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Agentes: mordomo ou mala direta?

Janeiro 6, 2009 · 4 Comentários

Estou quase chegando ao fim do  “velho” Cultura da Interface (ufa!) e, por isso, precisei recorrer ao sistema de busca para resgatar um dos capítulos mais interessantes do livro: Agentes!!! O resultado, desta vez, foi bem melhor que a busca feita no passado e acabei conhecendo dezenas de leitores do Steven Johnson. A maioria deles questiona o alerta do autor sobre os efeitos dos agentes digitais.

Ops! Sorry! Também não tem idéia do que são esses tais agentes? (Lógico que sei! Então pula o próximo parágrafo!)

Eu não sabia quem eles eram quando a Polly já os antecipava no comentário feito no post Fragmentos da Cultura da Interface. Gostei muito da frase – O computador como personalidade, não como espaço – que Johnson usa para definir os recursos de programação que são os agentes da interface. Ele acrescenta: Chamamos essas novas criaturas – essas PERSONALIDADES DIGITAIS – de agentes. Mas isso, fora do contexto, pode não dizer nada. Por isso, leia o resumo que a turma da Universidade Estadual de Londrina fez aqui sobre quem são eles.

Eu até viajei junto nas ameaças dos agentes viajantes, mas confesso que o alerta que mais me chamou atenção foi sobre a publicidade: O perigo tem mais a cara da mala direta que do mordomo? Outra frase que vale a pena registrar é: a propaganda vai se transformar na arte de controlar agentes, através de suborno ou pirataria! Não dá pra acompanhar Johnson sem pensar que a internet foi feita para sugar nossos desejos. Soa extremista demais, uma conspiração industrial, mas também um pouco óbvio, não?

Talvez porque interpretei que Johnson coloca na balança dois caminhos divergentes: agentes da publicidade contra “avanços” da interface.   “Precisamos de mapas rodoviários melhores no espaço-informação, não de um melhor serviço de entrega”

A sensação ainda é de que a publicidade, por aqui, brinca de pirataria  já que é raro receber uma mala direta de acordo com meus gostos e preferências, mas não podemos negar que os marketeiros descobriram os nichos e segmentos por meio das associações, certo? A boa notícia dada por Johnson é de que gostos não se traduzem simplesmente em fórmulas simples. Não é àtoa que a gente joga 70% das coisas na lixeira. Acho que jogo mais: 90%.

Mas ele já cita, na época, o potencial dos feedbacks e diz: “vamos migrar do sistema idiotizante mas estável da mídia de massa para reino mais anárquico dos circuitos de feedback culturais”. E conclui exatamente o que muita gente aqui e agora já sentiu na pele: a diversidade e mutação dos nossos gostos na era das máquinas do caos!

PS: Vale a pena ler a resenha do livro escrita por Bianca Brancaleone!

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Jornalismo participativo ou colaborativo?

Dezembro 17, 2008 · 3 Comentários

Existe diferença entre jornalismo colaborativo e participativo? Para muita gente não, mas pra quem faz jornalismo na prática com a interação do usuário, parece que essa diferença pode ser determinante, inclusive, para o negócio, se é que existe algum nessa seara.

Tenho a sensação de que definir se o site será apenas participativo implica priorizar, por exemplo, recursos como comentários, chat, fóruns, perguntas e por aí vai, enquanto quem deseja colaboração deve olhar muito para sistemas de auto-moderação, de reputação, dádiva, ou qualquer critério que o qualifica com determinado status para fazer, inclusive, a edição do seu site.  Sei que não é tão simplista assim, mas é uma forma de organizar a bagunça das idéias, enquanto ainda não mergulhei no mundo dos filtros.

Essa é apenas minha percepção, mas é bom lembrar que aqui é um blog e que não sou articulista nem phd, acadêmica, ou especialista da área, ok? Sou apenas uma aprendiz da internet!

A minha dúvida de agora é justamente essa: quais são os elementos que retratam melhor a participação? E quais são aqueles necessários para colaboração?

