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Aníbal Quijano – os fantasmas nossos de cada dia

Outubro 28, 2009 · Deixe um comentário

 Identidade, Modernidade, Democracia, Unidade e Desenvolvimento.
Esses são os fantasmas históricos colocados por Aníbal Quijano, um dos teóricos que faz parte da bibliografia da disciplina Cultura Brasileira, no Celacc (ECA-USP). Infelizmente tenho lido bastante picado o imenso volume de livros propostos no curso, o que fragmenta ainda mais minhas idéias e interpretações. Logo, resulta em posts ainda mais confusos e egoístas (sorry!)

O que me faz blogar sobre Quijano é a idéia sobre os (des) encontros. Ele diz: o novo não acabou de nascer e o velho não terminou de morrer. Esse paradigma, aliás, é o que permeia a história de Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. São momentos de (des) encontros como esse que há oportunidade de enxergar as coisas de forma diferente daquela que estamos acostumados. Ou seja, os (des) encontros permitem a ruptura do pensamento da ordem dualista, sequencia unilinear e unidirecional de evolução. É uma oportunidade de pensar diferente e perceber que a história segue uma ordem associativa, extremamente complexa, contraditória e descontínuas de significados.

Quijano acredita que os fantasmas (citados acima) sempre nos perseguem porque o tratamos ainda como colonizados/colonizadores ( pensamento eurocêntrico). Ou seja, de forma fragmentada, separada, por etapas e tentamos resolvê-los gradualmente e em sequência. E, por isso mesmo, consideramos as propostas e tentativas meras utopias. Ou seja, ninguém as vê como propostas de novos sentidos históricos até porque a maioria realmente não é. Todo esse contexto permeia a cultura da América Latina, mas cada paragrafo lido me remetia à Comunicação, mídias sociais, comunidades, blogs e por aí vai.

Não é por acaso que a cada aula reforço a premissa de que COMUNICAÇÃO É PURA CULTURA, ou vice-versa. A hegemonia da cultura de massa segue muito bem a cartilha do pensamento eurocêntrico e o ecossistema que forma a Imprensa é recheado de pensamentos dualistas, progressistas e lineares. Pelo menos essa foi minha vivência. Meu maior desafio quando resolvi entrar na turma dos blogueiros foi abandonar a cabeça de seções, categorias, segmentos e nichos. Eu via tudo dentro de caixas. Não tinha capacidade de associar, ligar, interagir…

Hoje ainda é muito complicado inverter toda minha experiência, mudar meu jeitinho de pensar, mas ler Quijano permitiu entender um pouco a razão desse meu jeito de agir. Não é só cultural ( o que já é um motivo e tanto), mas também tem uma carga histórica. Confesso que olhar as potencialidades das redes e mídias sociais agora faz mais sentido, porém demonstra o TAMANHO  do desafio. Minha sensação é de que a internet também potencializa a concentração e a hierarquia, o que torna as quatro famílias da MÍDIA ainda muito mais importante do que quando vendiam só papel. Afinal, agora – além delas estarem relacionadas a grandes grupos de telecom – o público cresceu e ainda tem muita gente que trabalha de graça pra eles.

PS: o material disponível em um dos links acima faz parte dos Estudos Avançados, de 2005 e também do curso de extensão universitária Gestão de Projetos Culturais

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Conversas sobre Mestrado em Comunicação III

Agosto 28, 2009 · 9 Comentários

Hoje finalizo a série Conversas deste mês com as respostas do Francisco Madureira, gerente de projetos do UOL. Mas abro o blog para todos para começarmos a falar sobre Mestrado em Comunicação. Aidéia é propor conversas sobre a busca pelo Mestrado sob a perspectivia de um profissional de redação. Ou seja, aquele que desconhece o mundo acadêmico. Não há dúvida de que o primeiro passo é pesquisar, pesquisar e pesquisar os lattes dos doutorandos e mestrandos. São eles quem vão mostrar os caminhos para quem ainda não tem idéia do que é lattes, Linha de Pesquisa, objeto, sujeito e Metodologias….

Só cheguei no primeiro passo depois de ouvir muitooooooooooooooooo pessoas que já fizeram o Mestrado. E, por isso, resolvi replicar seis perguntinhas para amigos que admiro e sabia que iriam responder minha demanda. O Madureira é um dos primeiros profissionais que conheci na minha fase virtual e conectada. Ou seja, não o conhecia pessoalmente até o dia em que ele aceitou o convite para participar do NewsCamp. Eu trabalhei como frila para ele uma única vez, mas as trocas de emails foram suficiente para uma boa sinergia. Motivo? Filhos e internet. Ou seria, internet e filhos…Eu gosto muito da analogia racional Clico, logo existo! , apesar de ter criado nomes completamente malucos para minha própria identidade como Freelancer, o profissional que rala e Mídia Social (tão criticado pelos teóricos e amigos como Marmota).

