Quem participa da série Conversas hoje é André Borges, que atualmente trabalha no jornal Valor Econômico. Eu tive a honra de trabalhar ao lado desse grande repórter entre 2000 e 2003 numa editora especializada. André é curioso, inteligente e tem “alma de brasileiro’.
Calma! Eu explico a tal alma de brasileiro: ele reconhece a diversidade dentro de casa, sabe qual é sabor da comida mineira e entende a razão da loucura paulista. Parece meio maluco, mas confesso que não sei expressar em poucas palavras o que representa ter alma de brasileiro. De certa maneira, identifico o melhor de mim nessa tal alma brasileiro e me reconheço um pouco no Andrezinho quando tento caracterizá-lo desta forma. Já o pior de mim está um pouco fora daquilo que considero alma de brasileiro, sacou?
Mas aborges é muito mais que isso. É um profissional que sabe contar história, que sente prazer em apurá-las, que gosta de pessoas e sabe fazer delas uma representação brilhante num texto simples, claro e objetivo. Enfim, André tem tudo de um bom repórter!
O Borges foi o segundo que respondeu meu email com seis perguntinhas sobre a experiência de ter feito mestrado. Meu terceiro convidado foi o Madureira, que em breve conto um pouco sobre ele aqui e publico suas respostas. Com vocês, André Borges:
1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?
Eu tinha concluído minha graduação, mas fiquei com vontade de seguir com os estudos. Terminei a graduação em 1997 e, um ano depois, ingressei no mestrado;
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim, o objeto de pesquisa é um pré-requisito para concorrer ao mestrado da ECA-USP. O que ocorreu é que, meses depois de entrar no curso, decidi mudar meu objeto de pesquisa e fui apoiado pelo meu orientador.
3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Acho que o que merece destaque é o perfil do trabalho de mestrado. Diferente da graduação, que na maioria das vezes se apoia em trabalhos coletivos, o mestrado é um exercício individual e aprofundado. É um trabalho solitário, que o aluno precisa aprender a desenvolver.
4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Me baseei no perfil de suas orientações anteriores e também em sua postura profissional.
5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Não cursei o mestrado com o propósito de dar aula, embora seja este o principal objetivo para quem faz o curso na USP. Muitos colegas de sala, aliás, já eram professores em algumas faculdades em cursos relacionados à área de comunicação. O mestrado me trouxe conhecimento e maior capacidade analítica; o mercado traz a aplicação disso. Penso em dar aula, mas é um projeto para o futuro.
6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
Escolhi a linha de jornalismo comparado. Na tese, defendida em 2001, falei sobre os embates da mídia impressa e a internet e as tentativas da mídia tradicional para explorar os negócios no ambiente digital. O cenário analisado foi de 1995 a 2001. Não mudou muita coisa de lá para cá. A tese está à disposição na biblioteca da ECA.
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Renato Cruz
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