Tenho a sensação de que participar é rápido, fácil e estabelecido, enquanto colaborar exige tempo, esforço e autonomia.

Qualquer um pode falar mal de você, mas são poucos que vão te analisar, pesquisar e ainda buscar um contexto para dar continuidade àquilo que você escreveu e ele não gostou. Tá entendendo onde está a diferença de quem colabora e quem participa?

Participar é simples e exige pouco do outro e do código desenvolvido. Tão pouco que tudo deve estar ali de fácil acesso e da maneira mais clara possível para ele clicar, participar, ler e comentar.  Mas se seu desejo é que haja colaboração, comprometimento, é necessário que, além de tudo isso citado acima, você ofereça a ele exatamente o que ele quer e, detalhe, como ele bem entende. Isso exige dar total autonomia a ele, inclusive da tomada de decisão pra onde o seu site deve ir.  Isso exige uma estratégia mais elaborada para desenvolver as ferramentas certas para a comunidade correta.

Eu já vinha divagando aqui tais diferenças, mas só consegui dar nome aos bois dessa minha experiência em observar quem colabora e quem participa quando a Lia Rangel deixou claro, durante o NewsCamp, sobre a importância de diferenciar esses conceitos para definir a estratégia adotada no Roda Viva, da TV Cultura. Por isso, pergunto: qual é diferença de tais conceitos, please!?

Conseguir discernir tais atitudes da interação com usuário parece que lhe dá capacidade para enxergar melhor os processos das áreas fora da sua competência como  comercial e técnica. Não só porque a participação demanda coisas diferentes da colaboração, mas também porque ela resulta em produtos diferentes. E, além disso, essa premissa determina de certo modo o fluxo da interação do usuário no processo de produção de conteúdo.

Minha sensação é de que aquela questão do moderar, ou não, determinado conteúdo deixa de existir como dúvida porque segue o príncipio do site. Se o leitor participa, ele não modera. Se ele colabora, então, a moderação precisa ser automatizada pra que haja interação do colaborador. Nada é tão simples como escrevo agora, mas apenas uma forma de sintetizar dois caminhos, os quais convergem para mesma funcionalidade: a interação - seja ela de um cidadão, um hacker, um blogueiro, um jornalista, um gestor, um publicitário, uma empresa ou um xaropeta da vida que adora encher o saco do outro. E aí topa participar desta minha divagação neste espaço de conversa?

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Eureca do Link

Novembro 29, 2008 · Deixe um comentário

Esse título foi copiado de uma frase do livro A Cultura da Interface ( que continuo nos primeiros capítulos – vergonha!), onde Steven Johnson começa a explicar sobre o mal uso do verbo surfar para a “navegação” da web. Ele explica que o verbo veio para retratar a chegada do controle remoto da TV e alerta: mudar de canal não é como mudar de site. A idéia é o seguinte: na TV, você muda pelo tédio. Na web, a mudança ocorre pelo interesse. E daí?

Daí que aquelas reportagens que você leu sobre déficit de atenção, relações casuais são muito mais relacionadas à telinha da sala/quarto do que essa que está na sua frente. Ele ainda ensina aquilo que a gente já considera óbvio demais: eu mudo conforme meu vínculo. “vários destinos são ligados por vínculos sociais”, diz ele. Assim surge, no livro, a frase que copio agora: a eureca do link.

Relato essa parte do capítulo porque eu sofro muito ainda por não conhecer tais detalhes. Acha que estou sendo dramática? Então, venha conhecer detalhes sobre o sofrer do Cabeça de Papel que mexe com a internet:

Sabe qual é o principal desafio da Cabeça de Papel entender o liniking? Responda-me: existe diferença entre notícia, artigo e reportagem? Tem certeza? Mas você concorda que artigo, notícia e reportagem são conteúdo, ou não?  Parece óbvio, né, (eita raiva!) mas lembro que levei a maior bronca de uma amiga porque eu dividia foto, texto e vídeo quando pensava na organização de um site. Ceila, o mundo é multimídia? Eu sei (você também sabe, né. aliás todo mundo sabe), mas eu preciso definir onde vai cada mídia, né? Hummm, isso é coisa de Cabeça de Papel que mexe com internet!

