Meu primeiro artigo científico

Hummm… Começo a travar o meu blogar tão inocente. Talvez este seja o principal resultado do Meu Primeiro Artigo Científico. Agora tenho medo de escrever…Penso demais pra começar um post. Sinto até que estou no lead de uma reportagem. Me esforço pra pensar alto e sem pudor, saca?  Não tenho dúvida de que essa sensação é a sementinha da transformação acadêmica. Uma merda por um lado (sorry), mas não posso negar que esse meu jeito de ir “desabafando tudo” gerou mais problemas pessoais que alegrias.

 Não sei se é a pura auto-sabotagem feminina que me persegue ou se o artigo em si não ficou razoável. Mas isso não importa agora. A experiência de escrever seguindo o manual IDC foi muito gratificante. Posso estar 100% cega, mas as 12 horas dedicadas a elaboração do artigo me fez enxergar um novo mundo. A sensação é de que agora começo a entender os processos de pesquisar…Eu já falei: posso estar completamente cega, mas vamos aos registros:

Eu li quase toda bibliografia sugerida pela Fabiana Amaral, selecionei alguns trechos que me interessavam ( mas não marquei página nem autor. Logo, tive um trabalhão pra saber a fonte. Lição aprendida: anote frase, sobrenome com caixa alta do autor e PÁGINA) e depois dessa maratona, comecei escrever. Bloqueio total. Motivo? Umbigo. Só queria blogar, falar de mim, da minha experiência, das minhas dores, das minhas sensações, das minhas noites mal dormidas, da loucura que a internet fez na minha vida. Vergonhaaaaaaaaaaa…Mas ainda assim consegui associar a teoria com minha experiência pessoal de criar o primeiro site interativo para mães no Brasil independente. Deu susto de ler tudo que já passou.

A gratificação, no entanto, veio com as possibilidades. O que fiz foi apenas um esboço. O artigo não está pronto. Agora começo a puxar a linha do novelo bibliográfico… Relaciono Raquel Paiva com comunidade, Baumann com arquitetura e Benkler com modelo. O título do artigo (esboço) foi: Cultura Digital: em busca de mídias alternativas para grupos sociais. Meu próximo passo agora é ler os autores acima…

Mas confesso que, (ufa!) pela primeira vez, a Maternidade predominou no meu desejo de leitura. Agora estou navegando mais pelo mundo da sociologia que da comunicação. Ou seja, os novos caminhos apontam mergulhos menos práticos com objeto de estudo…Só essa inversão já valeu a pena (risos!!!!).

A experiência também me trouxe aflição. Como descobrir os pesquisadores que estão mergulhados nas mesmas teorias? Na aula de Mestrado como ouvinte, o trabalho parecia segredo de Estado. Eu já passei madrugadas inteiras tentando achar o caminho para conversações, mas NADA. Só consigo interações com quem já conheço pessoalmente. É horrível. Cai na SBPJOR, AbCiber, Intercom, Follow Science, mas continuo sem saber falar com outro via internet. Quem sabe o velho email não resolva ( de novo) a falta de colaboração das redes…Já comecei a pedir socorro nas listas, se houver feedback, eu grito. Quer dizer, não sei se grito aqui. Afinal, agora que registro essa caminhada em busca do Mestrado, meu blog deixou de ter comentários. Comenta aí, vai!

Sobre ceilasantos

Profissional da Colaborativa Produções Culturais
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11 respostas para Meu primeiro artigo científico

  1. adriamaral disse:

    Oi Ceila, mas sobre o que tu queres enfocar a tua dissertação? Os caminhos são tantos. No que precisar estamos ai. abs

    • ceilasantos disse:

      Oi querida, essa ainda é minha dúvida pessoal. só tenho ideias ainda. Já consigo definir que meu objeto de estudo será o Desabafo de Mãe, mas ainda não tenho enfoque. Estou no caminho contrário talvez. penso em redes em função da comunidade criada de 1,8 mil integrantes, mas os desafios de manter a comunidade me faz pensar em modelos e aí penso em capital social, interação…Caio na arquitetura e interfaces em função do processo que vivo. Ou seja, tudo ainda muito confuso e em plena construção. Talvez, o resultado disso tudo nem seja uma dissertação…Risos, mas conhecer esse novo mundo tem sido muito divertido e prazeroso.

  2. dasilvaorg disse:

    Ceila,
    acho que não é fácil comentar, além das obviedades, neste tipo de post. Quando comecei a escrever já pensei em ir logo colocando questões para você sobre: o que é ciência afinal? Por que artigo “científico”? Mas aí, usando seus próprios termos, “umbigo”. Saio, volto pro teu texto e procuro as perguntas.

    1. Sim, acho que sei o que é um esforço para pensar mais livremente ao mesmo tempo que um peso da tradição teórica de certos assuntos começa a pairar sobre nós. Talvez seja isso, talvez não.

    2. Para a segunda questão tenho uma pergunta que pode parecer imbecil, mas, qual o motivo de precisar, agora nessa fase, de pesquisadores mergulhados nas mesmas teorias?

