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Massa, mídia e escala de blogs

Agosto 4, 2009 · 2 Comentários

Tenho a sensação de que hoje é o primeiro dia do ano de 2009 que, pasmem!!!, estou com tempo para navegar na web sem ser de madrugada. É tão bom que dá medo de estar sonhando…Mas antes que esta conversa transforme-se num manifesto sobre tempo, escolhas e autonomia, resolvi blogar porque li o Barbusci, no post A internet como mídia massa?, e ao ouvi-lo fiquei intrigada. Você também acha que a internet é uma mídia massa como a TV? Sério?

Putz! É por isso que eu tenho medo de números e raiva por não ter nascido gostando de matemática…Explico: eu acho muito arriscado enxergar a internet como mídia de massa. Ter 50 milhões de conectados em rede não significa ter todo este potencial para vender anúncio e proclamar o consumo. Eu ainda vejo a internet bastante fragmentada e é exatamente isso que faz ela valer a pena. OK, mas o que é mídia de massa? Ainda não virei uma insuportável de carteirinha para saber conceituar tudo, mas no mínimo, me lembra escala. E é justamente isso que tem estragado a maioria das iniciativas privadas dentro das redes sociais. Exemplo?

Três meses atrás liga um garoto de uma agência, que já foi um blogueiro admirável, querendo colocar um anúncio no Desabafo de Mãe. O critério de valor era aquele determinado pelos portais no passado, o tal CPM( custo por milhões, ou algo assim..), que vale alguns centavos, porque a regra é escala. Resultado: não aceitei. Então, garoto me “ensinou” o nome do jogo: Ceila, mas é melhor ter pouco do que ter nada, né?

Tenho a sensação de que olhar a internet como mídia de massa é justamente o que prejudica a inovação. Se aquele garoto tivesse sendo pago para descobrir formatos de como atribuir valor ao conhecimento adquirido pelas trocas fragmentadas entre pessoas ao inves de ligar para 200 blogueiros para oferecer-lhe centavos por milhões de páginas, talvez estaríamos aprendendo a reconhecer um novo modelo de economia para a internet que não é mídia, massa nem escala.

anotações: o valor de troca das mercadorias, sejam ou não materiais, não é mais determinado em última análise pela quantidade de trabalho social geral que elas contém, mas, principalmente, pelo seu conteúdo de conhecimentos, informações, de inteligências gerais.

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Como se relaciona com blogueiros, jornalistas, egos e vaidades?

Março 18, 2009 · 5 Comentários

Eu participo de uma roda de “conversas” via email de uma turma que cuidava da intermediação entre imprensa e empresas e, agora, com a chegada de blogs e redes sociais, essa galera também aprende a se relacionar com blogueiros, orkuteiros e tudo que é considerado mídia na web. Na verdade, não há muitas conversas nem troca nessa roda (uma pena. Mas já há roda, um avanço). O fato é que o pouco que ouço dessa roda soa sempre o mesmo discurso: como vai ser a partir de agora? Eu não sei, mas ainda acho que bom senso é regra pra tudo, inclusive para relacionamento ou divulgação, seja com jornalista ou blogueiro.

Um exemplo claro da falta de bom senso é fazer um evento para jornalistas e blogueiros, onde somente aqueles que moram fora da cidade de São Paulo tem direito ao almoço servido após coletiva de imprensa, que termina ao meio dia. Detalhe: com uma coletiva agendada para 15h00. Quando alguém explica que discriminar não é bom verbo, esse alguém quer dizer que discriminar qualquer um, seja blogueiro ou jornalista, não é legal NUNCA.
OK! Orçamento apertado! Então, não faz outra coletiva ás 15h00. Ou, no mínimo, dê condições aos residentes de Sampa se alimentarem…Jornalista não tem cacife pra pagar buffet de 75 reais e, muito menos, tempo para pegar uma fila enorme porque restaurante do evento não comporta o número de participantes presentes. Detalhe: nenhum restaurante mais em conta oferecia serviço para pagamento com cartão de crédito ou débito.  Responda-me: onde está o bom senso de uma agência que permite acontecer isso?