Pensar como Cabeça de Papel é um problemão porque a gente acredita que entendeu a eureca da web ao ter conhecimento de que óbvio que notícia, reportagem e artigo assim como foto, vídeo e texto são conteúdo. Mas o modo de fazer continua baseado em seção, categoria, essa porra hierárquica e específica que ainda faz parte do nosso dia a dia. Ou seja, não é raro você encontrar um site que divide o tipo de conteúdo e depois descobre que ele não pode atualizar assim, ou assado, porque há uma hierarquia estabelecida que difere o conteúdo nos formatos editoriais. Entendeu onde mora o pecado de ver a web com Cabeça de Papel?

Você pode continuar adotando narrativas diferentes ao escrever uma notícia, reportagem ou artigo e até definir espaços prioritários para tais conteúdos na web, mas cuidado para não amarrar seu site. Pense bem onde há associação dos tipos editoriais. Peça ao seu programador ou webdesigner lhe questionar muito o que você pretende fazer ao diferenciar tais notícias das reportagens porque, com certeza, ele vai achar estranho essa mania nossa de querer colocar as coisas nas suas devidas convenções do jornalismo do papel.

Continuo nos primeiros capítulos do livro e estou aqui rindo à toa porque lembrei de uma reunião onde precisávamos decidir o nome do grupo e meu modo de pensar era por categorias: frutas, comidas, brinquedos, contos de fada…(Alerta: Olha que eu vivo na pele o puro elo de associação, hem!!!!) Até que a Lia não aguentou e ria do meu jeito “categorias de pensar” e assim descobri o quanto ainda penso a internet como Cabeça de Papel. São detalhes, mas essenciais para nossa transformação de pensar onde vai cada documento que produzo como jornalista.

Eu já me acostumei com a “digestão” lerda que tenho entre o surgir as questões e o entendê-las. Uma delas foi o perceber que a coleta das leituras que faço na minha lista de blogs era bastante parecida com a apuração que faço no telefone para papel. A diferença é que eu não precisava cortar nem editar os 5 mil caracteres que cada fonte falava em dois parágrafos. Bastava colocar o link do blog no meu post. O resultado, entretanto, daquilo que fazia para papel com o que fazia no blog era imenso. Mas não sabia explicar este IMENSO. Só hoje descubro que, apesar de precisar interpretar em ambos processos, o relatar do papel vira um comentar cheio de associações diferentes no blog/ou num site como Desabafo de Mãe. Mas agora novas questões começam a ganhar força no meu caderninho.

A que mais gosto é: o link pertence às periferias culturais, não aos conglomerados high tech (ACHO QUE ISSO TÁ MUDANDO, NÃO?) e acabo de achar que o papel do jornalista é solucionar a semi-semelhança, conectar os elos, dar um nome à face.

Agora, chega de divagação de aprendiz! “Vambora pro” NewsCamp! É hoje, uai…Tá com preguiça? Vai ter transmissão ao vivo. Basta acessar aqui!

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Conteúdo do “site do cliente” é responsabilidade de quem?

Outubro 17, 2008 · 3 Comentários

Preciso desabafar de novo. Sorry! Não aguento mais…Tem coisas na área de comunicação que nunca vou conseguir entender. Uma delas é o site corporativo. Socorro !!!!! Que conteúdo é esse? ( leia-se não só texto, mas interface e principalmente organização – sistema de rotulação…) Eu acho que esses detalhes são responsabilidade de quem cuida da comunicação corporativa. Ou seja, assessoria de imprensa e a área interna que ganha milhares pra cuidar do quê?…Da comunicação, certo?

Calma, não me refiro à qualidade de texto ( há até um bom conteúdo, ás vezes). É raro, mas existe. Meu susto é no fato do site ser um canal de comunicação e não seguir nada que eu imagino que diz o mantra da comunicação corporativa. Ou seja, no mínimo, que seja adequado e considere a identidade da marca, né?

