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Media On – Joshua Benton

Outubro 29, 2009 · Deixe um comentário

Rever a curadoria e os palestrantes na platéia do Media On deu saudades da minha inocência infantil. Naquela época, ainda enxergava apenas os extremos das possibilidades da democracia de acesso, produção e circulação do conteúdo. Escutava apenas aquilo que fazia sentido para quem sonha com alternativas para a atual estrutura da mídia. Por isso, no auge da minha inocência, eu tinha absoluta certeza de que a hegemonia dos donos da mídia também estava em jogo. E, detalhe: os fragmentos, os múltiplos, os diversos e, principalmente, os pequenos teriam poder com seus respectivos públicos. Sim, poder de grana, além da transformação social!

Eu acreditava que os velhos grupos seriam eternos, mas não os via como os vejo hoje. Tenho a sensação de que ainda estou cega, mas desta vez minha crença está baseada em outros extremos das potencialidades das mídias digitais. Agora, ouço Joshua Benton como um uma mero telespectadora. Explico: No passado, cheguei até a acreditar que fazia parte do público e, detalhe, sem a hierarquia que carrego na identidade profissional que ocupo.Vejo no palco apenas um narrador que faz parte e fala para o mainstream. Agora, sim o discurso do palco ganha mais sentido. O extremo que vejo na internet agora é muito mais recheado de hegemonia e hierarquia do que democracia e mídias alternativas.

Sei que existe um meio do caminho, entre outros tantos tão diversos, mas estou vivendo e, falando, de EXTREMOS. Agora, meu olhar para as potencialidades da internet é de que ela reforça a concentração dos donos da mídia. A arrogância e gestão de links que Joshua cita no palco só faz sentido porque é a maneira como o velho profissional - dos grandes grupos - poderá explorar os outros. Pra mim, ainda soa mais como subordinação que parceria ou deslocamento de poder. A mudança parece deslocar apenas o meio, enquanto o status quo permanece vivo, forte e lucrativo.

Não é só o custo do papel, mas também as próprias cabeças de papéis. Muito MAIS com menos. Porquê vejo tudo tão extremista? Eu acompanhei muitos nascimentos de guetos, participei da construção dos quase impossíveis consensos e os caminhos trilhados apontam sempre para a mesma porta do passado. Lógico que a idéia sempre foi bater nessas portas, mas achei que haveria uma transformação. Ela não aconteceu ainda e o processo continua o mesmo. 

Ouvir Joshua, entretanto, também mostra que há ainda um caminho em construção. Ele citou que a estrutura marxista da produção da notícia está em xeque. No mínimo, neste novo circuito foi eliminado o processo de circulação/impressão, acrescentado novos elementos no processo de produção. Mas cadê a criatividade para colocar essa nova estrutura pra rodar uma nova economia, inclusive entre quem são os donos da mídia?

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Aníbal Quijano – os fantasmas nossos de cada dia

Outubro 28, 2009 · Deixe um comentário

 Identidade, Modernidade, Democracia, Unidade e Desenvolvimento.
Esses são os fantasmas históricos colocados por Aníbal Quijano, um dos teóricos que faz parte da bibliografia da disciplina Cultura Brasileira, no Celacc (ECA-USP). Infelizmente tenho lido bastante picado o imenso volume de livros propostos no curso, o que fragmenta ainda mais minhas idéias e interpretações. Logo, resulta em posts ainda mais confusos e egoístas (sorry!)

O que me faz blogar sobre Quijano é a idéia sobre os (des) encontros. Ele diz: o novo não acabou de nascer e o velho não terminou de morrer. Esse paradigma, aliás, é o que permeia a história de Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. São momentos de (des) encontros como esse que há oportunidade de enxergar as coisas de forma diferente daquela que estamos acostumados. Ou seja, os (des) encontros permitem a ruptura do pensamento da ordem dualista, sequencia unilinear e unidirecional de evolução. É uma oportunidade de pensar diferente e perceber que a história segue uma ordem associativa, extremamente complexa, contraditória e descontínuas de significados.

Quijano acredita que os fantasmas (citados acima) sempre nos perseguem porque o tratamos ainda como colonizados/colonizadores ( pensamento eurocêntrico). Ou seja, de forma fragmentada, separada, por etapas e tentamos resolvê-los gradualmente e em sequência. E, por isso mesmo, consideramos as propostas e tentativas meras utopias. Ou seja, ninguém as vê como propostas de novos sentidos históricos até porque a maioria realmente não é. Todo esse contexto permeia a cultura da América Latina, mas cada paragrafo lido me remetia à Comunicação, mídias sociais, comunidades, blogs e por aí vai.