  3. ceila santos disse:

    Oi meu querido Orlando, estava sentindo muito sua falta…A segunda questão que vc coloca me faz pensar que ainda procuro mestres, respostas as quais ainda não me sinto capaz de buscar sozinha. Talvez ainda seja reativa, aluna, aprendiz…Sei lá…Por outro lado, a busca por outros mestrandos aconteceu enquanto eu tentava escrever o artigo. percebo que há “seguidores bibliográficos”. o cara que mergulha em benkler, outro em martin barbero, enfim, esses “especialistas” podiam cortam um belo caminho das curvas em que me encontro. pq a interpretação de um especialista ( se que existe esses caras) seria muito importante para avaliar por onde eu vou…entende?!

    • dasilvaorg disse:

      Ceila,
      sempre apareço, não escrevo sempre porque não vejo que tenha algo a falar que dê para ser colocado em comentário de post.
      Acho que é uma característica minha. Esse tipo de conversa gosto que seja daquela forma síncrona e de preferência presencial.
      Aliás, acabei de ter uma idéia que acho que você pode gostar e pensar se há viabilidade. Falo no final do comentário. Agora, a resposta ao seu: entende?!

      Sim, acho que entendo. Mas nesse seu momento talvez o pesquisador mais importante seja o seu (sua) possível orientador (orientadora), não? Especialmente se for o caso de avaliação de projeto na seleção e coisas do tipo. Ou se houver concorrência forte para orientação. Mas isso é apenas um cenário que estou imaginando. Que pode ser completamente não problemático para você.

      Mas como essa conversa por aqui não tem um mecanismo mais sofisticado de interação e feedback, vamos aguardar por mais texto na assincronicidade para seguirmos. Antes porém um acréscimo de comentário.

      Me parece que a maioria de nós entra muito imatura no mestrado. Aliás, vejo gente com a mesmas inseguranças também no doutorado.
      Nem sempre as pessoas falam disto abertamente e por isso acho bom lembrar que as aparências geralmente enganam. Na academia há muita aparência e geralmente bastante enganadoras. Quem aparenta pelos artigos e discursos ser especialista em algo muitas vezes está só na aparência mesmo. Técnica e adestramento criam vários especialistas, mas gente autônoma de pensamento, consciente de suas limitações, humilde, disposta a partilhar crescimento, colaborar com o outro… ahh isso é muito difícil. Ainda que apareça um bocado de gente. Aparências.

      Acho que mais importante que especialistas na academia é importante conseguir boas amizades para discutir sinceramente sobre todo o processo ao nosso redor nesse universo. Mas isso, me parece, é mais difícil do que conseguir especialistas.
      Sigamos. Muita chuva por aí, né?

      • dasilvaorg disse:

        Ah.. a Idéia que acabei não falando.
        Uma mesa redonda com 2 ou três pessoas falando sobre esse processo de início em pós-graduação. Seria algo interessante, não?
        Uma boa conversa, com gente aberta, consciente dos problemas e limitações da academia e dos praticantes em seus campos, sem dogmatismos, partidarismos, posições simplistas e dicotômicas. Ah.. e obviamente online.
        Acho que tem muita gente interessada no tema e muito mito no assunto bom de remitificar. Só uma idéia.
        Bj.

  4. ceila santos disse:

    A idéia ótima. vam’bora organizar? dificil é encontrar gente pra falar de forma aberta…tem algumas pessoas em mente???
    responda-me via email: ceilasan@gmail.com

  5. atila disse:

    realmente, são dois universos completamente distintos!

    é preciso muita atenção e versatilidade para manter atividade nas duas vertentes – blog e material acadêmico.

    enquanto aqui nós somos coloquiais e objetivos, quebrando parágrafos e deixando para o leitor se aprofundar com um link, no acadêmico é exatamente o oposto.

    enfim, boa sorte, pois talento você tem!

  6. ceilasantos disse:

    obrigada, atila e seja bem-vindo por aqui…adorei o nome do seu blog.

  7. gabriela disse:

    adorei essa sua postagem :D eu também quero escrever um artigo científico… faço o curso de psicologia e me sinto um tanto quanto insegura pra escrever, às vezes, parece que nunca tá bom, rsrs, enfim, gostei de suas dicas e gostaria que você add meu e-mail :D pra trocar uma ideia com alguém que já está com esse processo em andamento. beijos e até mais.

    • ceilasantos disse:

      Oi Gabriela,

      Legal seu comentário. Aprendi que o desafio demonstra também a intensidade da nossa paixão pelos estudos…O ideal é a gente relaxar, relaxar e relaxar…Eu errei muito em investir tempo lendo a teoria da estrutura da narrativa…Quis entender a estrutura de como se faz um artigo cientifico e deixei de escrever com coração…Só depois de feito, descobri que quase ninguém leva a sério a tal estrutura…Por isso, siga seu coração: vá escrevendo sem cuidados…Depois só precisa arrumar os rodapés, tamanho da fonte…Boa sorte!

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