O título deste post é referente ao pedacinho do livro “Da Diáspora – Identidades e Mediações Culturais“, que trata-se do meu primeiro “trabalhinho’ em grupo lá no curso Gestão Cultural. Eu passei os olhos no texto, depois reli a primeira parte e fiz um resuminho no google docs. Cada membro do grupo também fez seu resuminho no Google e depois nos encontramos pra discutir como seria a apresentação do grupo. Resultado: nenhum resumo tinha nada a ver com outro e o único consenso entre os resumos era de que Stuart Hall propunha um conceito diferente do modelo emissor/mensagem/receptor porque o considerava linear.
A proposta de Hall baseava no esqueleto da produção de mercadorias apresentada por Marx. Todo mundo entendeu as seguintes palavras-chave: cíclico, multireferencial, Marx e articulação, entre outras. Saimos de lá e só agora, quando reli pela segunda vez o texto, sinto menos perdida.
Estou contando esta rotina toda para chamar atenção no desafio que é ler códigos. Ler códigos? Sim, a escrita acadêmica é um código e para decodificá-lo, é preciso entender as regras acadêmicas. Eu, como ainda não as conheço, resolvi googlar para ver como Hall era decodificado pela rede. Pasmem?! O que aconteceu?
De novo, cada um teve uma leitura bastante particular, dentro de outro contexto, enfim, dificil achar o link preferencial ( que combina com a minha leitura). Destaco dois deles (pra não dizer que achei 5,1 mil links sobre tema):
O Café com Notícias, um blog de estudantes de jornalismo, foi mais similar com a minha pobre leitura porque fez um resuminho com algumas interpretações, pegando pedaços ( paragrafos inteiros) originais do texto. Seria uma resenha, dentro de um blog no formato pdf. Veja com seus próprios olhos e decodifique com seus próprios códigos o link aqui
Outro achado foi da Intercom ( a partir da página 9) que avalia e compara a Teoria de Hall dentro de uma pesquisa de Mauro Porto, que lê Hall de um jeito completamente diferente do pouco que entendi diante das suas conclusões. entretanto, explica a teoria e ainda a contextualiza. Destaco a conclusão dele: “Portanto, um dos principais problemas do modelo é o fato de que ele parte do pressuposto de que as mensagens da mídia sempre expressam a ideologia dominante, através de leituras e significados “preferidos”.
Eu interpretava quase oposto disso porque na minha leitura, o que ouvi foi justamente o contrário: as mensagens da mídia não são uma repetição da ideologia, mas uma busca pelos significados que a idelogia constroi no seu mapa de sentidos.
Mas, afinal, o que é essa tal de teoria da recepção? Parece simples: é um novo modelo baseado em Marx para conceituar a prática de produção da mídia. Ok e onde entra a recepção dentro disso? Não faz pergunta dificil, mas acho que está ligado com a audiência. A relação entre audiência e a produção. Não dá pra entender um sem o outro, saca? Eles são relacionados. Mas isso é obvio? Pois é justamente por pensar assim que fica dificil entender o código. Que tal de código é esse, Ceila? Sorry!!!! Não dá mesmo pra explicar de maneira simples, apesar de parecer tão simples. Então, lá vai o que eu joguei no google docs para meu grupo de estudo, quem sabe você não pode decodificar a mensagem pra gente:
Primeiro, Hall vai defender um novo conceito de como funciona a mídia e defende que em todos os momentos há codificação e decodificação. quais momentos?
1- produção ( mensagem)
2-circulação (discursiva)
3- distribuição (discursiva)
4- consumo ( sentido)
5- reprodução (valor de uso social)
Cada momento deste é determinista no fluxo de produção (fixo), porém cada momento isolado é um processo de codificação e decodificação (articulação). Como estes cinco momentos foram criados a partir da teoria de Marx, ele resulta num produto. qual produto? a mensagem que só é consumida se tiver sentido e valor de uso social. Outra coisa importante é de que a Circulação (2) e a Distribuição (3) só são realizadas de forma discursiva. E, detalhe, todo discurso envolve a operação de códigos. Logo, circulação e distribuição envolve o processo de codificar e decodificar um discurso. E onde está o codificar/decodificar do restante do fluxo ( produção/consumo/reprodução)?
o circuito de produção da mídia produz (1) uma mensagem codificada na forma ( 2 e 3) de um discurso significativo.
A meleca toda começa porque ele vai explicar cada pedacinho dessa frase aí em cima e mistura uma porrada de coisa só pra dizer como se constroi o código da mensagem. Para nos convencer disso, ele argumenta contra as seguintes teorias:
1- abordagem do conteúdo do behaviorismo, onde acontece a teoria semiotica ( signos – pierce)
2-teoria linguística ( conotação e denotação), onde acontece a codificação
3-teoria da percepção seletiva ( audiencia) onde acontece a decodificação a partir dos seguintes hipotéticos códigos dominantes, códigos profissionais, códigos negociados e os códigos de oposição
Não entendeu nada? Hummmmm, eu fiz outro resuminho da mesma coisa, quando dei uma passada de olhos. Veja se facilita ou complica:
Stuart Hall traz três inovações nos conceitos de Mídia. Primeiro ela não funciona de forma unidirecional no modelo “produtor emite a mensagem ao receptor”. Ele ensina: “produzir a mensagem não é uma atividade tão transparente como parece”. Segunda mudança: a lógica da mídia não é determinista, mas sim multirreferencial. Porém, os momentos do fluxo de produção são deterministas. Ou seja, a mensagem tem sentido diferentes de acordo com a referência do receptor. A terceira inovação é contra a idéia de que a relação de produção do conteúdo está relacionada ao consumo (grana e capital). Ou seja, Hall não acredita nos ditados populares: “a TV é ruim porque é o que o povo gosta. Audiência é quem manda. circo para povo…”. Ele alerta para o fato de que o consumo determina a produção assim como a produção determina o consumo. Ou seja, a relação da produção de conteúdo é um resultado de articulação entre os circuitos de produção.
E aí, algum comentário que possa resultar numa mensagem mais transparente, clara e decodificada para a maioria?