Jesus Martín Barbero – Um encontro com os acadêmicos

Agosto 18, 2009 · 5 Comentários

Ontem, talvez, tenha sido o meu primeiro contato, de fato, com a área acadêmica. Participei da Aula Magna com Jesus Martin Barbero, promovida durante o Fórum Permanente de Programas de Pós-graduação em Comunicação do Estado de São Paulo, que aconteceu no Memorial da América Latina, de São Paulo. A sensação era de pura transformação. Para se ter uma idéia, o espanhol terminou sua aula com seguinte discurso: “tudo que sabemos, sabemos entre todos”

Foi mágico ver um senhor com seus cabelos brancos com idéias consideradas tão atuais e, de certa maneira, até revolucionárias. Ele acredita que pesquisadores devem ter imaginação e ainda critica o olhar tão comum de considerar a oralidade um analfabetismo. “Tem outras culturas além do livro“, alertou Barbero. Nunca li nada sobre autor, mas a entrevista dele concedida à Matrizes, enviada por email pela organização do evento como material de apoio, já dá um gostinho satisfatório do que prega Jesus. Me lembrou muito a leitura que tive de Maria Nazareth Ferreira  – outra senhora revolucionária que conheci na ECA conforme já relatei aqui  porque ambos parecem se preocupar com as atuais trajetórias das pesquisas na área de Comunicação.

Eu ainda estou deslumbrada com o discurso de ambos. Logo, tudo que penso alto por aqui tem a parcialidade da paixão pelo novo. O que mais tem me cativado a mergulhar neste universo ainda desconhecido é a possibilidade  de mudança e de integração com os demais pensadores da América Latina. Ter um ponto de partida que não seja tão europeu nem norte-americano me fascina e me atrai. Vale registrar aqui o que anotei da entrevista de Barbero:

Sabíamos que estávamos presos, mas pelo menos dentro do grupo da alaic existia uma consciência clara de que era preciso criar um pensamento latino-americano, de que não se tratava simplesmente de misturar coisas que vinham da semiótica com outras do marxismo e da teoria da dependência.

A sensação é de que o caminho das pesquisas é muito novo e , de certa maneira, segue a prática da “butique” ( copiar e seguir os norte-americanos) e se molda muito de acordo com investimento. Parece até que há modismos nos temas escolhidos como as ondas que vivemos no mundo de cá, dos pobres mortais. Tudo é pura percepção pessoal…Entretanto, meu perfil de jornalista de bloquinho trouxe também algumas informações de discursos soltos que vale compartilhar por aqui:

São 36 programas de pós-graduração na área de Comunicações no Brasil e 14 delas estão localizadas no Estado de São Paulo. Na década de 70, as pesquisas feitas eram resultados de trabalhos que confundiam investigação com pesquisa, em 80, surgiram as linhas de pesquisa cheia de categorias e com foco ainda no modelo linear. Parece que tudo se move entre o objeto de conhecimento ser os MEIOS  ou as Mediações ( acho que isso em função do convidado, que tem um livro focado neste tema) e também que agora entramos na fase de analisar as interações, cognição, simulacros. Agora, a questão é como se comunica? Barbero alerta que pensar como exige saber o que

Foram muitos os fragmentos que restaram deste encontro e prometo retomá-los por aqui. Fui!


Categorias: Fragmentos · Jornalismo · Teses
Etiquetado: , ,

5 respostas Até agora ↓

Deixe um comentário