Mas, responda-me, como uma assessoria de imprensa vai conseguir “vender” os “lides” dos jornais aos clientes se não faz o mesmo pra melhorar a imagem do “cara” na internet? Eu explico:

quanto mais a assessoria de imprensa é boa, melhor é a lábia do entrevistado pra convencer os intermediários ( nós, jornalistas, responsáveis pelo conteúdo) a inserir no texto os ‘valores” que vão construir a marca do cliente. Ou seja, o cara é tão treinado que consegue dar o ‘lide” da reportagem ao jornalista – que nem percebe que está literalmente contribuindo com a construção de marca da empresa, que vale bilhões de dólares (ás vezes), e a gente não chega na casa nem dos mil real pra escrever aquilo.  Claro que não teria sentido remar contra essa maré já que a informação não é falsa nem há interesse do público de desvendar o outro lado da moeda. Ou, se há interesse, a internet agora existe justamente pra preencher essas lacunas da mídia convencional. Mas meu foco não é discutir essa cadeia tão delicada. O título é claro: Conteúdo do “site do cliente” é responsabilidade de quem, cara pálida?

Deveria ser da assessoria de imprensa? Eu acho que sim. Mas não sou especialista. Nunca tive a experiência em trabalhar na área.

Parece ( não tenho certeza) que quem cuida disso é a agência de publicidade ou, pior, há chance de ser a fábrica de software???? Vocês, por acaso, já entrou num site de quem é especialista em fazer códigos? Então, faça isso agora e descubra, por exemplo, que nem endereço esses caras “têm capacidade” de colocar na página dos site deles próprios. Calma! Antes de me crucificar, veja bem, eu escrevi “fábrica de software”…Atenção: não escrevi agências especializadas em desenvolver sites corporativos, que pelo que lembro tem muita animação, inovação e parece que tem arquitetos de informação. Mas, não importa quem faz. Até porque o problema não é esse.

Só pra não criar confusão. não estou criticando competência nem sei avaliar nada de desenvolvimento, ok??????? A sensação é de que o Brasil tá recheado de gente boa pra fazer sites. O título é claro: CONTEÚDO.

Quem faz vai continuar fazendo e bem. Quem desenha, também. Mas, que raios, porque quem escreve não escreve junto com outros especialistas em conteúdo? Detalhe: quando escrevo “escrever” estou me referindo não só ao texto, mas ao sistema de rotulação, organização, estrutura mesmo, tá. Isso também é puro conteúdo.

Também vale lembrar que não escrevo sobre indústria de bens de consumo como as mega-super-hiper-conhecida do mercado, que contratam agências interativas pra fazerem seus sites. Não tenho a mínima idéia do que rola nesse mundo corporativo e em outros segmentos. Eu sou especializada em TI e Telecom. E, nesta semana, fui obrigada a olhar mais de 400 sites corporativos ( um frila que não vem ao caso) neste mês DESTE SEGMENTO. Ano passado, olhei quase 600. Houve uma evolução, é verdade.

Mas não dá pra ficar quieta diante da falta de cuidado com conteúdo. OK. Você tem toda razão quando pensa nos avanços quando lê algo que soa tão negativo como este texto. Mas, lembre-se, estou desabafandooooooooooooo. Mas vou tentar elencar os tais avanços:
Alguém descobriu que existe tradução do inglês para português…yes!
Nem todos descobriram isso ainda. pena!
Outros até descobriram que existe usabilidade, interface, mas a sensação é de que ninguém ainda acha válido cuidar do cotneúdo…

Calma! Não fica nervoso. Eu percebi que já há um cuidado de orientar o internauta de acordo com o perfil dele ( pequenas, médias e grandes empresas, segmentos verticais) ou ainda permitir que alguém navegue pelas tecnologias ou áreas de atuação da empresa. OK. É um desafio superado, mas isso é básico, né!

