Ouvindo o feedback em Emergência

Fevereiro 28, 2009 · 4 Comentários

Eu também tenho a mania comum de ler mais de um livro por vez. Normalmente, meus marcadores estão espalhados em três livros folheados até o primeiro capítulo e sabe lá deus quando terminará. Emergência, de Steven Johnson, por exemplo, me acompanhou no natal, reveillon e só terminei o danado agora no Carnaval. Sim! Eu também preciso de feriados para conseguir terminar pelo menos um deles. Minha idéia quando leio livros especializados era registrar o processo de interpretação aqui no site. Um desabafo maluco, que talvez, só eu conseguiria ler depois. Mas, o Emergência exige um certo mergulho que, confesso, talvez eu ainda não tenha conseguido sair de lá (risos).

A idéia “soa simples“: há um padrão no caos da rede sem a necessidade de regras…E, “independente“, da ação isolada minha ou sua. Johnson mostra diversos exemplos de quando isso acontece ( formiga, células e cidade) e busca relacionar as razões desse fenômeno entre dinâmicas tão diferentes como as três citadas acima. 

Celso Candido, professor de filosofia da Unisinos, descreve neste link do seu blog Aula Aberta uma sinopse para quem tiver preguiça de ler o livro. Mas se você caiu aqui neste blog, independente da razão, eu lhe aconselho a ler o livro para entender coisas que fazem parte da minha e da sua vida digital.

Uma delas eu classifico como a “Tirania do Dono da Verdade” que acontece nos fóruns das listas de emails e a gente só reconhece de forma clara quando lê o capítulo “Ouvindo o Feedback“. Trata-se do comportamento do usuário nos diferentes fluxos de comunicação. Johnson ensina: ” a tirania do dono da verdade ressulta de uma escassez de feedback: um sistema em que os fluxos de informação são unidirecionais e o público é ao mesmo tempo presente e invisível

Ou seja, o fluxo é de mão única para os escondidos, que ouvem nossa conversa, mas não ouvimos nada deles. E a conclusão que Steven propõe é de que as discussões eletrônicas desse tipo torna-se menos interativa do  que uma palestra face a face, onde mesmo os mais silenciosos contribuem com seus gestos e expressões corporais.

O autor ainda nos ensina diversos caminhos do feedback nos diferentes fluxos de informação da web, que no meu caso acendeu a luzinha alerta sobre reler, reler e reler para sair do processo de identificar os casos relatados para colocar em prática as idéias para buscar soluções na gestão de sites sociais. Cito tudo isso porque tenho percebido um discurso muito extremista sobre o processo de montar um site de mídia social como algo extremamente simples ou extremamente complexo. Eu prefiro a ambivalência.

É simples o pensar como serão os processos depois que você já viveu a experiência de blogar, de trocar 10 emails numa lista com três pessoas, sendo que o grupo é de centenas de participantes e ainda conheceu a galera da colaboração na mesa do bar. Além disso, por mais que você “fuja” atrás de todos tutoriais de CMS, SEO, como blogar, como escrever texto de html, eles vão chegar até você.  A questão é se você terá capacidade para entendê-los?

A maioria entende rapidinho e segue o modelo mais famoso. Montou? Não é impressionante o que acontece? Ahhhhhhhhhh aquela leitora de Macapá que te ligou no sábado de manhã? Você recebeu um comentário do cara que você mais admira no mundo? Foi convidada para ir no hotel cinco estrelas e ainda viu aquele ator gostosão que te cumprimetou? E como a audiência cresce, né? Pois é, sentir esse feedback dá até medo, mas sorry, é natural.

O desafio é criar um modelo de negócio que se utiliza desse feedback a partir dos seus princípios e, não, daquele que vigora ao seu lado. Remar contra a maré é complexo, exige repetição, doiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii de verdade. É puro tentativa e erro. Não é fácil. Detalhe: por mais feedback que você tenha, seja do público especializado ou do público que é o seu público – aquele que você morre de tesão, ama de paixão, só você que tem capacidade de fazer o negócio acontecer… É sempre sua a decisão, independente que ela tenha sido construída em função de milhares de feedbacks de diferentes fluxos de informações, que envolveu uma rede de milhões de pessoas. Ok. Tudo isso é muito óbvio. Também achava, mas depois que li Emergência, essas coisas óbvias tornaram-se extremamente nebulosas. Fui!

Hum, peraí:  Quer dar uma passadinha no Criativo Punk pra conhecer a carinha do Johnson no You Tube? Tem certeza que não vai clicar nos links? Steve veio ao Brasil e o Juliano foi quem o buscou no aeroporto. Não vai querer nem saber o hotel em que ele se hospedou? Clica nos links, vai!

PS: se alguém parecer por aqui, tem uma pesquisa rolando no grupo RP digital, que vale a pena acessar: O que os jornalsitas acham da Mídia social, da Textual. Volto pra dar meus pitacos about a pesquisa e um monte de coisa sobre Emergência quando surgir uma madrugada livre, blz?!

Categorias: Mídia Social
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4 respostas Até agora ↓

  • rene de paula jr // Fevereiro 28, 2009 às 11:16 am | Responder

    ceila, eu li o Emergence anos atras. muito interessante, mas acho que ha limitacoes. por mais que o steve johnson seja uma figura fascinante nao podemos tomar o que ele diz (ou o que qualquer livro diz) como canones. senao vamos ficar como voce, tentando dar nos nas proprias percepcoes para que de alguma maneira adiram ao canone.

    a questao da emergencia que ele identifica em insetos é reconhecivel sim, mas nao com 100% de aderencia, em comportamentos humanos. nao somos insetos e nem somos abstracoes matematicas num teorema qualquer. somos humanos.

    voce acompanhou de perto um caso como o do radinho. eu mais ainda. e acompanhei tambem outros casos intensos. se voce quiser eu posso contar historias concretas e o que eu aprendi com elas, mesmo sem eu ter a aura ou o charme de um guru consagrado.

  • ceilasantos // Março 1, 2009 às 1:49 am | Responder

    Oi Rene, obrigada pelo comentário e a lição sempre embutida. é verdade eu ando dando muitos nós, por enquanto, e confesso que até reconheço esse estágio, mas ainda não encontrei minha própria saída, entende…Acho que é natural e a persist~encia deverá fazer eu enxergar as coisas como elas realmente são sem este deslumbramento infantil que ainda me persegue. É um prazer imenso poder falar contigo sobre feedback até porque reconheço no seu trabalho um modelo próprio, uma compreensão diferenciada do lidar com as discussões eletrônicas. Obrigada mais uma vez e como assim não tem o charme nem a aura???? lógico que tem. bjkas e valeu!

  • Silvia // Março 1, 2009 às 4:41 am | Responder

    Bom, eu deveria ficar quieta porque nem li o tal do livro. Mas ando tão falante ultimamente! E gostei de ver mais um dos seus posts por aqui. Madrugada livre, né…. sei, sei como é isso. bjs

  • Mike // Março 3, 2009 às 10:18 pm | Responder

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