Eu não tenho o hábito de utilizar este blog para os aburdos do meu dia-a-dia como usuária de algum serviço público. A idéia do Mídia Social surgiu com objetivo de aprendizado, registro, enfim, de usar a ferramenta para o ”pensar alto” sobre o fenômeno de blogs, redes sociais e, principalmente, sobre os desafios pessoais que tenho como profissional de internet na área de jornalismo para entender o que está acontecendo agora na dinâmica da cadeia de comunicação. Explico tudo isso porque o título deste post parece mais uma lamentação do tradicional usuário do serviço de telecom no Brasil, cujo atendimento é péssimo. Realmente, eu vou relatar aqui uma lamentação, mas acho que tal desabafo pessoal tem tudo a ver com Mídia Social, jornalismo e RP Digital.
A primeira lição que este blog me deu resultou num pico de audiência, com mais de 1 mil páginas vistas, num post que virou alvo de crítica de dois blogueiros, cujas quantidades de acessos são relevantes. Naquela época, eu sabia que blog era uma ferramenta que permitia conversações e ainda liberdade de expressão. Também tinha experiência e consciência do poder de divulgação de um blog para seus respectivos públicos. Mas, a lição que eu aprendi aqui vai muito além de conceitos ou consciência: eu descobri na pele as tais mudanças culturais, que são questionadas há séculos por quem assume o papel de jornalista. Com a internet, não existe a pessoa com perfis segmentados de acordo com ambiente em que ela está naquele momento. Aqui, você é a Ceila Santos, consumidora, jornalista, blogueira, mãe, amiga, inimiga, enfim, todas as atribuições do seu vizinho ou anônimo em relação a “quem você é” estão em jogo. Esse é o preço da transparência.
Entenda: você, como profissional, pode e deve assumir diferentes posturas diante da ferramenta em que trabalha. É o seu papel como profissional saber lidar com as narrativas de acordo com as respectivas características do veículo de comunicação, seja um blog, uma revista, um site de notícias ou um site de participativo. Mas, o público…Ah! O PÚBLICO pode ser o mesmo e ele agora te conhece, meu caro, sabe a hora em que você vai dormir, quem é seu marido, a posição profissional que você ocupa e ainda seus conflitos pessoais expostos nas listas de emails, nas conversações entre os blogs e ainda no seu site participativo. Essa lição, talvez, tenha sido uma das melhores que tive em toda minha vida conectada. E, é por isso, que hoje utilizo o Mídia Social para desabafar o que acaba de acontecer comigo.
Eu sou cliente da Vivo e quando assumo o papel de jornalista - escrevo há quase 9 anos sobre setor de telecomunicações na área de imprensa e sou reconhecida como especialista na área com dois Prêmios Imprensa Embratel de veículo especializado – continuo sendo cliente Vivo. Eu, como jornalista, posso “aceitar” os maiores absurdos entre os conflitos do discurso e da prática, mas como também sou blogueira posso me expressar sobre eles, entendeu??????? Essa lição, talvez, seja a mais importante para as empresas que ainda não entenderam o que significa o “fim” do controle do acesso à informação com chegada dos blogs.
Você, pessoa jurídica, executivo, que representa os valores da marca da sua empresa, pode até ter o poder de filtrar as informações quando segue uma política de relacionamento com os veículos, determinada pela sua área de comunicação ou assessoria de imprensa. Você - pessoa jurídica, executivo, que representa os valores da marca da sua empresa - também ainda mantém o poder de filtrar as informações de acordo com as políticas editoriais de cada veículo. Mas… lembra do público? Então, ele é o mesmo. Eu sou jornalista, mas também sou consumidora e você precisa entender isso para se relacionar melhor com seu público. Porque, agora, o jornalista pode ter blog e, consequentemente, liberdade de expressão.
Por isso, a política de comunicação da sua empresa precisa ser coerente, ser revista e seguir os príncipios de governança corporativa. Chegou a hora de rever os processos. Se seu trabalho como executivo é buscar melhorias nos sistemas de informação para atender melhor o público da sua empresa. A sua área de comunicação precisa lhe capacitar para se relacionar diante daquilo que sua empresa prega como discurso de marca.
A Vivo tem entre seus valores de marca as seguintes tags: simplicidade, entusiasmo, confiança, sustentabilidade, interação e qualidade. Essa foi a informação concedida pelo executivo, durante um evento realizado hoje, em São Paulo, com foco em sistemas de TI. Depois que o executivo detalhou todos desafios superados para implantar um sistema que, detalhe, busca oferecer qualidade de serviços ao consumidor, cujo um dos objetivos era ter o mesmo serviço para os diferentes canais de atendimento, ele respondeu a mim que não podia esclarecer minhas dúvidas sem falar com assessoria de imprensa. Tudo bem. Isso AINDA é uma prática natural do mercado.
Mas… eu insisti informando ao executivo que ia fazer uma notinha sobre o painel que, detalhe, eu e mais 30 executivos estavam presentes. Ou seja, a informação é pública. Então, ele me questionou: mas vou ler esta nota antes? Respondi que NÃO. Então, a pessoa jurídica – que representa a empresa a qual eu sou cliente – virou as costas e me deixou ali plantada, sem esclarecer minhas dúvidas de jornalista. A historinha que me interessa como jornalista é de como a Vivo implantou o tal sistema, que demandou revisão de processos e de CULTURA dentro de casa para atender melhor cliente.
Tem idéia de quanto a Vivo gastou com esse projeto, que acontece desde 2003????? Ela investiu muito em capacitação e treinamento, mas esqueceu de um detalhe pequeno: o PÚBLICO. Seu público não é o funcionário, o jornalista, a área de negócio, mas please, é também o consumidor. Ou melhor, é tudo isso junto. Não adianta pensar dentro de caixas, seguindo uma postura de acordo com as regras que lhe convém dentro daquela caixa. Agora, as caixas foram rasgadas. Do que adianta gastar milhões de dólares em definição de valores de MARCA se elas só são praticadas em pedaços. NÃO SE ESQUEÇA DA LIÇÃO DO MARKETING: AS MARCAS MAIS VALIOSAS SERÃO AQUELAS MAIS FALADAS PELA DISPERSÃO DA INFORMAÇÃO. Por isso, lembre-se sempre do seu público ( e de suas metas) na hora de se relacionar com outro.