Eu não conheço muito Madureira para ter julgamentos e elogios como fiz com Borges e Cruz, mas uma atitude que eu admiro e considero rara nas faltas de tempos que temos hoje é alguém te dar feedback. Madureira sempre retornou às minhas demandas malucas de querer mudar o mundo através de um clique. Prova disso são as respostas abaixo. Outra acaracterística que percebo nele é que Madureira também gosta do que faz, seja na USP ou no UOL. E isso, pra mim, é básico na vida. Tenho horror a pessoas que não priorizam a paixão…, mas eu sempre as tolero. Afinal, a maioria ainda trabalha só pelo salário. Com vocês, Francisco Madureira:

Foram 75 páginas de suor e lágrimas… mas valeu a pena! =)

1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?
Surgiu da necessidade que sinto de pensar no que eu faço, sem fazer simplesmente por fazer. E também porque adoro dar aula, é algo genético talvez —tenho avô e pai professores universitários. Como é praticamente um requisito, comecei a ir atrás. Mas a ausência de título não me impediu de já ter sentido o gostinho. Já ministrei cursos de jornalismo online no Mackenzie entre 2006 e 2007. Foi uma fase corrida, mas ótima.
 
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim, sobre jornalismo colaborativo. Na verdade, foi a colaboração que resgatou meu interesse no jornalismo, depois de encontrar redações mais preocupadas com o consumidor que o cidadão, com a audiência que com o compromisso público e social da profissão. E olha que só trabalhei em lugares que admiro —quando faço esta crítica, não é aos veículos onde trabalhei, mas ao que se tornou o jornalismo como um todo, especialmente em nosso país.

3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Tem um ditato que diz: “O mundo é uma grande bunda, e precisa de muito papel para se limpar”. Eis o que senti sobre o mundo acadêmico —uma necessidade impressionante de papéis, comprovações, burocracia. Sinto que isso emperra muitas das iniciativas legais que o Brasil, esse tal país criativo, poderia empreender no campo da educação. Mas aí vem o Lattes, currículo acadêmico obrigatório e que vale mais pela quantidade que pela qualidade, entre outras burocracias burras, como, por exemplo, a ausência de áreas multidisciplinares em grades curriculares do MEC e das próprias universidades, que continuam compartimentando o conhecimento em uma era de internet e redes que se cruzam e influenciam.

4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Trabalho com a Beth Saad, do grupo de pesquisas COM+, da ECA/USP. É o único grupo de trabalho da Escola de Comunicações e Artes que realmente trabalha com a internet na vida real, sem levar o debate intelectual para o mero exercício teórico. Escolhi a Beth Saad por intermédio de uma colega de Mackenzie à época, a Daniela Ramos, que já trabalhava com ela no doutorado. A Beth é hoje a única profissional do Departamento de Jornalismo e Editoração capaz de conduzir um trabalho sério sobre internet e novas mídias. Há muita gente na ECA com qualificação teórica, mas sem experiência alguma no mercado de trabalho, e isso é fundamental em um campo tão mutante como a web.

5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Certamente, mas não apenas dar aula. Honestamente, em meio a tanto debate sobre o diploma, acredito que saí da faculdade sem saber muita coisa sobre jornalismo. Na ânsia por dar uma formação generalista, com disciplinas como filosofia e sociologia, e por direcionar você a determinado campo do jornalismo (impresso, rádio, tv etc.), acabam por deixar de te ensinar o básico. Senti muita falta de estudar COMUNICAÇÃO na graduação. Acho que acabei voltando à universidade para ler e descobrir coisas que me faltaram. Não sei se é o caso da maioria das universidades no país, mas a USP em particular tem um currículo muito anacrônico. Para ter uma ideia, tive que buscar Teoria da Comunicação numa disciplina optativa oferecida por outro departamento que não o de Jornalismo —algo que é fundamental para um comunicador.

6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
Estou no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA/USP, mais especificamente na área de Interfaces Sociais da Mídia. Minha dissertação investiga o engajamento do público no jornalismo participativo dos grandes portais brasileiros —acabei escolhendo este recorte por minha experiência pessoal como profissional de mídia, e também por julgar que os grandes portais, apesar de normalmente não atenderem nichos, têm maior alcance de audiência e, talvez, maior possibilidade de levar uma nova forma de fazer jornalismo ao grande público. Porém, o estudo dos nichos certamente seria enriquecedor, e eventualmente posso tomar este rumo em uma pesquisa de doutorado —apesar de sentir vontade é de empreender nesta área para testar alguns ideais, assim como minha entrevistadora… ;-)
 
Minha dissertação deve ficar pronta até março de 2010. Ainda não sei se posso/devo publicar meu relatório de qualificação, mas você pode esperar novidades em breve em meu blog, em www.clicologoexisto.com.br.
 
