Rever a curadoria e os palestrantes na platéia do Media On deu saudades da minha inocência infantil. Naquela época, ainda enxergava apenas os extremos das possibilidades da democracia de acesso, produção e circulação do conteúdo. Escutava apenas aquilo que fazia sentido para quem sonha com alternativas para a atual estrutura da mídia. Por isso, no auge da minha inocência, eu tinha absoluta certeza de que a hegemonia dos donos da mídia também estava em jogo. E, detalhe: os fragmentos, os múltiplos, os diversos e, principalmente, os pequenos teriam poder com seus respectivos públicos. Sim, poder de grana, além da transformação social!
Eu acreditava que os velhos grupos seriam eternos, mas não os via como os vejo hoje. Tenho a sensação de que ainda estou cega, mas desta vez minha crença está baseada em outros extremos das potencialidades das mídias digitais. Agora, ouço Joshua Benton como um uma mero telespectadora. Explico: No passado, cheguei até a acreditar que fazia parte do público e, detalhe, sem a hierarquia que carrego na identidade profissional que ocupo.Vejo no palco apenas um narrador que faz parte e fala para o mainstream. Agora, sim o discurso do palco ganha mais sentido. O extremo que vejo na internet agora é muito mais recheado de hegemonia e hierarquia do que democracia e mídias alternativas.
Sei que existe um meio do caminho, entre outros tantos tão diversos, mas estou vivendo e, falando, de EXTREMOS. Agora, meu olhar para as potencialidades da internet é de que ela reforça a concentração dos donos da mídia. A arrogância e gestão de links que Joshua cita no palco só faz sentido porque é a maneira como o velho profissional - dos grandes grupos - poderá explorar os outros. Pra mim, ainda soa mais como subordinação que parceria ou deslocamento de poder. A mudança parece deslocar apenas o meio, enquanto o status quo permanece vivo, forte e lucrativo.
Não é só o custo do papel, mas também as próprias cabeças de papéis. Muito MAIS com menos. Porquê vejo tudo tão extremista? Eu acompanhei muitos nascimentos de guetos, participei da construção dos quase impossíveis consensos e os caminhos trilhados apontam sempre para a mesma porta do passado. Lógico que a idéia sempre foi bater nessas portas, mas achei que haveria uma transformação. Ela não aconteceu ainda e o processo continua o mesmo.
Ouvir Joshua, entretanto, também mostra que há ainda um caminho em construção. Ele citou que a estrutura marxista da produção da notícia está em xeque. No mínimo, neste novo circuito foi eliminado o processo de circulação/impressão, acrescentado novos elementos no processo de produção. Mas cadê a criatividade para colocar essa nova estrutura pra rodar uma nova economia, inclusive entre quem são os donos da mídia?