Não é por acaso que a cada aula reforço a premissa de que COMUNICAÇÃO É PURA CULTURA, ou vice-versa. A hegemonia da cultura de massa segue muito bem a cartilha do pensamento eurocêntrico e o ecossistema que forma a Imprensa é recheado de pensamentos dualistas, progressistas e lineares. Pelo menos essa foi minha vivência. Meu maior desafio quando resolvi entrar na turma dos blogueiros foi abandonar a cabeça de seções, categorias, segmentos e nichos. Eu via tudo dentro de caixas. Não tinha capacidade de associar, ligar, interagir…

Hoje ainda é muito complicado inverter toda minha experiência, mudar meu jeitinho de pensar, mas ler Quijano permitiu entender um pouco a razão desse meu jeito de agir. Não é só cultural ( o que já é um motivo e tanto), mas também tem uma carga histórica. Confesso que olhar as potencialidades das redes e mídias sociais agora faz mais sentido, porém demonstra o TAMANHO  do desafio. Minha sensação é de que a internet também potencializa a concentração e a hierarquia, o que torna as quatro famílias da MÍDIA ainda muito mais importante do que quando vendiam só papel. Afinal, agora – além delas estarem relacionadas a grandes grupos de telecom – o público cresceu e ainda tem muita gente que trabalha de graça pra eles.

PS: o material disponível em um dos links acima faz parte dos Estudos Avançados, de 2005 e também do curso de extensão universitária Gestão de Projetos Culturais

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Não se alienem de sua criatividade!!!!

Outubro 16, 2009 · Deixe um comentário

O título é copiado daqui. Eu já tinha ouvido falar do Dimantas e do Felipe Fonseca, mas só agora começo a ter dimensão de quem são esses caras. Deu vontade de gritar, chorar e rir ao mesmo tempo enquanto lia o post da Gambiarra. Minha vontade foi além de remixar, blogar e distribuir…Quero vestir a camisa e sair aí pelos cantos com indicador fixo para mensagem. A Gambiarra é válida para as mães, mulheres, blogueiras e toda Sociedade da Informação. Eu não tenho idéia do todo que representa esse post, mas sinto ele na pele. Vivi muito disso, ainda engatinho para deixar a submissão de transformar tudo em produto de lado, mas já começo a respirar outros ares.

É uma questão de processos. Confesso que eu continuava processando tudo sem virar a cabeça. Agora tô começando a plantar bananeira. Ando só caindo, é verdade, mas recomeçar é muito bom. Cada tentativa realmente torna o problema menor. E como já foi exagerado meu jeito de ver as coisas. Tudo tão dolorido e tão abundante. Tão ingênuo e tão vítima. Mas extremamente necessário. Eu agradeço por cada caída, cada buraco, ruptura e pelas pessoas más que passaram pelo meu caminho. Valeu a pena!

Ler Dimantas e Fonseca me faz acreditar que é necessário fazer diferente. Não se trata de negar o óbvio. É preciso seguir em frente, buscar as pessoas certas, formar as infinitas redes, construir e reconstruir a si mesmo. Não é fácil. Tenho a sensação de que o gênero potencializa meu jeito de olhar as coisas, mas chega de ser boazinha. É hora de fazer gambiarra. Se estiver disposto, o convite tá feito!

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Jesus Martín Barbero – Um encontro com os acadêmicos

Agosto 18, 2009 · 5 Comentários

Ontem, talvez, tenha sido o meu primeiro contato, de fato, com a área acadêmica. Participei da Aula Magna com Jesus Martin Barbero, promovida durante o Fórum Permanente de Programas de Pós-graduação em Comunicação do Estado de São Paulo, que aconteceu no Memorial da América Latina, de São Paulo. A sensação era de pura transformação. Para se ter uma idéia, o espanhol terminou sua aula com seguinte discurso: “tudo que sabemos, sabemos entre todos”

Foi mágico ver um senhor com seus cabelos brancos com idéias consideradas tão atuais e, de certa maneira, até revolucionárias. Ele acredita que pesquisadores devem ter imaginação e ainda critica o olhar tão comum de considerar a oralidade um analfabetismo. “Tem outras culturas além do livro“, alertou Barbero. Nunca li nada sobre autor, mas a entrevista dele concedida à Matrizes, enviada por email pela organização do evento como material de apoio, já dá um gostinho satisfatório do que prega Jesus. Me lembrou muito a leitura que tive de Maria Nazareth Ferreira  – outra senhora revolucionária que conheci na ECA conforme já relatei aqui  porque ambos parecem se preocupar com as atuais trajetórias das pesquisas na área de Comunicação.