Atenção: Eu acho que esse processo citado acima deveria fazer parte do trabalho do assessor de imprensa. sim, você deveria acompnhar o arquiteto de informação, o web designer e o programador na hora do planejamento do site do seu cliente. Pra quê? Pra melhorar o contéudo, please. Isso não é sua responsabilidade???  Essa partipação neste processo contribuiria, inclusive, com seu dia-a-dia já que muitas vezes o “atendimento” nem sabe as áreas em que a empresa atua, imagina descrever a tecnologia. Afe!

Eu sei que há treinamento para isso ( conhecer a empresa) e estamos falando ( só pra variar) de mais um mundo CONCENTRADO, onde seu cliente faz de tudo. Eu vi. Você tem toda razão. Haja especialização e saco pra acompanhar tantas mudanças na sopa de letrinhas. Mas, é justamente, por isso, que site precisa de atualização. Ainda mais site de tecnologia que muda todo dia. Institucional não é sinônimo de estático. Afinal, as empresas andam, né? Nem é sinônimo de notícias, please! ( ainda é moda copiar notícia da mídia?) Tenha bom senso, faça apenas clipping.

O que mais me irrita é a falta do ONDE????????????? Caracas, telefone, endereço deveriam ser tão básico como o “quem somos”, please! E, detalhe, volto a dizer contato no site deve abranger sua área de comunicação, seja ela interna ou externa. Não vale formulário. Existe telefone e email ainda, por favor! E, pasmem, também existe espaços físicos com rua, bairro e cidade. Mas que importância tem isso? Nenhuma. Por isso, deve ser básico. Importante, mesmo, é o textinho que classifica a estrutura do site, que também diz claramente quem é a empresa, o que ela faz, entende?!

PS: antes de pensar em montar blog corporativo, cuida do conteúdo do site do seu cliente. Esse é um bom começo pra começar o relacionametno com as mídias sociais, que tal?

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Construir o NewsCamp é pura Arquitetura de Informação

Agosto 4, 2008 · 4 Comentários

Pode até parecer que o NewsCamp é um esforço doente que não vai refletir em nada na minha vida profissional já que AGORA não busco emprego e o evento parece resultar muito mais em networking e relacionamento. Mas meu foco sempre foi a troca de conhecimento. Como decidi correr atrás daquilo que me dá prazer e isso se chama internet, preciso trocar conhecimento URGENTE para poder inovar e ter meu negócio próprio. E como ainda não sei fazer todas as perguntas certas, nada adianta ter o Google na minha vida. Por isso, o “olho no olho” que permite o NewsCamp foi minha escolha para aprender a formular as tags certas na hora de usar o Google.

Esse foi meu objetivo pessoal quando pensei em fazer o primeiro NewsCamp, mas a partir do momento que a gente está disposto a compartilhar de graça e colocar seus desafios à tona, o jogo do ganha-ganha lhe traz resultados inesperados e muito além daquilo que o levou a arriscar seu tempo, sua vida e seu esforço ao mundo desconhecido. Além de aprender muitoooooooooo sobre jornalismo em cada NewsCamp a partir da fala de outras pessoas e da minha participação em cada sala que estive, eu descobri que formatar o NewsCamp envolve o mesmo desafio de definir a carinha do Desabafo de Mãe.

Na terceira edição do NewsCamp ficou claro que não dava mais para imitar a internet e deixar que cada um fizesse suas escolhas a partir das suas próprias experiências. Motivo? Muita gente que veio ao NewsCamp estava no mesmo estágio em que me encontrava: não sabia fazer as perguntas certas. Então, a troca de conhecimento continuava em águas rasas, apesar de muita gente ali viver a profundidade das questões que estavam sendo levantadas. Essa divergência de conhecimento não permitia que um ouvisse o outro. Então, surgiu a idéia das oficinas.

