do relacionamento com seu público. OK. Você venceu! Só me responda uma coisinha: como você mensura a qualidade do seu público? Já olhou o potencial do seu público versus aquilo que visita sua página? Então, corra!

Você pode correr para Google e descobrir que contratar um expert em SEO pode ser um bom caminho para começar a pensar em publicidade no mundo de mídias sociais. Você não vai ter grana para contratar esse profissional, mas as informações estão no sistema de busca e, talvez, você perceba a importância do código e da arquitetura de informação do seu site. Você vai ter que fazer essa lição de casa.

Pode até soar que você tá ficando louca e quer ser um tecnólogo ou um especialista em AI. Deixem que falem, mas continue sua lição de casa porque se quer ter um site precisa entender como ele funciona para definir, entre tantas outras coisas, o modelo comercial. Você não será especialista de nada, apenas coletará informações para saber fazer aquilo que faz bem, no caso da Cabeça de Papel: conteúdo. Detalhe: precisa fazer toda essa lição de casa (conhecer o espetáculo de brincar na web) sem deixar de fazer a única coisa que sabe fazer. É foda! Mas você não pode dizer que é foda. Não pega bem e isso é péssimo para marketing pessoal, lembra dele?

Há ainda outras alternativas. Uma delas é você criar um modelo comercial que não seja focado em patrocínio nem publicidade. Pode pensar em licenciamento de conteúdo? Vai vender para quem? Tem marca própria? Ah, já sei você tem volume. Quantas páginas de conteúdo produzidas?

O quê? qua-li-da-de? Ichiiiiiiiiiiii, você não leu nada que escrevi aí em cima. Ah, você tem um novo processo de produção que representa uma inovação no jeito de produzir conteúdo? Legal. Quantas páginas já produziu?

Vale lembrar que uma pesquisa recente aponta que os agregadores de conteúdo geram entre 200 e 300 páginas/mês “produzidas” nos canais considerados também mídias ou redes sociais. Corra, vá produzir conteúdo. Você tá divagando demais, falando de coisas que não entende e trocando os pés não apenas pelas mãos, mas também pelas orelhas, intestino grosso e uma abóbora que estava passando por ali.

Outra alternativa é olhar para lado. Ou melhor, para cima. Bem, lá em cima e descobrir como funciona a Lei Rouanet, cujo site (seu negócio) é contemplado no formato Mecenato na área Aduiovisual e, neste ano, o edital da Petrobrás permite a participação na área Cultura Digital sem passar pelo aval do Ministério da Cultura. Veja abaixo alguns detalhes do link da Lei Rouanet:

5. Multimídia (cd-room, site, portal):

a)Estrutura do site/portal;

b)Descrição das fontes de alimentação de conteúdo;

c)Definição de conteúdos( pesquisa e sua organização e, roteiros).
A qualquer produto ou sub-produto, faz-se necessário a inclusão da logomarca do Ministério da Cultura, conforme o Manual de Identidade Visual da SECOM/PR.

Agora não há dúvida de que as mídias sociais estão em plena transformação e novos modelos comerciais serão construídos ou já estão prontos para serem lançados em breve ou já estão pipocando no mercado e você pode estar ganhando dinheiro de outro jeito ou adotou um dos modelos acima de outra maneira. Afinal, o que não falta são caminhos para serem trilhados e criados nessa seara, né!? Que tal você contar um pouquinho da sua experiência aqui também…please!

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