Busco meu caderninho de anotações desesperada pelos conceitos de Levy, mas encontro apenas uma citação de algum outro livro que não tenho idéia de qual seja que contribui para continuar minhas divagações: ” Se você for inovar tem que entender o valor do que está substituindo. Muitos projetistas tendem a subestimar o valor que as convênções têm”. Não era exatamente isso que buscava, mas a frase adequa se à conclusão que começa a surgir na minha cabecinha confusa de aprendiz.
O motivo do desespero pelas anotações da leitura feita sobre As Tecnologias da Inteligência (emprestado da biblioteca do SESC Pinheiros) é porque leio somente agora A Cultura da Interface, de Steven Johnson ( trocado no sebo da Pinheiros por uma pilha de livros velhos. Pra quem não tem uma pilha de livros velhos, o preço era de 18 reais) e me deparo com o mouse de Engelbart e a trajetória do desktop. Conhecer a história desses recursos me faz buscar a história que Levy conta sobre a impressão e o HTML…Motivo?
Sentíamos que estávamos fazendo alguma coisa diretamente com nossos dados, em vez de dizer ao computador que a fizesse por nós
Essa é a frase que leio agora, no livro de Steven Johnson, sobre o impacto da chegada do mouse para o mundo digital é a responsável pela divagação tão óbvia: se o mouse me faz sentir que tenho o poder nas mãos, mesmo que eu não tenha nenhuma capacidade de interferir, ou entender, o mundo binário dos códigos, o que foi que o HTML trouxe a mim? Penso na interatividade, mas lembro que tinha anotado algo a mais…O quê?
Não vou lembrar. Você lembra?
Mas qual a importância disso? Quero entender melhor a metáfora do HTML, do desktop e do mouse para, enfim, compreender a relação da mente/humano com a computação/programação/códigos. Mas pra quê perder tempo com isso? Quanto mais conheço, mais me perco ( eu sei. você tem toda razão)…porém, na divagação obscura, também sou capaz de elaborar novas perguntas. Mas, ok, você venceu. O que mais anotou no caderninho?
Filtros, filtros, filtros, lembra? Confesso que eles sempre foram uma montanha no meio do caminho do Desabafo de Mãe, na época em que nem tinha idéia que existia o Urso Branco, da dupla Peter Moville & Louis Rosenfeld. Vale lembrar de que o bom de ser amador na web é que quando você descobre os conceitos percebe a razão do desafio de não conseguir avançar em coisas que pareciam tão idiotas ou desnecessárias. Johnson escreve: “Informação digital sem filtros é coisa que não existe”.
Hummm, difícil não relacionar filtro com controle, moderação, sistema de busca, rotulação, arquitetura, política, democracia, hierarquia, perfis… Haja associação! Em tempos de mobilização como os de hoje, então, não dá pra escapar dos direitos versus vigilância e, usando Google diante dessa divagação maluca de interfaces, eis que reencontro Deak no Observatório da Imprensa. Fica mais fácil entender, agora, a relação dos parasitas, da TV e da participação… Johnson escreve que os programas televisivos que comentam sobre a própria TV devem ser olhados como a transição do conteúdo da TV para internet.
Os parasitas televisivos serão uma espécie de esquisitice evolucionária, um ancestral distante que partilhava alguns fios de DNA cultural com as espécies contemporâneas, mas nunca chegaram a vingar em seu próprio ecossistema
Essa frase, talvez, representa a anotação mais forte no meu caderninho porque me faz pensar na mudança do “contar histórias” para a relevância do comentar, desmantelar, dissecar. Opa! Então, é isso!? Comentar tornou-se um gênero diante do velho contar histórias. Calma! Ninguém comenta sem história. Dependência total? Afinal, as grandes marcas podem até não serem mais as únicas “donas” da comunicação, mas ainda continuaremos a falar das grandes marcas, lembra?
PS: A Cultura da Interface é um livro antigo (1997) que “todo mundo” diz que já leu, mas você não encontra muitas divagações numa pesquisa rápida no Google. Eu continuo no segundo capítulo, mas Alex Maron postou sobre livro.