Entradas do Julho 2009

Democratização no Ciberespaço é possível?

Julho 27, 2009 · Deixe um comentário

Ontem, terminei um dos capítulos do livro Reinventando @ Cultura, de Muniz Sodré, onde ele questiona as relações da Comunicação com Poder político clássico. A sensação é de que a tal democracia da informação é mesmo uma utopia. Sonhar com um jornalismo coletivo produzindo conteúdo com foco político, então… Eu ainda não sei o quanto a participação no jornalismo pode resultar em uma informação menos elitizada. E, você, qual sua opinião?

Confesso que preciso reler o capítulo, além de terminar o livro, para ter uma noção da mensagem deste baiano. Sodré descreve e cita diversas teorias para explicar que existe uma Crise da Representatividade política, que o Governo legitima seu poder baseado no crescimento econômico e que a Mídia ganha cada vez mais poder… Vale citar duas frases anotadas:

sobre o Estado (governo) …embora mantendo toda organização política  da época liberal (partidos, parlamento, sistema eleitoral), legitima-se de fato como gerador e facilitador de condições para o aumento do consumo

Já não se trata mais da velha imprensa como tribuna de uma consciência liberal, mas de um complexo integrado de formas de expressão escrita, falada e magistica, suscetível de construir uma verdadeira estrutura do poder

Depois, ele retoma algo tão óbvio que ás vezes escapa do nosso dia-a-dia: ” o acesso á informação define-se pela posição econômica do usuário. Em qualquer domínio, informação é algo que se vende, é o modo mais avançado de realização do valor do capital” Então, ele conclui que a tal democratização no ciberespaço: ainda permanecem no plano da pura euforia tecnológica, que tem sido uma espeécie de contraponto ideológico para o pessimismo característico das críticas intelectuais, direta ou indiretamente da Escola de Frankfurt.

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O caminho da busca pela tese e o tal do Mestrado…

Julho 22, 2009 · 8 Comentários

No script da vida, chega uma hora em que você vai pensar em voltar para a Faculdade, ou não. Mas se você já chegou naquele estágio de cansaço profissional, em busca de algo novo e ainda sua profissão está passando pela fase (“Terapêutica”) da reinvenção, é bem provável que o tal do Mestrado vai rondar sua cabecinha. Aí, você olha para o lado: 80% dos seus amigos estão fazendo, pensando em fazer ou já fizeram o danado. Então, você pensa: e agora José? Ou, você mergulha na onda sem pensar em nada. Já eu??? Hummmmmm….

Eu gosto de colocar pedra no meio do meu caminho. Então, penso: e agora, Caipirapora??!!

Caipirapora Original Mesmo escolhe aquilo que todo mundo conhece: USP! Afinal, até Paulão, lá de são tomás, acha que USP é diminutivo de universidade. Já saiu da USP?, pergunta ele quando vê alguém que está cursando a faculdade e, por isso, mora fora de casa.

E aí já que é pra pensar, começa devagarinho. Só observando. Tudo parece fácil: basta falar com a mulher que é orientadora dos 80% dos seus amigos, inventar alguma coisa relacionada à web e fazer uma provinha. Detalhe: a tal fluência no inglês parece que vale de quem só lê e escreve.

Mas, Nossa Senhora, eu gosto de colocar pedra no meu caminho. Então, resolvi começar como Aluno Especial, na minha área, e paguei pra sentir clima de outra área. Mas quem é caipirapora se apaixona, gosta de criar rituais para contemplação…E aqui estou eu me deslumbrando de novo com novo.

O encantamento, agora, é pelas metodologias da pesquisa. Resolvi ler  ” Alternativas metodológicas para produção científica“, de Maria Nazareth Ferreira. Faz parte do pacote do Celacc, um centro de estudos que tem na ECA , o qual eu cai de paraquedas por lá assim como um monte de gente.

A autora esteve no auditório no primeiro dia de aula e minha percepção foi daquelas típicas de Caipirapora, que chora quando vai embora de casa ou ouve o som da viola. Aquele gostinho de que algo a mais realmente existe veio na boca e caracterizei a mulher como mais uma Mestra da minha vida. [Vale ressaltar que eu sou um pouco abençoada de mestres, vivo atribuindo essa tarefa para alguém na minha vida. E não me arrependo. Tive muita gente boa e ruim me ensinando a viver, todos de certa maneira me fazendo um bem danado e, lógico, a sofrer um pouquinho pra aprender.]