Eu ainda estou deslumbrada com o discurso de ambos. Logo, tudo que penso alto por aqui tem a parcialidade da paixão pelo novo. O que mais tem me cativado a mergulhar neste universo ainda desconhecido é a possibilidade  de mudança e de integração com os demais pensadores da América Latina. Ter um ponto de partida que não seja tão europeu nem norte-americano me fascina e me atrai. Vale registrar aqui o que anotei da entrevista de Barbero:

Sabíamos que estávamos presos, mas pelo menos dentro do grupo da alaic existia uma consciência clara de que era preciso criar um pensamento latino-americano, de que não se tratava simplesmente de misturar coisas que vinham da semiótica com outras do marxismo e da teoria da dependência.

A sensação é de que o caminho das pesquisas é muito novo e , de certa maneira, segue a prática da “butique” ( copiar e seguir os norte-americanos) e se molda muito de acordo com investimento. Parece até que há modismos nos temas escolhidos como as ondas que vivemos no mundo de cá, dos pobres mortais. Tudo é pura percepção pessoal…Entretanto, meu perfil de jornalista de bloquinho trouxe também algumas informações de discursos soltos que vale compartilhar por aqui:

São 36 programas de pós-graduração na área de Comunicações no Brasil e 14 delas estão localizadas no Estado de São Paulo. Na década de 70, as pesquisas feitas eram resultados de trabalhos que confundiam investigação com pesquisa, em 80, surgiram as linhas de pesquisa cheia de categorias e com foco ainda no modelo linear. Parece que tudo se move entre o objeto de conhecimento ser os MEIOS  ou as Mediações ( acho que isso em função do convidado, que tem um livro focado neste tema) e também que agora entramos na fase de analisar as interações, cognição, simulacros. Agora, a questão é como se comunica? Barbero alerta que pensar como exige saber o que

Foram muitos os fragmentos que restaram deste encontro e prometo retomá-los por aqui. Fui!

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Teoria da Recepção, Stuart Hall

Agosto 13, 2009 · Deixe um comentário

O título deste post é referente ao pedacinho do livro “Da Diáspora – Identidades e Mediações Culturais“, que trata-se do meu primeiro “trabalhinho’ em grupo lá no curso Gestão Cultural. Eu passei os olhos no texto, depois reli a primeira parte e fiz um resuminho no google docs. Cada membro do grupo também fez seu resuminho no Google e depois nos encontramos pra discutir como seria a apresentação do grupo. Resultado: nenhum resumo tinha nada a ver com outro e o único consenso entre os resumos era de que Stuart Hall propunha um conceito diferente do modelo emissor/mensagem/receptor porque o considerava linear.

A proposta de Hall baseava no esqueleto da produção de mercadorias apresentada por Marx. Todo mundo entendeu as seguintes palavras-chave: cíclico, multireferencial, Marx e articulação, entre outras. Saimos de lá e só agora, quando reli pela segunda vez o texto, sinto menos perdida.

Estou contando esta rotina toda para chamar atenção no desafio que é ler códigos. Ler códigos? Sim, a escrita acadêmica é um código e para decodificá-lo, é preciso entender as regras acadêmicas. Eu, como ainda não as conheço, resolvi googlar para ver como Hall era decodificado pela rede. Pasmem?! O que aconteceu?

De novo, cada um teve uma leitura bastante particular, dentro de outro contexto, enfim, dificil achar o link preferencial ( que combina com a minha leitura). Destaco dois deles (pra não dizer que  achei 5,1 mil links sobre tema):

O Café com Notícias, um blog de estudantes de jornalismo, foi mais similar com a minha pobre leitura porque fez um resuminho com algumas interpretações, pegando pedaços ( paragrafos inteiros) originais do texto. Seria uma resenha, dentro de um blog no formato pdf. Veja com seus próprios olhos e decodifique com seus próprios códigos o link aqui 

Outro achado foi  da Intercom ( a partir da página 9) que avalia e compara a Teoria de Hall dentro de uma pesquisa de Mauro Porto, que lê Hall de um jeito completamente diferente do pouco que entendi diante das suas conclusões. entretanto, explica a teoria e ainda a contextualiza. Destaco a conclusão dele: Portanto, um dos principais problemas do modelo é o fato de que ele parte do pressuposto de que as mensagens da mídia sempre expressam a ideologia dominante, através de leituras e significados “preferidos”.
Eu interpretava quase oposto disso porque na minha leitura, o que ouvi foi justamente o contrário: as mensagens da mídia não são uma repetição da ideologia, mas uma busca pelos significados que a idelogia constroi no seu mapa de sentidos.