Conversei esses dias com blogueiro que vem frequentando bastante os eventos que, no passado, eram recheados exclusivamente por jornalistas. Ele comentou comigo que, pelo menos, as velhas assessorias têm noção do básico: oferece material de apoio, não faz sorteio ridículo como as agências especializada em mídia digital - segundo ele, teve um evento para blogueiro que a agência teve capacidade de permitir que a empresa sorteasse o teste ( leia, de novo, o TESTE) do equipamento - mas ainda o tratam “cheio de dedos”. Eu imagino e vejo o quanto os olhares dos assessores voltados a alguns blogueiros são: o que eu faço? Nada de diferente, uai. É um intermediário da informação como outro qualquer – só que o blogueiro opina e pode falar a verdade dos detalhes que um jornalista ignora. E você, meu caro, não terá controle sobre ele como pode ter quando fala com um jornalista, saca? É isso pronto e acabou.

Aiiiiiiiiiiiiii, não! Você ainda está preso naquela ladainha de quem é quem na blogosfera????????? Se ainda está nessa, sorry, precisa ler muito para entender a diversidade dos blogs. Eles são tudo e, inclusive, podem ter o mesmo papel que os articulistas do velho jornalzão tem há séculos como podem ser apenas mais um blog/comercial/monetizado que vive de promoções e post pago. Seu papel como um RP é ler blogs. Sorry! Tem que ler ou pagar alguém pra ler e saber do que se trata aquele blogueiro. Recebeu listinha de indicações do amigo do amigo do amigo que lê blogs, basta ler os cinco últimos posts que conseguirá identificar qual é a dele, ok? Você pode errar, mas tente acionar o bom senso!

Outro exemplo da falta de bom senso é agendar entrevistas exclusivas antecipadamente e deixar os jornalistas da grande imprensa acompanhar a” exclusiva” do jornalista especializado, mas não deixar o especializado acompanhar a exclusiva do jornalista da grande imprensa. Pega mal. É feio e, de novo, faz parte de quem tem cultura de discriminar quem é quem…

Eu não tenho nenhuma experiência nem conhecimento acadêmico de RP Digital, Assessoria de Imprensa, Comunicação Corporativa, mas ser blogueira há quatro anos e mais de 12 anos de jornalismo me leva a crer que o BOM SENSO deveria ser a regra número um pra quem ganha muito dinheiro para intermediar a relação entre imprensa, blogueiro e empresa, além das vaidades e egos que estão em todos lugares dessa cadeia de gente.

Fui!

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O absurdo do atendimento da Vivo – Uma lição para Mídias Sociais?!

Março 11, 2009 · 7 Comentários

Eu não tenho o hábito de utilizar este blog para os aburdos do meu dia-a-dia como usuária de algum serviço público. A idéia do Mídia Social surgiu com objetivo de aprendizado, registro, enfim, de usar a ferramenta para o ”pensar alto” sobre o fenômeno de blogs, redes sociais e, principalmente, sobre os desafios pessoais que tenho como profissional de internet na área de jornalismo para entender o que está acontecendo agora na dinâmica da cadeia de comunicação. Explico tudo isso porque o título deste post parece mais uma lamentação do tradicional usuário do serviço de telecom no Brasil, cujo atendimento é péssimo. Realmente, eu vou relatar aqui uma lamentação, mas acho que tal desabafo pessoal tem tudo a ver com Mídia Social, jornalismo e RP Digital.

A primeira lição que este blog me deu resultou num pico de audiência, com mais de 1 mil páginas vistas, num post que virou alvo de crítica de dois blogueiros, cujas quantidades de acessos são relevantes. Naquela época, eu sabia que blog era uma ferramenta que permitia conversações e ainda liberdade de expressão. Também tinha experiência e consciência do poder de divulgação de um blog para seus respectivos públicos. Mas, a lição que eu aprendi aqui vai muito além de conceitos ou consciência: eu descobri na pele as tais mudanças culturais, que são questionadas há séculos por quem assume o papel de jornalista. Com a internet, não existe a pessoa com perfis segmentados de acordo com ambiente em que ela está naquele momento. Aqui, você é a Ceila Santos, consumidora, jornalista, blogueira, mãe, amiga, inimiga, enfim, todas as atribuições do seu vizinho ou anônimo em relação a “quem você é” estão em jogo. Esse é o preço da transparência.

Entenda: você, como profissional, pode e deve assumir diferentes posturas diante da ferramenta em que trabalha. É o seu papel como profissional saber lidar com as narrativas de acordo com as respectivas características do veículo de comunicação, seja um blog, uma revista, um site de notícias ou um site de participativo. Mas, o público…Ah! O PÚBLICO pode ser o mesmo e ele agora te conhece, meu caro, sabe a hora em que você vai dormir, quem é seu marido, a posição profissional que você ocupa e ainda seus conflitos pessoais expostos nas listas de emails, nas conversações entre os blogs e ainda no seu site participativo. Essa lição, talvez, tenha sido uma das melhores que tive em toda minha vida conectada. E, é por isso, que hoje utilizo o Mídia Social para desabafar o que acaba de acontecer comigo.