Comecei a ler o livro porque as perguntas que Orlando fez aqui, no post passado, me deu vontade de levar adiante a idéia de realmente entrar nessa. E, pra variar, achei que o livro tinha sido escrito pra mim. Coisa esquisita, sô. Tudo que passei até agora tava lá no livro, uai: a ingenuidade de mergulhar bem fundo numa idéia, abandonar um pouco a vida pela construção do objeto, colocar o negócio funcionando sem saber exatamente do que se trata e com isso feito, entrar numa fase de repensar e  questionar, de novo, a mim mesmo até sobre quem eu sou… E pra fechar o ciclo: buscar o mundo acadêmico.  Parece até coisa de livro, ou seria de duende, bruxa ou Nossa Senhora da Aparecida!

É óbvio que esse ciclo faz parte da minha interpretação de Caipirapora, mas vale a pena destacar alguns fragmentos que me faz pensar essa coisa toda aí em cima:
Conhecer é transformar, penetrar as causas dos fenômenos e, portanto, descobrir o poder de modificá-los”
“Sem conhecimento da filosofia é impossível produzir o conhecimento científico”
“A ciência explica o mundo, mas se recusa a habitá-lo”
 

Eu entendi que Nazareth explica que até as pesquisas cientíticas entraram na era da automação, do mundo técnico demais, cheio de prazos, limites e metas. Ou seja, até as teses e mestrados seguem a receita de bolo padrão. Basta seguí-las para atingir seus resultados. Ela crítica esse exagero e sinaliza os resultados dessa dinâmica, mas também mostra que é a combinação do aprendizado do método com a filosofia ( pensar e contemplar) que traz um caminho diferente para pesquisa. E é óbvio que esse caminho é um jeitinho de colocar A Pedra no meio dele, mas eu já falei que gosto disso, né!?

A sensação que tive é de que a relação entre o Sujeito e o Objeto de Conhecimento é que diferencia as metodologias. Ela propõe uma metodologia de pesquisa com dialética  entre seus dois atores, onde essa troca permite a transformação de ambos. Você até se questiona: o quanto fazer parte do objeto de conhecimento é importante para ciência, o quanto vale a experiência e até entende os riscos de ter tal perfil, mas depois a sensação é de qua há alternativa e riqueza pra quem faz parte do objeto de conhecimento.

Vale registrar o que ela diz pra passar algo pra quem chegou a ler até aqui:

Três príncipios fundamentais para fazer uma pesquisa científica:
1- Existem coisas independententemente de nossa consciência, de nossa sensibilidade, fora do nosso conhecimento
2- Não existe, nem pode existir, nenhuma diferença entre o fenômeno em si e a coisa em si; o que existe é a diferença entre o que é conhecido e o que ainda não se conhece, devido ao nível de desenvolvimento das técnicas
3- Na Teoria do conhecimento, como em todos os domínios da ciência é necessário raciocinar sempre dialeticamente, isto é, não supor jamais que o conhecimento atual é acabado e imutável, mas, sim, de que maneira o conhecimento incompleto e inexato pode chegar a ser mais completo e inexato. para tanto, vale observar técnicas que podem ser interligadas em quaisquer procedimentos metodológicos.

Resumo da ópera: eu não descobri ainda o caminho  para fazer Mestrado. Minha percepção é de que o mundo acadêmico respeita uma ordem estabelecida e, talvez, até necessária para você bater na porta. Precisa ter a senha certa para pegar na mão do orientador e passar nos editais. Obtê-la não é difícil, basta conhecer o amigo do amigo do amigo. Mas se você ainda não faz parte do grupo e gosta de uma pedrinha no meio caminho, eu aconselho a ler este livrinho durante uma tarde no parque.

bjkas!

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Capital Simbólico da blogosfera, como ele se forma?

Julho 4, 2009 · 12 Comentários

O abandono da vida online aconteceu por três motivos: trabalho, faculdade e terapia. Mas o que não faltou foram posts pensados no travesseiro…Vontade de lembrar pelo menos de alguns deles, mas agora não resta nenhum fragmento. O que me traz aqui é a primeira idéia sobre uma tese: Quais as trajetórias para formação do campo simbólico entre blogueiros? Essa foi a primeira pergunta, na sala de aula, que o Dennis sugeriu como tema para um TCC. Ainda não sei se é isso nem se devo trilhar para um mestrado de jornalismo, mas a sugestão dele me incentivou a voltar a falar com a telinha e quem sabe encontrar um maluco que navegue por aqui…

Calma! Eu vou dar um lide pra você entender um pouquinho por onde anda minha cabecinha perdida. Estou fazendo pós-graduação, no Celacc , sobre Gestão Cultural. Tudo é super embrionário, mas voltar ao clima da “facu” é renascer, sem dúvida nenhuma. Tenho duas disciplinas, uma que me ensina a pensar de forma prática ( Eventos, com Mariangela Haswani) e outra que me permite viajar pelas teorias da cultura.