 

 

 

Mas, afinal, o que é essa tal de teoria da recepção? Parece simples: é um novo modelo baseado em Marx para conceituar a prática de produção da mídia. Ok e onde entra a recepção dentro disso? Não faz pergunta dificil, mas acho que está ligado com a audiência. A relação entre audiência e a produção. Não dá pra entender um sem o outro, saca? Eles são relacionados. Mas isso é obvio? Pois é justamente por pensar assim que fica dificil entender o código. Que tal de código é esse, Ceila? Sorry!!!! Não dá mesmo pra explicar de maneira simples, apesar de parecer tão simples. Então, lá vai o que eu joguei no google docs para meu grupo de estudo, quem sabe você não pode decodificar a mensagem pra gente:

Primeiro, Hall vai defender um novo conceito de como funciona a mídia e defende que em todos os momentos há codificação e decodificação. quais momentos?
 
1- produção ( mensagem)
2-circulação (discursiva)
3- distribuição (discursiva)
4- consumo ( sentido)
5- reprodução (valor de uso social)
 
Cada momento deste é determinista no fluxo de produção (fixo), porém cada momento isolado é um processo de codificação e decodificação (articulação). Como estes cinco momentos foram criados a partir da teoria de Marx, ele resulta num produto. qual produto? a mensagem que só é consumida se tiver sentido e valor de uso social. Outra coisa importante é de que a Circulação (2) e a Distribuição (3) só são realizadas de forma discursiva. E, detalhe, todo discurso envolve a operação de códigos. Logo, circulação e distribuição envolve o processo de codificar e decodificar um discurso. E onde está o codificar/decodificar do restante do fluxo ( produção/consumo/reprodução)?
 
o circuito de produção da mídia produz (1) uma mensagem codificada na forma ( 2 e 3) de um discurso significativo.
 
A meleca toda começa porque ele vai explicar cada pedacinho dessa frase aí em cima e mistura uma porrada de coisa só pra dizer como se constroi o código da mensagem. Para nos convencer disso, ele argumenta contra as seguintes teorias:
1- abordagem do conteúdo do behaviorismo, onde acontece a teoria semiotica ( signos – pierce)
2-teoria linguística ( conotação e denotação), onde acontece a codificação
3-teoria da percepção seletiva ( audiencia) onde acontece a decodificação a partir dos seguintes hipotéticos códigos dominantes, códigos profissionais, códigos negociados e os códigos de oposição

Não entendeu nada? Hummmmm, eu fiz outro resuminho da mesma coisa, quando dei uma passada de olhos. Veja se facilita ou complica:

 

 

Stuart Hall traz três inovações nos conceitos de Mídia. Primeiro ela não funciona de forma unidirecional no modelo “produtor emite a mensagem ao receptor”. Ele ensina: “produzir a mensagem não é  uma atividade tão transparente como parece”. Segunda mudança: a lógica da mídia não é determinista, mas sim multirreferencial. Porém, os momentos do fluxo de produção são deterministas. Ou seja, a mensagem tem sentido diferentes de acordo com a referência do receptor. A terceira inovação é contra a idéia de que a relação de produção do conteúdo está relacionada ao consumo (grana e capital). Ou seja, Hall não acredita nos ditados populares: “a TV é ruim porque é o que o povo gosta. Audiência é quem manda. circo para povo…”. Ele alerta para o fato de que o consumo determina a produção assim como a produção determina o consumo. Ou seja, a relação da produção de conteúdo é um resultado de articulação entre os circuitos de produção.

 

 

 

E aí, algum comentário que possa resultar numa mensagem mais transparente, clara e decodificada para a maioria?

 

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Massa, mídia e escala de blogs

Agosto 4, 2009 · 2 Comentários

Tenho a sensação de que hoje é o primeiro dia do ano de 2009 que, pasmem!!!, estou com tempo para navegar na web sem ser de madrugada. É tão bom que dá medo de estar sonhando…Mas antes que esta conversa transforme-se num manifesto sobre tempo, escolhas e autonomia, resolvi blogar porque li o Barbusci, no post A internet como mídia massa?, e ao ouvi-lo fiquei intrigada. Você também acha que a internet é uma mídia massa como a TV? Sério?

