Fragmentos da Cultura da Interface, de Steve Johnson

Novembro 12, 2008 · 8 Comentários

Busco meu caderninho de anotações desesperada pelos conceitos de Levy, mas encontro apenas uma citação de algum outro livro que não tenho idéia de qual seja que contribui para continuar minhas divagações: ” Se você for inovar tem que entender o valor do que está substituindo. Muitos projetistas tendem a subestimar o valor que as convênções têm”. Não era exatamente isso que buscava, mas a frase adequa se à conclusão que começa a surgir na minha cabecinha confusa de aprendiz.

O motivo do desespero pelas anotações da leitura feita sobre As Tecnologias da Inteligência (emprestado da biblioteca do SESC Pinheiros) é porque leio somente agora A Cultura da Interface, de Steven Johnson ( trocado no sebo da Pinheiros por uma pilha de livros velhos. Pra quem não tem uma pilha de livros velhos, o preço era de 18 reais) e me deparo com o mouse de Engelbart e a trajetória do desktop. Conhecer a história desses recursos me faz buscar a história que Levy conta sobre a impressão e o HTML…Motivo?

Sentíamos que estávamos fazendo alguma coisa diretamente com nossos dados, em vez de dizer ao computador que a fizesse por nós

Essa é a frase que leio agora, no livro de Steven Johnson, sobre o impacto da chegada do mouse para o mundo digital é a responsável pela divagação tão óbvia: se o mouse me faz sentir que tenho o poder nas mãos, mesmo que eu não tenha nenhuma capacidade de interferir, ou entender, o mundo binário dos códigos, o que foi que o HTML trouxe a mim? Penso na interatividade, mas lembro que tinha anotado algo a mais…O quê?

Não vou lembrar. Você lembra?
Mas qual a importância disso? Quero entender melhor a metáfora do HTML, do desktop e do mouse para, enfim, compreender a relação da mente/humano com a computação/programação/códigos. Mas pra quê perder tempo com isso? Quanto mais conheço, mais me perco ( eu sei. você tem toda razão)…porém, na divagação obscura, também sou capaz de elaborar novas perguntas. Mas, ok, você venceu. O que mais anotou no caderninho?

Filtros, filtros, filtros, lembra? Confesso que eles sempre foram uma montanha no meio do caminho do Desabafo de Mãe, na época em que nem tinha idéia que existia o Urso Branco, da dupla Peter Moville & Louis Rosenfeld. Vale lembrar de que o bom de ser amador na web é que quando você descobre os conceitos percebe a razão do desafio de não conseguir avançar em coisas que pareciam tão idiotas ou desnecessárias. Johnson escreve: “Informação digital sem filtros é coisa que não existe”.

Hummm, difícil não relacionar filtro com controle, moderação, sistema de busca, rotulação, arquitetura, política, democracia, hierarquia, perfis… Haja associação! Em tempos de mobilização como os de hoje, então, não dá pra escapar dos direitos versus vigilância e, usando Google diante dessa divagação maluca de interfaces, eis que reencontro Deak no Observatório da Imprensa. Fica mais fácil entender, agora, a relação dos parasitas, da TV e da participação… Johnson escreve que os programas televisivos que comentam sobre a própria TV devem ser olhados como a transição do conteúdo da TV para internet.

Os parasitas televisivos serão uma espécie de esquisitice evolucionária, um ancestral distante que partilhava alguns fios de DNA cultural com as espécies contemporâneas, mas nunca chegaram a vingar em seu próprio ecossistema

Essa frase, talvez, representa a anotação mais forte no meu caderninho porque me faz pensar na mudança do “contar histórias” para a relevância do comentar, desmantelar, dissecar. Opa! Então, é isso!? Comentar tornou-se um gênero diante do velho contar histórias. Calma! Ninguém comenta sem história. Dependência total? Afinal, as grandes marcas podem até não serem mais as únicas “donas” da comunicação, mas ainda continuaremos a falar das grandes marcas, lembra?

PS: A Cultura da Interface é um livro antigo (1997) que “todo mundo” diz que já leu, mas você não encontra muitas divagações numa pesquisa rápida no Google. Eu continuo no segundo capítulo, mas Alex Maron postou sobre livro.

