Hoje teve NewsCamp, no Fórum da Cultura Digital Brasileira, para desconferenciar o jornalismo colaborativo do Brasil. Ana Brambilla (Terra) e Rafael Sbarai (Veja) trouxeram suas experiências tanto acadêmicas como práticas. Ambos tiveram o OhMy News como objeto de estudo, ambos têm consciência da diversidade da web, da importância do público e conhecimento das possibilidades tecnológicas. Entusiastas e, sem dúvida nenhuma, grandes vitoriosos no jornalismo digital. São exemplos de luta para transformar a cultura de massa em processos mais colaborativos. É possível?
Eu não acredito nisso. Sorry! Pelo menos agora, definitivamente, NÃO. Pra mim, jornalismo colaborativo só se for feito fora da redação, na rua, com o público para o público, do lado do público. O desafio é que tudo isso não vira jornalismo colaborativo, senão tiver tecnologia e processos. E pra juntar público, processos e tecnologia leva “séculos”para os dias de hoje porque precisa juntar gente com o mesmo interesse. E, hoje, os interesses são muitos, diversos e difusos. Ou, extremamente pessoais. É difícil largar o próprio umbigo quando se exige paixão, garra e dedicação. Por isso, acredito que deve existir muita coisa de jornalismo colaborativo fora da redação, mas infelizmente não conheço, não faço parte e não tenho contato. Posso até ter ouvido falar, mas não caiu a ficha. Ou seja, não houve ainda a sensação de pertencimento, tão tuitado na tag newscamp de hoje.
E já que falamos de pertencimento, identidade e cultura, eu pergunto: como pertencer a grandes grupos de massa? Parece que a resposta continua a mesma: sendo audiência. Aquilo que os idealistas consideram público para um potencial “jornalismo colaborativo” dentro dos veículos de comunicação, na minha opinião, é MASSA, é tráfego, é resultado para o dono do jornal. Eu, particularmente, ainda acho que há muitas práticas – chamadas de colaborativas – que são pura exploração de mão de obra. Não é por acaso que se preocupam tanto com filtros…Quem explora precisa moderar, senão sai do controle mesmo.
Colaboração, pra mim, exige inserir o outro no processo produtivo e isso requer ( de novo) tecnologia, processos e pessoas. As redações que desejarem fazer um jornalismo colaborativo não têm de ir às redes sociais procurar conteúdo, audiência ou resultado, mas parceiro, colaborador e público. Se um dia isso acontecesse, as redações teriam de investir mais em educação, formação e cidadania. E, detalhe, muitos processos teriam de ser revistos com a inserção dos colaboradores no processo produtivo de conteúdo. Exemplo? O timing da notícia, a circulação e a distribuição.
É por isso que acredito que jornalismo colaborativo só fora da redação. Mas essa possibilidade também é uma luta que requer vitoriosos como a Aninha e o Sbarai, que acreditam na transformação humana. Mas não basta só acreditar e querer essa mudança, é preciso agir. É comum nós, brasileiros, esperarmos pela chance, a oportunidade ou deixar na mão do outro aquilo que só você poderá fazer por você. E, pra mim, o começo disso tudo é (de novo) o pertencimento. Cadê o grupo dos jornalistas empreendedores, que estão fora da redação, lutando na raça sozinho sem apoio financeiro, tentando descobrir as técnicas das ferramentas ou a formatação dos projetos? Please, preciso conhecer você!
Sensações
Cada segundo a mais me convenço de que mídias sociais AINDA são apenas técnicas ou resultados. É impressionante como a TECNOLOGIA domina tudo (affffffff). No auge dos blogueiros, o valor estava na mão de quem sabia programar, otimizar e trazer tráfego. Tive a sensação de que, na Cultura Digital, o valor está no audiovisual e também nos desenvolvedores. Porquê? Money, money, money!!!! A maioria dos editais exige inovação tecnológica, imagem ( tv digital continua aí) e ainda há a Lei da Transparência no Brasil. E as empresas continuam buscando tráfego para publicidade. Afinal, tudo é uma questão de técnica, resultado e público? Ou, público, processos e projetos? Difícil escolha…
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Estou iniciando blog de categoria profissional, por isso passei por aqui em busca de conhecimento sobre a blogosfera. Parabéns pela atuação!
abs
TeoFranco
Editor BlogdoAFR.com