Putz! É por isso que eu tenho medo de números e raiva por não ter nascido gostando de matemática…Explico: eu acho muito arriscado enxergar a internet como mídia de massa. Ter 50 milhões de conectados em rede não significa ter todo este potencial para vender anúncio e proclamar o consumo. Eu ainda vejo a internet bastante fragmentada e é exatamente isso que faz ela valer a pena. OK, mas o que é mídia de massa? Ainda não virei uma insuportável de carteirinha para saber conceituar tudo, mas no mínimo, me lembra escala. E é justamente isso que tem estragado a maioria das iniciativas privadas dentro das redes sociais. Exemplo?

Três meses atrás liga um garoto de uma agência, que já foi um blogueiro admirável, querendo colocar um anúncio no Desabafo de Mãe. O critério de valor era aquele determinado pelos portais no passado, o tal CPM( custo por milhões, ou algo assim..), que vale alguns centavos, porque a regra é escala. Resultado: não aceitei. Então, garoto me “ensinou” o nome do jogo: Ceila, mas é melhor ter pouco do que ter nada, né?

Tenho a sensação de que olhar a internet como mídia de massa é justamente o que prejudica a inovação. Se aquele garoto tivesse sendo pago para descobrir formatos de como atribuir valor ao conhecimento adquirido pelas trocas fragmentadas entre pessoas ao inves de ligar para 200 blogueiros para oferecer-lhe centavos por milhões de páginas, talvez estaríamos aprendendo a reconhecer um novo modelo de economia para a internet que não é mídia, massa nem escala.

anotações: o valor de troca das mercadorias, sejam ou não materiais, não é mais determinado em última análise pela quantidade de trabalho social geral que elas contém, mas, principalmente, pelo seu conteúdo de conhecimentos, informações, de inteligências gerais.

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Democratização no Ciberespaço é possível?

Julho 27, 2009 · Deixe um comentário

Ontem, terminei um dos capítulos do livro Reinventando @ Cultura, de Muniz Sodré, onde ele questiona as relações da Comunicação com Poder político clássico. A sensação é de que a tal democracia da informação é mesmo uma utopia. Sonhar com um jornalismo coletivo produzindo conteúdo com foco político, então… Eu ainda não sei o quanto a participação no jornalismo pode resultar em uma informação menos elitizada. E, você, qual sua opinião?

Confesso que preciso reler o capítulo, além de terminar o livro, para ter uma noção da mensagem deste baiano. Sodré descreve e cita diversas teorias para explicar que existe uma Crise da Representatividade política, que o Governo legitima seu poder baseado no crescimento econômico e que a Mídia ganha cada vez mais poder… Vale citar duas frases anotadas:

sobre o Estado (governo) …embora mantendo toda organização política  da época liberal (partidos, parlamento, sistema eleitoral), legitima-se de fato como gerador e facilitador de condições para o aumento do consumo

Já não se trata mais da velha imprensa como tribuna de uma consciência liberal, mas de um complexo integrado de formas de expressão escrita, falada e magistica, suscetível de construir uma verdadeira estrutura do poder

Depois, ele retoma algo tão óbvio que ás vezes escapa do nosso dia-a-dia: ” o acesso á informação define-se pela posição econômica do usuário. Em qualquer domínio, informação é algo que se vende, é o modo mais avançado de realização do valor do capital” Então, ele conclui que a tal democratização no ciberespaço: ainda permanecem no plano da pura euforia tecnológica, que tem sido uma espeécie de contraponto ideológico para o pessimismo característico das críticas intelectuais, direta ou indiretamente da Escola de Frankfurt.

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Capital Simbólico da blogosfera, como ele se forma?

Julho 4, 2009 · 12 Comentários

O abandono da vida online aconteceu por três motivos: trabalho, faculdade e terapia. Mas o que não faltou foram posts pensados no travesseiro…Vontade de lembrar pelo menos de alguns deles, mas agora não resta nenhum fragmento. O que me traz aqui é a primeira idéia sobre uma tese: Quais as trajetórias para formação do campo simbólico entre blogueiros? Essa foi a primeira pergunta, na sala de aula, que o Dennis sugeriu como tema para um TCC. Ainda não sei se é isso nem se devo trilhar para um mestrado de jornalismo, mas a sugestão dele me incentivou a voltar a falar com a telinha e quem sabe encontrar um maluco que navegue por aqui…

Calma! Eu vou dar um lide pra você entender um pouquinho por onde anda minha cabecinha perdida. Estou fazendo pós-graduação, no Celacc , sobre Gestão Cultural. Tudo é super embrionário, mas voltar ao clima da “facu” é renascer, sem dúvida nenhuma. Tenho duas disciplinas, uma que me ensina a pensar de forma prática ( Eventos, com Mariangela Haswani) e outra que me permite viajar pelas teorias da cultura.