Eu sou cliente da Vivo e quando assumo o papel de jornalista -  escrevo há quase 9 anos sobre setor de telecomunicações na área de imprensa e sou reconhecida como especialista na área com dois Prêmios Imprensa Embratel de veículo especializado – continuo sendo cliente Vivo. Eu, como jornalista, posso “aceitar” os maiores absurdos entre os conflitos do discurso e da prática, mas como também sou blogueira posso me expressar sobre eles, entendeu??????? Essa lição, talvez, seja a mais importante para as empresas que ainda não entenderam o que significa o “fim” do controle do acesso à informação com chegada dos blogs.

Você, pessoa jurídica, executivo, que representa os valores da marca da sua empresa, pode até ter o poder de filtrar as informações quando segue  uma política de relacionamento com os veículos, determinada pela sua área de comunicação ou assessoria de imprensa. Você - pessoa jurídica, executivo, que representa os valores da marca da sua empresa - também ainda mantém o poder de filtrar as informações de acordo com as políticas editoriais de cada veículo. Mas… lembra do público? Então, ele é o mesmo. Eu sou jornalista, mas também sou consumidora e você precisa entender isso para  se relacionar melhor com seu público. Porque, agora, o jornalista pode ter blog e, consequentemente, liberdade de expressão.

Por isso, a política de comunicação da sua empresa precisa ser coerente, ser revista e seguir os príncipios de governança corporativa. Chegou a hora de rever os processos. Se seu trabalho como executivo é buscar melhorias nos sistemas de informação para atender melhor o público da sua empresa. A sua área de comunicação precisa lhe capacitar para se relacionar diante daquilo que sua empresa prega como discurso de marca.

A Vivo tem entre seus valores de marca as seguintes tags: simplicidade, entusiasmo, confiança, sustentabilidade, interação e qualidade. Essa foi a informação concedida pelo executivo, durante um evento realizado hoje, em São Paulo, com foco em sistemas de TI. Depois que o executivo detalhou todos desafios superados para implantar um sistema que, detalhe, busca  oferecer qualidade de serviços ao consumidor, cujo um dos objetivos era ter o mesmo serviço para os diferentes canais de atendimento, ele respondeu a mim que não podia esclarecer minhas dúvidas sem falar com assessoria de imprensa. Tudo bem. Isso  AINDA é uma prática natural do mercado.

Mas… eu insisti informando ao executivo que ia fazer uma notinha sobre o painel que, detalhe, eu e mais 30 executivos estavam presentes. Ou seja, a informação é pública. Então, ele me questionou: mas vou ler esta nota antes? Respondi que NÃO. Então, a pessoa jurídica – que representa a empresa a qual eu sou cliente – virou as costas e me deixou ali plantada, sem esclarecer minhas dúvidas de jornalista. A historinha que me interessa como jornalista é de como a Vivo implantou o tal sistema, que demandou revisão de processos e de CULTURA dentro de casa para atender melhor cliente.

Tem idéia de quanto a Vivo gastou com esse projeto, que acontece desde 2003????? Ela investiu muito em capacitação e treinamento, mas esqueceu de um detalhe pequeno: o PÚBLICO. Seu público não é o funcionário, o jornalista, a área de negócio, mas please, é também o consumidor. Ou melhor, é tudo isso junto. Não adianta pensar dentro de caixas, seguindo uma postura de acordo com as regras que lhe convém dentro daquela caixa. Agora, as caixas foram rasgadas. Do que adianta gastar milhões de dólares em definição de valores de MARCA se elas só são praticadas em pedaços. NÃO SE ESQUEÇA DA LIÇÃO DO MARKETING: AS MARCAS MAIS VALIOSAS SERÃO AQUELAS MAIS FALADAS PELA DISPERSÃO DA INFORMAÇÃO. Por isso, lembre-se sempre do seu público ( e de suas metas) na hora de se relacionar com outro.

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Agentes: mordomo ou mala direta?

Janeiro 6, 2009 · 4 Comentários

Estou quase chegando ao fim do  “velho” Cultura da Interface (ufa!) e, por isso, precisei recorrer ao sistema de busca para resgatar um dos capítulos mais interessantes do livro: Agentes!!! O resultado, desta vez, foi bem melhor que a busca feita no passado e acabei conhecendo dezenas de leitores do Steven Johnson. A maioria deles questiona o alerta do autor sobre os efeitos dos agentes digitais.