O que é cultura?, eis a questão!
Essa é a nossa trajetória. Tentar definir ideologia, hegemonia, relações de poderes, consenso, cotidiano e por aí vai. Ainda não consegui ler nenhum livro inteiro, mas as fontes vão desde Platão, Aristotéles até Bourdieu, John Thompson e Muniz Sodré. Confesso que ouvir fragmentos das teorias desses caras é mais compreensível que fazer terapia em grupo. A sensação é de que todos falam a mesma coisa, mas os teóricos são mais claros do que os rituais das Mulheres que Correm com os Lobos.

O tema é simples: CULTURA. Compreendê-lo, entretanto, requer sair do difícil umbigo de ”olhar para si mesmo”, passar pelo outro e exige uma percepção do todo. E haja resistência de classe média!!! Confesso que antes de ouvir tais teorias, estava justamente na busca de pertencer a algum grupo econômico em função das leituras de Clarissa Estes - cheguei até imprimir relatórios do IBGE para tentar me encaixar na infinita classe média brasileira. Nos dias de hoje, talvez, seja quase impossível se encaixar  de acordo com aquilo que consumimos. Responda-me: quem hoje não tem geladeira, telefone, TV, celular e carro dentro de casa? Ok. Isso é tema para outro post.

Mas percebi que a trajetória humana passa mesmo pela Grana, Educação e Reputação. Essa triologia é um pouco do que restou da teoria de Bourdieu. A gente até aprende que por aqui, no Brasil, a matriz é muito mais complexa. Ou seja,  não adianta tentar imitar a trajetória de estudo do norte-americano para conseguir um salário nas multinacionais e, consequentemente, ter também o tal capital simbólico. Exemplos não faltam de trajetórias diversas que atingem o pico do capital simbólico e passa pelas tradições futebolísticas até as religiosas como camdomblé e ainda vale citar as peculiaridades regionais e as periferias das megacidades. Haja post pra pensar alto sobre tudo isso, mas o que me traz aqui ainda é o que me move pessoalmente: autonomia!!!!

Explico: Viver na marginalidade das redações, ser obrigada a voltar pelo dinheiro e,  AGORA ( depois de cinco anos de luta) ter conquistado uma certa autonomia do meu tempo (com quatro dias de home office e uma estabilidade financeira ,que ainda me encaixa no “infinito” grupo que consome gasolina, tv paga, celular pré-pago e banda larga, sem deixar de ter dívida com cheque especial) me levou a ouvir apenas a relação da autonomia na sala de aula.

O lance é simples e óbvio: no mundo das trocas do capitalismo, você vende seu tempo pelo salário e passa 90% da sua vida cumprindo uma tarefa demandada pelo outro, sem escolha, sem ruptura, quase alienante.  Ou seja, as escolhas acontecem não a partir daquilo que você quer fazer, mas daquelas que são possíveis agora.

Diante deste contexto fragmentado e confuso, a idéia é pensar como se forma o campo simbólico da blogosfera. Ou seja, para ter uma reputação diante do seu público, quais são as estratégias necessárias para sua valorização simbólica? É fato que quem tem reputação (capital simbólico) na blogosfera nem sempre tem money. Motivo? Apesar da reputação gerar audiência, alguns fatores podem impedir que o seu capital simbólico gere capital econômico: seu público, sua competência técnica ou sua “capacidade” de fazer negócio. Conhecimento também não é garantia de capital simbólico. Blogs muito cultos podem até ter uma boa reputação, mas nem sempre tem uma quantidade considerável de audiência. E ainda tem os famosos que continuam ainda mais famosos na blogosfera. Não é tão simples assim, mas pensar as trajetórias a partir da teoria de Bourdieu na prática da blogosfera parece que não rola. Talvez, haja motivo para mergulhar na brincadeira. E, aí, alguém arrisca por onde começar?

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