O que é cultura?, eis a questão!
Essa é a nossa trajetória. Tentar definir ideologia, hegemonia, relações de poderes, consenso, cotidiano e por aí vai. Ainda não consegui ler nenhum livro inteiro, mas as fontes vão desde Platão, Aristotéles até Bourdieu, John Thompson e Muniz Sodré. Confesso que ouvir fragmentos das teorias desses caras é mais compreensível que fazer terapia em grupo. A sensação é de que todos falam a mesma coisa, mas os teóricos são mais claros do que os rituais das Mulheres que Correm com os Lobos.

O tema é simples: CULTURA. Compreendê-lo, entretanto, requer sair do difícil umbigo de ”olhar para si mesmo”, passar pelo outro e exige uma percepção do todo. E haja resistência de classe média!!! Confesso que antes de ouvir tais teorias, estava justamente na busca de pertencer a algum grupo econômico em função das leituras de Clarissa Estes - cheguei até imprimir relatórios do IBGE para tentar me encaixar na infinita classe média brasileira. Nos dias de hoje, talvez, seja quase impossível se encaixar  de acordo com aquilo que consumimos. Responda-me: quem hoje não tem geladeira, telefone, TV, celular e carro dentro de casa? Ok. Isso é tema para outro post.

Mas percebi que a trajetória humana passa mesmo pela Grana, Educação e Reputação. Essa triologia é um pouco do que restou da teoria de Bourdieu. A gente até aprende que por aqui, no Brasil, a matriz é muito mais complexa. Ou seja,  não adianta tentar imitar a trajetória de estudo do norte-americano para conseguir um salário nas multinacionais e, consequentemente, ter também o tal capital simbólico. Exemplos não faltam de trajetórias diversas que atingem o pico do capital simbólico e passa pelas tradições futebolísticas até as religiosas como camdomblé e ainda vale citar as peculiaridades regionais e as periferias das megacidades. Haja post pra pensar alto sobre tudo isso, mas o que me traz aqui ainda é o que me move pessoalmente: autonomia!!!!

Explico: Viver na marginalidade das redações, ser obrigada a voltar pelo dinheiro e,  AGORA ( depois de cinco anos de luta) ter conquistado uma certa autonomia do meu tempo (com quatro dias de home office e uma estabilidade financeira ,que ainda me encaixa no “infinito” grupo que consome gasolina, tv paga, celular pré-pago e banda larga, sem deixar de ter dívida com cheque especial) me levou a ouvir apenas a relação da autonomia na sala de aula.

O lance é simples e óbvio: no mundo das trocas do capitalismo, você vende seu tempo pelo salário e passa 90% da sua vida cumprindo uma tarefa demandada pelo outro, sem escolha, sem ruptura, quase alienante.  Ou seja, as escolhas acontecem não a partir daquilo que você quer fazer, mas daquelas que são possíveis agora.

Diante deste contexto fragmentado e confuso, a idéia é pensar como se forma o campo simbólico da blogosfera. Ou seja, para ter uma reputação diante do seu público, quais são as estratégias necessárias para sua valorização simbólica? É fato que quem tem reputação (capital simbólico) na blogosfera nem sempre tem money. Motivo? Apesar da reputação gerar audiência, alguns fatores podem impedir que o seu capital simbólico gere capital econômico: seu público, sua competência técnica ou sua “capacidade” de fazer negócio. Conhecimento também não é garantia de capital simbólico. Blogs muito cultos podem até ter uma boa reputação, mas nem sempre tem uma quantidade considerável de audiência. E ainda tem os famosos que continuam ainda mais famosos na blogosfera. Não é tão simples assim, mas pensar as trajetórias a partir da teoria de Bourdieu na prática da blogosfera parece que não rola. Talvez, haja motivo para mergulhar na brincadeira. E, aí, alguém arrisca por onde começar?

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Feedback:O absurdo do atendimento da Vivo – Uma lição para Mídias Sociais?!