A idéia era “quem já mergulhou em assuntos que interessam a todos será responsável em alinhar nosso conhecimento para que a conversa aconteça”. Só que eu nunca tinha percebido que o NewsCamp também retratava a construção de um projeto web: pessoas diferentes com interesses comuns que por meio da web ( neste caso, das salas do Espaço Gafanhoto) podiam conversar e trocar conhecimento. Por mais óbvio que isso seja e por mais que eu tenha escrito isso, no passado, viver tal experiência na pele lhe permite mergulhar e entender melhor o óbvio.

Filtrando as críticas feitas ao NewsCamp, acabo de descobrir que o caminho para a nossa melhor desconferência é exatamente o caminho que os arquitetos precisam trilhar para descobrir o sistema de rotulação, navegação e a estrutura do site.

Explico: quando montei o Desabafo de Mãe pensei que estava concentrada 100% no público-alvo, mas continuava agindo como jornalista que organiza a informação a partir daquilo que é pauta. E seguindo a premissa de Steve Krug, do Não me Faça Pensar, para definir aquilo que no jornalismo a gente conhece como seções do jornal e na arquitetura de informação, eles definem como sistema de rotulação, acreditava que a melhor forma de organizar meu site era usando a estrutura tradicional da “concorrência” ( de outros sites de nicho): gravidez, bebês, primeira infância, segunda infância, terceira infância e adolescência. Ou seja, seis categorias de conteúdo, ou seis formas de organizar o conteúdo do site ou seis seções de jornalismo….Um número considerado alto, mas ainda aceito pelos teóricos da arquitetura de informação.

Afinal, quanto menos guarda-chuva você tem dentro do seu projeto, mais focado você está, certo?

Pois bem, qual foi a minha maior decepção no Meu III NewsCamp? A chatice dos horários, a minha preocupação doentia com os convidados por causa do horário e o receio de todas as TAGs definidas não serem discutidas naquele período de tempo. Então, meti os pés pelas mãos e perdi a chance de participar. Porquê? Simplesmente porque escolhi OITO oficinas, que seriam as oito tags do NewsCamp ou oito categorias de conteúdo de um projeto web ou oito formas de organizar o conteúdo de um site formando sua estrutura para uma boa navegação. Lembra de Krug? Quanto menos, melhor.

Elimine, elimine, elimine sem dó. Seja aquele editor que corta o sangue. Não tenha pena do outro. Diga Não ao outro. Ou seja, você precisa determinar sua própria escolha. Vai ter que deixar muito assunto fora da brincadeira se tiver um tempo limitado ( no caso do NewsCamp) ou um espaço limitado (no caso do site).

Então, acredito que a melhor desconferência seja aquela que tenha ainda mais foco. Quando Mucci disse que a TV digital deveria fazer o filtro do filtro do Google, ele também me ensinou que projetos que envolve pessoas diferentes com interesses comuns também devem fazer suas escolhas de forma radical. Ufa! Acho que agora COMEÇO a aprender a lição. E, enfim, posso ter condições de continuar a responder a primeira perguntinha de um plano de negócios: Ser ou não ser, eis a mídia social!

E, você, como tem sido seu caminho para definir o seu negócio na internet? Ah! isso é segredo estratégico, né? Hummmm, esqueci que você ainda vive impregnado no mundo da competição, mas caso esteja disposto a fazer parte do mundo colaborativo, que exige uma atitude de compartilhar coisas, comente aqui suas descobertas para definir seu negócio, que envolve pensar na estrutura do site, no seu público, no mercado em que atua, no CMS utilizado e por aí vai.

E, podem me chamar de burra como já fizeram na blogosfera ou até mesmo afirmar que o Desabafo de Mãe já deveria ser um sucesso, que eu sou teimosa e não vou mudar. Acredito que seja importante definir exatamente o que quero para que as coisas aconteçam de acordo com potencial que vejo na idéia que tive. Lapidar diamante leva tempo e envolve risco pode ser que aquilo que achava que era diamante é apenas um carvão ou pedra qualquer. E ainda dizem que fazer plano de negócio é simples……Ou que jornalista de internet não precisa ser arquiteto da informação. Tá bom!

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