Ops! Sorry! Também não tem idéia do que são esses tais agentes? (Lógico que sei! Então pula o próximo parágrafo!)

Eu não sabia quem eles eram quando a Polly já os antecipava no comentário feito no post Fragmentos da Cultura da Interface. Gostei muito da frase – O computador como personalidade, não como espaço – que Johnson usa para definir os recursos de programação que são os agentes da interface. Ele acrescenta: Chamamos essas novas criaturas – essas PERSONALIDADES DIGITAIS – de agentes. Mas isso, fora do contexto, pode não dizer nada. Por isso, leia o resumo que a turma da Universidade Estadual de Londrina fez aqui sobre quem são eles.

Eu até viajei junto nas ameaças dos agentes viajantes, mas confesso que o alerta que mais me chamou atenção foi sobre a publicidade: O perigo tem mais a cara da mala direta que do mordomo? Outra frase que vale a pena registrar é: a propaganda vai se transformar na arte de controlar agentes, através de suborno ou pirataria! Não dá pra acompanhar Johnson sem pensar que a internet foi feita para sugar nossos desejos. Soa extremista demais, uma conspiração industrial, mas também um pouco óbvio, não?

Talvez porque interpretei que Johnson coloca na balança dois caminhos divergentes: agentes da publicidade contra “avanços” da interface.   “Precisamos de mapas rodoviários melhores no espaço-informação, não de um melhor serviço de entrega”

A sensação ainda é de que a publicidade, por aqui, brinca de pirataria  já que é raro receber uma mala direta de acordo com meus gostos e preferências, mas não podemos negar que os marketeiros descobriram os nichos e segmentos por meio das associações, certo? A boa notícia dada por Johnson é de que gostos não se traduzem simplesmente em fórmulas simples. Não é àtoa que a gente joga 70% das coisas na lixeira. Acho que jogo mais: 90%.

Mas ele já cita, na época, o potencial dos feedbacks e diz: “vamos migrar do sistema idiotizante mas estável da mídia de massa para reino mais anárquico dos circuitos de feedback culturais”. E conclui exatamente o que muita gente aqui e agora já sentiu na pele: a diversidade e mutação dos nossos gostos na era das máquinas do caos!

PS: Vale a pena ler a resenha do livro escrita por Bianca Brancaleone!

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O que é uma agência de mídias sociais?

Agosto 28, 2008 · 7 Comentários

Acabo de ler o post do  Wagner Fontoura que dedicou seu tempo para evangelizar um pouco o mercado sobre os conceitos da WOMMA e o bichinho do blogar bateu…Então, cá estou mais uma vez com vontade de gritar sem nenhum cuidado com aquilo que escrevo agora e, detalhe!: sem ser especialista neste assunto, mas simplesmente como mais uma entre milhões de blogueiros que gostam de opinar, inclusive sobre aquilo que não é sua especialidade. Contexto feito e vamos blogar porque ainda temos esse direito, né!?

O que mais me assusta neste novo mundo – onde se mistura publicidade, relacionamento, assessoria de imprensa e outros canais especializados na comunicação corporativa - é como as iniciativas dessas novas empresas chegam até mim.

Nesta semana, recebi um email de uma amiga-mãe-blogueira pedindo socorro porque foi descoberta por tais agências. Ela não entendia o que estava escrito naquele email. E quando li o tal email descobri a razão do desespero da minha amiga virtual, que preza valores e princípios tão raros nos dias de hoje. O email propunha a ela uma contratação de serviço ( que não ficou clara) de um publieditorial e dizia que aquele lugar era onde trabalhava o XYZ e o XYZ, solicitando então dados como page views e outros critérios de audiência. Eu expliquei a ela quem era a empresa, o que a empresa fazia e quem era aquelas pessoas citadas no email, além de definir o tal publieditorial e ainda orientá-la de que seria interessante ela fazer essa experiência caso considerasse válida. Afinal, agora ela tinha condições de fazer a escolha dela. Resultado: ela respondeu o tal email a tal agência.

Pessoalmente, tenho recebido muitos emails pedindo que eu escreva posts sobre determinados assuntos e fico me perguntando qual diferença dessa abordagem com os releases que enchem nossas caixas postais vindos das assessorias de imprensa. A diferença é que os releases têm informação por mais que algumas sejam puro marketing. Os emails vindos dessas agências têm um pedido com hiperlink sem um contexto apelativo que me estimule a produzir também. Todo mundo já sabe que para o outro escrever é preciso oferecer conteúdo, mas ainda assim essas coisas acontecem…

Confesso que me sinto muito mal quando vejo tal cenário porque imagino que esses profissionais conhecem e são especializados em publicidade+marketing viral+assessoria deimprensa+relacionamento+gestão de conhecimento e tantos outros conhecimentos necessários para fazer aquilo que se propõem. Na prática, entretanto, minha experiência mostra que falta muitooooooo ainda para nos sentirmos confortáveis nessa cadeia de valor das mídias sociais.