Março 13, 2009 · Deixe um comentário

Gentem, o feedback que recebi do post abaixo de amigos via email, telefone, msn, skype e etc, me deixou um pouco preocupada em relação a algumas interpretações. Então, vamos lá, sem meu estilo caótico de ser -detalhe: o qual eu tenho muito orgulho e prazer em ser caótica por natureza -, mas adotando uma narrativa de listinha, blz?

1-  Uma falha identificada não retrata o todo
2- Não. Eu não estou brava como consumidora da Vivo e, se estivesse não faria isso aqui, mas no espaço destinado a isso: jornal, coluna de prestação de serviço, reclame aqui, procon, anatel, blog de amigo que tem este objetivo,ok?…
3- Eu estou muito brava, revoltada e acho um absurdo o que o executivo fez comigo, profissionalmente. Assim como acho o mesmo absurdo se ele tivesse feito isso com uma outra pessoa de qualquer profissão, entretanto, isso não me levaria à revolta para blogar
4- O fato de ter sido O Executivo que agiu desta forma não exclui a marca da empresa. Qualquer profissional da Vivo, pra mim, representa quem a empresa é. Eu não falo com instituições nem marcas, falo com pessoas que fazem a marca e a instituição ser quem a empresa representa pra mim, ok? Ou seja, pra mim, não existe porta-voz institucional.
5- A razão da minha raiva não é de ter sido tratada pelo executivo da maneira em que fui tratada. Eu nunca fui arrogante o suficiente como jornalista pra achar que preciso de um tratamento diferenciado ou privilegiado. Isso não significa que eu não seja arrogante. Eu sou e muito, mas não por essas coisinhas.
6- A minha raiva brotou de forma exclusivamente PROFISSIONAL. Eu ainda sou alguém que faço as coisas por tesão e paixão. Sim eu gozo quando sinto cheiro de uma boa pauta e, eu fiquei neste estado quando ouvi o cara em cima do palco. Eu gostei da pauta, pensei no lide, defini a estrutura da reportagem e ainda analisei como poderia distribuir essa produção nas mídias existentes do veículo o qual eu presto serviço, enquanto ouvia o cara no palco. Minha revolta surgiu quando o cara desceu do palco e assumiu a postura relatada no post aí debaixo.
7- Eu não fui nenhuma “cega” nem “surda” nesses mais de 10 anos de profissão para nunca ter ouvido de um executivo: Eu posso ler a matéria antes? Ouço isso frequentemente, mas nenhum executivo virou as costas, enquanto eu o “educava”, explicando a razão de não deixá-lo ler a nota previamente. Eu explico que fui formada para apurar e escrever ( é o meu trabalho) e que o meu veículo não é corporativo, ou institucional, a ponto de ser aprovado pela própria fonte e ainda deixo claro que, se houver algum problema após a publicação, eu assumo meu erro de interpretação, caso o erro seja meu, ou se houver dúvida, eu ligo novamente pra fonte. Porém, este é meu trabalho: intermediar a informação. Ainda, dependendo do frila, eu respondo que eu não daria, mas que como presto serviço, eu vou passar a demanda para o veículo, ok? Afinal, nem sempre conheço a política da empresa.
8- O que me levou escrever aqui o ocorrido não é para brigar ou provocar algum auê. Minha intenção aqui – bastante arrogante, aliás – é compartilhar uma atitude comum dos executivos, que particularmente eu considero fruto do trabalho de comunicadores e que, neste caso, foi um pouco além do tradicional. Por isso, achei que era válido colocar a boca no trombone porque, neste momento, a área de comunicação COMO UM TODO  busca respostas para melhorias de como lidar com as mídias. Eu sou assim. Tenho essa mania doentia ainda e, para muitos, uma mania boba e que não vale a pena. Pra mim, essa sou eu. Sorry!
9-A minha mensagem - agora, clara, sem jeito caótico de ser - é: como um profissional que descreve um projeto que exigiu treinamento e capacitação para mudança de cultura dentro da empresa assume uma postura inversa quando sai do palco? Essa foi a questão que me levou à revolta. Hoje, a maioria das empresas investe em governança corporativa da mesma forma que investiu na automação do atendimento no passado. Todo discurso sobre governança, ou qualquer outro processo que automatiza funções dentro da empresa ressalta a questão da importância das pessoas e, consequentemente, da mudança cultural. Ninguém muda ninguém, mas as pessoas (  E O MUNDO) mudam quando observam a mudança no outro.
10- O fato que aconteceu com o executivo da Vivo poderia acontecer com o cliente de qualquer BOM ASSESSOR OU RP. É apenas uma falha comum, o que não representa que a área de atendimento da Vivo para jornalistas é um absurdo. As pessoas tem uma mania doente de sintetizar tudo em função do ritmo em que vivemos. Tudo é bom ou ruim. Eu acho isso ainda mais absurdo do que o fato que aconteceu comigo. Tenho pena de quem interpreta o mundo desta maneira porque deve sofrer demais quando enxerga o mundo com apenas duas saídas: a boa e a terrível. Calma! Olha pro lado. Tudo é muita coisa, caraca. Não é uma falha que define o todo. Eu aprendi a ler tudo sabendo que aquilo faz parte de uma versão. O desafio é identificar as diferentes versões. Tenho a sensação de que identificar as diferentes versões é impossível. Por isso, jornalismo e direito, enfim, a área de comunicação como um todo é tão complexa. E, juntos, podemos buscar soluções, blz? Mas nada será um dia perfeito. Pelo menos, eu não acredito na perfeição humana.

