Blogs: um olhar sonolento

Depois de quase três anos de retiro, volto devagarinho a olhar os blogs. Nunca os abandonei por completo, mas deixei de observar o fenômeno, de participar da comunidade e de utilizá-lo de forma estratégica. Desde 2009 mergulhei na academia e fechei os olhos para as práticas das chamadas mídias sociais. Ainda sonolenta, resolvi entender o que dizem nossos especialistas?

Comecei pela velha listinha de Raquel Recuero… De cara detectei que o pioneirismo pela investigação do tema veio das mulheres, no entanto, quem sobe mais ao palco são eles. Você tem razão…Eu ando mesmo exagerada com essa questão de gênero. Mas não é por acaso: durante meu retiro, encontrei uma dissertação que mostrava que mais de 80% do ranking brasileiro de blogs de 2008 era feito por homens, cuja média de audiência diária era acima de 10 mil visitas. Não achei o link entre meus favoritos, mas a colaborativa Aninha Brambilla confirma essa predominância global: 2/3 da blogosfera é feita por macho. E daí? Ué, esqueceu daquele papo de teia, cauda longa, audiência?

Apesar da constatação, optei por começar pelos meninos. Li Malini e Primo, mas só artigos. Recomendo muito o histórico feito por Malini porque nos traz a compreensão da diversidade dos blogs. Não é só uma questão de o termo blog designar ferramenta, texto e espaço como diz Primo, mas da complexidade histórica. Ou seja, são os fatos que vão complexificando e hibridizando (existem esses verbos?!?) as tecnologias como o blog.

Foi em 1997 que Jorn Barger começou a hiperlinkar páginas interessantes no Robot Wisdom, mas só dois anos depois (1999) que Peter Merholz criou o blogar, o blogueiro e o blog a partir da expressão We blog e também nasceu a plataforma Blogger. Ou seja, 12 anos de ferramenta e expressão contra 14 de post-link. Malini ao descrever esse histórico, no seu artigo,  destaca algo válido de registro e negrito: surgiu a lei blogueiro linka blogueiro no nascer do post-link.

A mistura mesmo veio com a prática. Foi em 2001,  com o atentado do 11 de setembro, que os blogs ganharam função de mídia, trazendo tudo aquilo que a imprensa não cobria. Foi neste ano também que Willian Quick batizava o fenômeno de blogosfera. É interessante ler e entender os impactos da geração de <<blogs guerra>> (MALINI). Esse artigo, aliás, nos dá o gostinho de quero mais. Quero saber quem investigou e pesquisou o histórico da nossa blogosfera? Please, algum link válido de registro e negrito?

Da leitura dos artigos de Primo destaco a linha do reflexivo, autoreflexivo e informativo. Quando a gente mistura as leituras fica com a sensação de que a tipologia proposta por Primo segue a história da blogosfera, que começou informativa ( linkando aquilo que é relevante para seu grupo) – ou fazendo mesmo um clipping – e tornou-se reflexiva a partir da distribuição da ferramenta gratuita. Interessante perceber a necessidade de defesa de que blogs não são diários. Talvez isso seja resultado da confusão de alguns pesquisadores relevantes, que afirmaram isso no começo da brincadeira.

Ter ciência da prática da reflexão no uso da ferramenta me faz viajar nas mudanças do jornalismo, que adota uma técnica bastante informativa pra deixar o texto com a cara de mercadoria. Muita gente pesquisou essa relação, mas não sei quem mergulhou fundo no impacto dessas narrativas, alguma dica?

Referências bibliográficas:

  1. Por uma genealogia da Blogsfera: considerações Históricas (1997 a 2001)
  2. Blogs e seus gêneros: Avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em língua portuguesa
  3. A cultura blog: questões introdutórias
  4. Os blogs não são diários pessoais online: matriz para tipificação da blogosfera

 

Sobre ceilasantos

Profissional da Colaborativa Produções Culturais
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5 respostas para Blogs: um olhar sonolento

  1. Oi Ceila,
    tá boa querida?
    vc conhece a lista das blogueiras feministas?
    tem o blog tb http://blogueirasfeministas.com/
    capaz que lá na lista tenha mais gente que já andou pensando nesse assunto.
    abço
    lilian

  2. Pingback: O que virou da Blogosfera profissional? |

  3. Priscila Fulvia disse:

    Apesar de eu achar que vc deve dar uma caprichada no design do blog… Achei mais do que TOP você colocar Referências bibliográficas no final do post!
    Isso torna o que vc diz mais confiável, este blog com certeza vai entrar para minha lista! =)

  4. ceilasantos disse:

    Valeu seu achismo sobre o layout. Acho que o design mostra-se cada vez menos casca, pois ele também retrata o perfil de quem escreve, mas o fato de você reconhecer a credibilidade da fonte como um critério para tornar meu blog um dos seus já é o melhor dialogo que podemos travar. Seja bem-vinda ao meu mundinho feio, mas limpinho.
    Abraços e obrigada!

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