Tais situações mostram o quanto algumas agências ainda não fizeram a principal lição de casa: conhecer o outro, saber quem está falando da outra ponta. Não adianta apenas identificar a pessoa, analisar se o conteúdo é adequado ao contexto da ação de marketing, é preciso saber também quem ela é, com quem ela se relaciona para poder bater na porta dela da melhor maneira possível. Sinto que os novos “RPs” da vida ainda não perceberam que terceirizar o relacionamento inclui ter interlocutores fora e dentro da sua agência.

Uma boa agência cria comunidade para ter capilaridade por meio de diferentes hubs e assim construir sua marca com a transparência e decência que a nova era da comunicação exige. Por outro lado, nem tudo são espinhos. O que não falta é coisa boa neste mercado. Mas como disse no começo deste post estou com vontade de gritarrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.... E a gente não tem essa atitude de olhar o todo quando resolve colocar a boca no trombone.

Poderia escrever vários posts sobre a minha admiração por várias agências. Cito, por exemplo, a evangelização feita pelo Blog da Guerrilha que começou a enviar emails com boletins informativos para minha caixa postal, na semana passada. É uma ação similar a de várias assessorias de imprensa, porém completamente adequada e inteligente. Eu gostei de receber o boletim e de ler tais informações, o que me faz citar a empresa aqui e agora.

Espero sinceramente que todas agências cresçam e proliferem para que os canais de mídias sociais tenham condições de sobreviverem de forma profissional, mas é preciso antes de tudo definir o que é seu negócio, onde você atua, quais as diferenças entre sua empresa e o marketing de guerrilha, ou a especializada em relacionamento ou a área digital da mega-agência de publicidade ou até da assessoria de imprensa. Não adianta dizer quem trabalha na sua empresa, mas sim o que sua empresa FAZ.

Boa sorte, moçada!

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Quem é relevante na Web?

Agosto 8, 2008 · Deixe um comentário

Eu descobri a pesquisa Um Novo Retrato da Web Brasileira feita em 2005 pela turma Marco Modesto, Álvaro R. Pereira Jr, Nivio Ziviani, Carlos Castilho e Ricardo Baeza Yates e fiquei intrigada com a métrica Número de Páginas. Veja abaixo:

Eles avaliaram 132 mil sites no Brasil para realizar a pesquisa e tiveram algumas conclusões como: CADA site tinha, naquela época, em média 85 páginas. Cerca de 13 mil deles (os 10% dos websites) tem muito MAIS páginas. Tanto mais que eles são responsáveis por MAIS de 80% das páginas da web. Ou seja, mais de 120 mil sites, em 2005, tinham menos de 20% das páginas da web no Brasil.
O que são páginas? Uma página é um documento no formato html.

Então, quanto mais página um site tem, maior é a probabilidade do sistema de busca achá-lo e tal conteúdo tornar-se relevante, certo?
Minha conclusão estava baseada numa conversa que tive, certa vez, com blogueiro que me explicou a importância Quantitativa de escrever conteúdo na web: ele é eterno desde que você determine que ele seja ( então, a chance de encontrá-lo fica cada vez maior conforme o número de páginas que você escreve) e o volume de conteúdo é proporcional também à sua relevância ( quanto mais você escreve, maior a chance de você sair das profundezas da cauda longa). A conversa com esse meu amigo blogueiro não estava atrelada ao valor Qualitativo: quanto mais “qualidade”, maior relevância. Afinal, nós dois sabíamos que Qualidade está atrelada ao mundo subjetivo: o que é bom pra mim pode ser lixo pra você… 

Mas só mesmo o post tão bem escrito por Ricardo Cavallini que gerou uma conversa com Fábio Buchecha foi o que me trouxe luz para minha conclusão tão simplista, o publicitário do Coxa Creme mostra que na matriz de valor da nova internet participativa, o ato de produzir deixou de ser. Opa, opa, opa, então, se todo mundo produz, o diferencial não está na produção. Mas, caracas, isso parece tão óbvio, mas a gente esquece disso quando começa a pensar onde devemos focar agora.