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#CParty: festa individual!

Janeiro 22, 2009 · 2 Comentários

O zumbido continua na cabeça sete horas depois…
Desta vez, não é nenhuma confusão gritante que martela na minha cabecinha de aprendiz! Ando cada vez mais quieta dentro de mim mesma. É o ruído do meio ao vivo, a cores, cheio de desconhecidos, grandes amigos, poucos mestres, enfim, o caos proposital da Campus Party! Ela teve um gosto muito melhor agora que no passado! É tão bom ter tempo para saborear, olhar e despedir…É assim que me sinto agora: cheia de disposição pra dizer adeus!

Sem lágrimas! Pelo contrário. Aprendi a me despedir das etapas sem aquele rostinho vermelho, mas com a garra necessária para seguir em frente, recomeçar e aprender tudo de novo. Parece até fragmentos de porra nenhuma…Mas é pura constatação. Hoje tive aquele olhar parado no horizonte, enquanto dirigia pela Bandeirantes. Sabe quando você insiste em passar as mãos pelos cabelos? Foi assim que cheguei no meu segundo dia de Campus Party.

Não sabia muito bem porque continuava indo ali. Afinal, o que me leva enfrentar de novo esse meio maluco que me fascina e repugna ao mesmo tempo? Um ódio de mim mesma ao fechar a porta do carro, carregar mais de 3 kg a tiracolo e ainda ter que fazer ronda do online antes de olhar pro meio. Nenhuma cara conhecida: alivio?! Trabalho e começo a navegar pela Campus Party e de cara encontro Sikora com Cazé de frente para bancada do CP Labs. Ufa! Valeu tantooooooooooo…

Almoço sozinha. Uma vontade louca de fumar…Putz! Essa mania politicamente correta precisava ser mais comercial, caracas: custa fazer um cafezinho com puf para fumantes???! Money! Afinal, ainda tudo é grana mesmo, ou não? Hummmmmmm, tudo indica que sim! Ela também é meio…

OK. O jeito é fingir que a política do anti-fumantes é legal e sair na chuva fina. Cumprimento a Sam, marido e amiga e esbarro com Savazoni, que aceita um café, me ensina sobre o Gil, cibercultura na prática, política, vamos navegar pelo meio pra ver qual é, então? O encontro marcado no barcamp parece que está legal, mas também me lembra passado, parado e sorry não dá pra ouvir NADA. O que? Quem? Ah? Alguém fala do Publico! como solução para as novas idéias…Ah! Quem sabe um dia. Eu prefiro sonhar acordada agora.

Continuo navegando pelo meio… Acabo caindo onde o mestre alertou: numa sala afastada com gente falando de ponto cultura, espaço democratizado, apoio…Risos internos! Acho que o problema do Brasil é não saber o significado de apoio, capacitação, formação e colaboração. Sinto que quanto mais capacidade o camarada tem pra colaborar maior a probabilidade dele só fazer coisas viáveis. E, aqui nesse mundinho, quase nada é viável agora. OK. Você venceu. É raiva mesmo, mas passa.

Conseguiu chegar até aqui?
Ah, então,
vai pra lá. O link é da palestra que ouvi hoje no meio do caos. Queria ter conhecido o cara depois, mas acabei saindo antes do fim… nem sei porque…Acho que foi fome. Mas foi um dos motivos que me levou a blogar, a sentir o quanto vale participar de uma festa solitária, cheia de gente, interligada por fios, sem conexão wi-fi…Valeu muito a pena a #Cparty de hoje! Agora ficou mais fácil identificar quem somos!

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