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8 respostas Até agora ↓

  • Alexandre Maron // Novembro 12, 2008 às 1:07 pm | Responder

    Engraçado você falar desse livro agora. Estou no mestrado preparando meu projeto de dissertação e esse livro certamente vai voltar pra minha vida, tantos anos depois.

    Quando eu era bem moleque, Dragões do Eden, do Carl Sagan, me fez dar uma cambalhota. Esse livro relativamente desconhecido do Johnson, que eu considero até óbvio, para dizer a verdade, me fez sentir que tinha alguém dando sentido ao que eu estava experimentando. Foi lendo ele que eu virei fã do Johnson. Fui rever meu post de 2001, de quando eu descobri o livro:
    http://www.alexmaron.com.br/2001/01/24/2096300/

    Finalmente eu achei outra pessoa que pegou o livro pra ler, ehehhe. Acho que, em todos esses anos, você é a segunda pessoa que se interessou por ele.

    Um abraço

    Alexandre

  • ceilasantos // Novembro 12, 2008 às 3:26 pm | Responder

    Oi Alexandre,
    Que legal esse seu comentário! Primeiro é uma honra poder compartilhar contigo minhas divagações ainda tão imaturas e, infelizmente, me entristece bastante saber que você pode contar nos dedos quem se interessou pelo livro. Essa constatação aponta, talvez, a falta da cultura do colaborar, ou seria do expor os conhecimentos recém adquiridos…Uma pena, num país como o Brasil ter tão poucas pessoas dispostas a compartilhar aquilo que ainda não entende. Vou ler suas impressões do passado. inté!

  • pollyana // Novembro 13, 2008 às 11:16 am | Responder

    Depois de Cultura da Interface, leia na sequência Emergência, também do Johnson. Daí as questões dos botton-up, agentes e os filtros, sempre eles, vão te abrir um caminho de ouro puro.

    em tempo: troca, please, o link do remixando (Mídia Social) para o http://remixnarrativo.blogspot.com, pois o remixando anda meio “sem filtros” e agentes. A líder voltou para carreira solo no remixnarrativo mesmo. É a fábula das migalhas do João e Maria – isso são filtros!!! Bj grande querida. E amei seu blog!!!

  • ceilasantos // Novembro 13, 2008 às 12:10 pm | Responder

    Oi Polly, querida, obrigada pela dica! vou correr aqui pra conseguir ler em seguida o Emergência, mas confesso que o próximo da lista é Gatewatching, de Axel Bruns ( no estrangeiro ainda – é mais demorado pra mim)… Vou tentar ser uma agente ativa pra mudar o link rápido. bjkas e saudades! espero te encontrar no newscamp, hem!

  • Sanchez // Novembro 16, 2008 às 1:32 pm | Responder

    Esse livro do Steven Johnson é muito bom mesmo, to lendo o Emergência dele que é fantástico também.

    Valeu pela visita no meu blog Célia! Vou tentar dar um pulinho lá dia 29/11 pra agente bater um papo!
    abraços!

  • Eureca do Link « Mídia Social // Novembro 29, 2008 às 3:10 am | Responder

    [...] Postado no Novembro 29, 2008 por ceilasantos Esse título foi copiado de uma frase do livro A Cultura da Interface ( que continuo nos primeiros capítulos – vergonha!), onde Steven Johnson começa a explicar sobre o [...]

  • Agentes: mordomo ou mala direta? « Mídia Social // Janeiro 6, 2009 às 4:33 am | Responder

    [...] Eu não sabia quem eles eram quando a Polly já os antecipava no comentário feito no post Fragmentos da Cultura da Interface. Gostei muito da frase – O computador como personalidade, não como espaço – que Johnson usa para [...]

  • Barbara Dieu // Janeiro 8, 2009 às 12:11 pm | Responder

    Sherry Turkle lançou um livro The Inner History of Devices” no qual ela mostra como os diversos artefatos tecnológicos, em suas variadas formas, estão intimamente ligados às nossas vidas e assumem vida e personalidade próprias.

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