Cavallini deixa claro no seu texto que o produto final, O POST ou o CONTEÚDO, continua importante, mas o processo em si já faz parte do dia-a-dia da maioria dos conectados. Eu só achei o Cavallini porque li o post do Blog do Guerrilha que aproveita a iniciativa do Coxa Creme para trazer à tona o conceito de Cauda Longa, de Chris Anderson, deixando claro para mercado o papel da agência a partir deste novo contexto. Isso sim é saber evangelizar o mercado na hora certa com a narrativa certa ( Parabéns!)

Paralelamente, dois posts valem a pena serem observados: O Capital Social, do Manoel Fernandes, e o Lá vem todo mundo (parte2) o público e privado, de Pedro Valente. Manoel tenta explicar que Coutinho, do Ibope, quer complementar a métrica da audiência (quantidade) com a questão social (participação: comentários, novos posts, troca de emails e o que não falta são recursos para continuar determinadas narrativas como essa feita pelo Cavallini).

O problema, caro Coutinho, é que não podemos esquecer da questão que Valente coloca quando traz à tona a palavra público: a partir do momento que o público faz parte da produção, como ensina quase todos posts citados aqui e agora, Qual é exatamente o público que fará parte da sua amostra de pesquisa para mensurar o que é relevante a partir da audiência e participação?

Questiono isso porque quem faz blog, lê blog, comenta em blog e ainda escreve sobre outros blogs. Mas esse público que conversa entre blogs vira audiência para temas relevantes agora para ESTE público. Mas há blogueiros ( e não são poucos) que não se interessam por essas temáticas consideradas relevantes agora para quem tem uma audiência considerável, então, como inserí-los nessa amostra? É possível descobrir a participação de quem ainda não tem audiência porque o público que traz audiência não se interessa por determinados nichos?

Hummmmmm, será que talvez seja importante resgatar o Retrato da Web Brasileira do passado para detectar quem ainda persiste na produção de conteúdo, apesar de não ter nenhuma relevância para quem tem audiência e é relevante? Ou a amostra também segue outra característica da web que implica escolhas e é escolhido apenas aqueles que conseguem superar o desafio de passar em primeiro lugar nos sistemas de recuperação de informação. Ou seja, o bom e poderoso Google!

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Empresas estão preparadas para INOVAR?

Agosto 1, 2008 · 5 Comentários

Confesso que sempre acreditei no discurso realizado em cima do palco corporativo, onde presidentes e gestores proclamam a inovação como irreversível. Já cheguei a ouvir estatísticas e estratégias que colocam o tema INOVAÇÃO como prioridade básica para ganhar competitividade. Mas parece que na hora em que profissionais de mídia, especializados em Relações Públicas, trazem o tema á tona, a prática é outra. Pelo menos, essa é minha percepção quando se trata de comunicação e relacionamento  NA WEB com consumidor final.

Alguém duvida de que não dá pra fazer inovação com pesquisa só dentro de casa? Ou de que a colaboração externa é indispensável? Duvido de que, entre os gestores de novos negócios, essas premissas não sejam verdadeiras. Mas, então, responda-me: porquê a prática ainda continua a mesma? OK. Eu entendo que o momento seja apenas de observação. Afinal, o mundo das mídias sociais continua nebuloso. É preciso ter muito cuidado para não perder o principal valor que está em jogo: as GRANDES MARCAS.

Mas experimentos são extremamente necessários para que a mudança aconteça. E não adianta exigir números e ROI de projetos que envolvem inovação. As estatísticas estão aí: projetos de inovação demoram muitooooooooooooo para dar retorno e 80% deles falham no meio ou no fim do caminho. Estima-se que projetos de inovação podem levar até SETE ANOS para trazer retorno aos cofres corporativos. 

Opa, peraí, mas o que inovação tem a ver com mídia social? Tudo. Se sua empresa é capaz de se comunicar da maneira correta com a cauda longa que se forma de maneira assustadora pela internet, imagine o quanto ela está preparada para oferecer o produto certo aos prosumers - termo cunhado por Alvin Toffler (conheça mais sobre o gringo no blog de Pedro Dória) para classificar os consumidores que também produzem conteúdos e, muitas vezes, ainda são os early-adopters da vida.

Entenda melhor o conceito neste artigo escrito por Diego Cox, do blog Reflexões Digitais: Existe um prosumer dentro de você?

Soa ingênuo, para você, acreditar que como INOVAÇÃO é a ordem do mundo corporativo, é natural que o conceito de mídia social também faça parte das salas de reuniões das organizações? OK. Sorry! Santa ingenuidade a minha! Eu acreditei que diante da proliferação de posts bem escritos sobre tais conceitos [são muitos, mas cito João Carlos Caribé que traz à tona também a Era da participação ( leia post do André Furtado, do Websinder) no post O novo geek e Maslow], a fresta das grandes portas abririam para quem está disposto a ousar, a fazer diferente…Ops, a INOVAR. E detalhe: com muita ética e cuidado. Mas, talvez, esteja enganada. Ou melhor, talvez, esteja apressada demais para o mundo onde tempo é dinheiro.

Por outro lado, continuo cada vez mais animada e crente de que tais premissas podem tornar-se realidade. Motivo? Tem muita gente boa trabalhando para que isso aconteça agora. Nunca vi tanta movimentação no mundo de RP – quem assina lista de vagas na área de jornalismo sabe do que estou falando: as assessorias estão reforçando cada vez mais a equipe DIGITAL. Por isso, apesar das empresas continuarem apenas OBSERVANDO ou investindo forte em publicidade e criação de sites próprios, parece que o momento está propício para bater na porta de quem entende de NOVOS NEGÓCIOS.

Leila Oliva, que tive prazer de conhecer recentemente, acaba de comentar aqui (veja comentário abaixo) e tem um discurso que vai de encontro com aquilo que acredito quando penso sobre MÍDIA SOCIAL: ética é crucial no processo de inovação e, muitas vezes, ela está bastante distante do necessário ROI que os sistemas de gestão e os donos do dinheiro estão acostumados a cobrarem de quem não inova. É bom lembrar que quem inova SABE o quanto ROI também é crucial, portanto, não segue o processo tradicional que estamos acostumados agora.

Porque pensar, estruturar e validar alguma coisa nova leva tempo. Quando a discussão é feita durante o processo, antes da validação, pode parecer que o processo é longo, infinito mesmo. Porém, sem esta discussão, poderemos não saber quais as consequências, impactos de uma nova idéia. E os problemas aparecem depois.
Você fala de ética neste artigo: pois é, acredito “prá caramba” que esta é uma das dimensões da validação de qualquer idéia nova. Só que eu acredito que a validação só se dá depois do debate dos dilemas éticos que cada nova idéia pode gerar. E isso leva tempo. Melhor fazer isto durante o processo de geração e gerenciamento de idéias do que depois que a idéia já foi implementada.
Comentário feito no post abaixo por Leila Oliva

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Google é a única cauda longa da publicidade online?

Junho 16, 2008 · Deixe um comentário

Não é novidade para ninguém que o mundo capitalista é construído pela desigualdade. Ou seja, POUCOS ganham MUITO Mais dinheiro. Não é à toa que a regrinha dos 80/20 ainda impera no nosso dia-a-dia. UOL, Terra, IG, Google, Yahoo e Microsoft, sem dúvida nenhuma, são responsáveis por 80% ou 90% da receita de R$ 527 Milhões movimentada no ano de 2007. Essa é a mídia online do mercado brasileiro de sucesso.

Talvez, vale somar os calhaus, cotas de patrocínios ou até mesmo CPM ou CPC vendidos pelos sites da Globo.com, Abril, Valor nesta conta da concentração. Eu considero dois regionais importantes: JC Online e Click RBS, porém não tenho a mínima idéia se ambos canais estão na conta da concentração. E nem imagino quem são os restos dessa história?

Será que no meio deste bolo entra sites segmentados da mídia de papel como IDG Now ou de ex-jornalistas como Convergência Digital e Telecom Online? Ou, a briga pelo que resta do pedacinho do bolo já é destinada para nova mídia ( neste caso, leia-se blogs e iniciativas como Desabafo de Mãe)? Duvido muito. Minha sensação é de que nichos como blogs são canais exclusivos do Google e suas réplicas nacionais (leia-se UOL, Submarino, Yahoo, Mercado Livre e por aí vai) que por eliminarem as agências dessa cadeia conseguiram trazer também um novo grupo de anunciantes, os quais já somam em torno de R$ 110 Milhões de movimento com o famoso Links Patrocinados ( veja mais detalhes dessa conta no post do Renato Cruz)

É impressionante a ausência de informação sobre esse mercado, cujo grande apelo é justamente a capacidade de mensurar e gerar cada vez mais relatórios dos serviços de publicidade que oferece ao mercado corporativo. Pior que isso é o silêncio das mídias de nicho.  Cadê nossa capcaidade de compartilhar conhecimento sobre o mercado. É impressão minha ou Tudo é OFF.

Parece até que vivemos na cultura empresarial dos GRANDES. Eu diria que é ainda pior porque é um medo, receio, “doença”( talvez) ou será apenas um despreparo pessoal?  Sem dúvida nenhuma faz parte do nosso crescimento como nicho. Espero em breve ter outra percepção, um olhar mais maduro e consciente desse setor. Infelizmente ainda continuo perdida e me sinto bastante solitária. E imagino que há muitos solitários nesta trilha - sem tempo de navegar, de compartilhar, de conhecer o outro porque o heroísmo exige assimilar diferentes competências a cada descoberta. Só não tenho certeza de que essa luta solitária seja viável para todos. E pior que seja correta para cultura de nichos…

 

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Internet é só para os Grandes e Principais?

Junho 12, 2008 · 2 Comentários

O que o Google mudará no modelo atual das agências de publicidade? Elas continuarão fazendo sites para realizar campanhas de relacionamento e investindo nos principais portais para a divulgação de produtos?

Nada melhor que um discurso comum entre os vencedores do TOP of Mind da Internet (detalhe: promovido pelo UOL) pra deixar claro que a insuportável concentração continuará pra sempre mesmo num segmento que se transforma:
Itau: “Utilizamos estrategicamente os grandes portais para gerar visibilidade…
LG : “Estivemos presentes nos principais canais e portais da internet durante todo o ano de 2007 com grandes e importantes campanhas”

Mas, então, não há saída para canais de nicho? Gente grande se relaciona com gente grande assim como você se relaciona com seus leitores, certo? Enquanto gente grande ganha dinheiro grande, você sobrevive porque o Google existe junto com os grandes que seguem o modelo Google em formato de afiliados. Não é á toa que Michel Lent diz Boicote ao Google no PodCrer como alternativa para surgir os canais de nicho das mídias sociais. Ouça e opine: afinal a única alternativa para ser inserido no mercado publicitário é um boicote ao Ad Sense?

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Quem é a mídia online da publicidade?

Maio 2, 2008 · 8 Comentários

Responda-me: quanto uma empresa de mídia online fatura em publicidade? No ano de 2001, Marcelo Ballona desabafou em seu artigo no WebInsider que empresas de game/entretenimento e conteúdo se matavam para faturar R$ 50 mil/mês, o que pode resultar numa receita abaixo de R$ 600 mil.

O UOL, pai da maioria dos sites médios e pequenos, faturou R$ 191,7 Milhões em publicidade ano passado. Todo mundo divulgou que a mídia online faturou R$ 506 Milhões de reais no ano de 2007, segundo a IAB, certo?  Sobra: R$ 314,3 milhões. 
1- Já o provedor que mais busca por blogs e outros pequenos pagando pouco ou nada pra todos, o IG estimava  faturar para 2007 R$ 50 Milhões. Mas quanto desse valor seria publicidade? 
2- O Terra ( que não está nem aí para pequenos ou blogs) quando anunciou que cresceu 40% em publicidade, em 2006, não discriminou o montante na receita de R$ 725 milhões.
3- Nessa notícia, a informação é de que o Google faturou R$ 27 Milhões no Brasil. Parece bem pouco já que a receita mundial da empresa, no ano passado, foi de US$ 3,87 bilhões. E há estimativas de que links patrocinados representam entre 15% e 20% da receita de publicidade online, o que daria em torno de R$ 101 Milhões ano passado. Será que o Google teve uma participação tão pequena neste montante aqui nas terras tupiniquim. Duvido um pouco.
4- Não achei nada sobre Yahoo Brasil e muito menos sobre a receita de publicidade da Microsoft, alguma sugestão?

Sem os peixes grandes, será que restou 100 Milhões para briga entre os velhos da mídia como Globo.com e Abril com restante dos canais de mídia online? Mercado Livre e Buscapé também entram nessa conta, ou não? Você têm idéia de quantas empresas são consideradas mídias online para as agências? Sete, dez ou quinze?

Engraçado como um nicho com tantas métricas ( CPM, CPA, CPC, Share Revenue) e tão falado nos dias de hoje pela “poderosa” dispersão não se acha nada fácil sobre ele na internet quando se refere aos números. Cadê os balanços, rankings e players dominantes dessa tal mídia online? E, please, quem são os principais anunciantes da internet: FIATFord e Mastercard? Ou seria aqueles que adquirem cotas de patrocínio nos sites de quem é conhecido pelo papel? Afinal, responda-me: o que é uma campanha de marketing online? 

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