É isso minha cara! Espero ter ajudado!

Ajudou e muito, meu caro! Obrigada pela colaboração. Espero que esses posts sirvam para alguém que esteja perdido aí na blogosfera em busca do começo da linha do novelo, saca?

Só pra deixar registrado, como manda a boa automação, eu fiz as mesmas perguntas a três amigos (veja posts abaixo) com perfis um pouco diferentes, porém, com algumas características que considero importante: todos têm o espirito de colaboração e entedem que o saber só é válido quando é para e entre todos. Por isso, faça sua parte também! Comente!

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Conversa sobre Mestrado em Comunicação II

Agosto 27, 2009 · Deixe um comentário

Quem participa da série Conversas   hoje é  André Borges, que atualmente trabalha no jornal Valor Econômico. Eu tive a honra de trabalhar ao lado desse grande repórter entre 2000 e 2003 numa editora especializada. André é curioso, inteligente e tem “alma de brasileiro’.

Calma! Eu explico a tal alma de brasileiro: ele reconhece a diversidade dentro de casa, sabe qual é sabor da comida mineira e entende a razão da loucura paulista. Parece meio maluco, mas confesso que não sei expressar em poucas palavras o que representa ter alma de brasileiro. De certa maneira, identifico o melhor de mim nessa tal alma brasileiro e me reconheço um pouco no Andrezinho quando tento caracterizá-lo desta forma. Já o pior de mim está um pouco fora daquilo que considero alma de brasileiro, sacou?

Mas aborges é muito mais que isso. É um profissional que sabe contar história, que sente prazer em apurá-las, que gosta de pessoas e sabe fazer delas uma representação brilhante num texto simples, claro e objetivo. Enfim, André tem tudo de um bom repórter!

O Borges foi o segundo que respondeu meu email com seis perguntinhas sobre a experiência de ter feito mestrado. Meu terceiro convidado foi o Madureira, que em breve conto um pouco sobre ele aqui e publico suas respostas. Com vocês, André Borges:

1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?

Eu tinha concluído minha graduação, mas fiquei com vontade de seguir com os estudos. Terminei a graduação em 1997 e, um ano depois, ingressei no mestrado;
 
 
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim, o objeto de pesquisa é um pré-requisito para concorrer ao mestrado da ECA-USP. O que ocorreu é que, meses depois de entrar no curso, decidi mudar meu objeto de pesquisa e fui apoiado pelo meu orientador.
 
 
3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Acho que o que merece destaque é o perfil do trabalho de mestrado. Diferente da graduação, que na maioria das vezes se apoia em trabalhos coletivos, o mestrado é um exercício individual e aprofundado. É um trabalho solitário, que o aluno precisa aprender a desenvolver.
 
4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Me baseei no perfil de suas orientações anteriores e também em sua postura profissional.
 
5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Não cursei o mestrado com o propósito de dar aula, embora seja este o principal objetivo para quem faz o curso na USP. Muitos colegas de sala, aliás, já eram professores em algumas faculdades em cursos relacionados à área de comunicação. O mestrado me trouxe conhecimento e maior capacidade analítica; o mercado traz a aplicação disso. Penso em dar aula, mas é um projeto para o futuro.
 
6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
Escolhi a linha de jornalismo comparado. Na tese, defendida em 2001, falei sobre os embates da mídia impressa e a internet e as tentativas da mídia tradicional para explorar os negócios no ambiente digital. O cenário analisado foi de 1995 a 2001. Não mudou muita coisa de lá para cá. A tese está à disposição na biblioteca da ECA.

Veja Também:
Renato Cruz

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Conversa sobre Mestrado em Comunicação

Agosto 23, 2009 · 1 Comentário

Quem acompanhou meus últimos posts já sabe sobre minha busca para conhecer melhor o mundo acadêmico. Um dos passos para trajetória do Mestrado é dialogar com quem já teve essa experiência, entender a razão dessa etapa e conhecer melhor a dinâmica e as regras da Pós-Graduação. É por isso que inauguro aqui uma troca de emails com amigos solidários e colaborativos, que já passaram pelo Mestrado. Renato Cruz é o primeiro que responde minhas cinco perguntinhas. Você pode conhecer melhor a trajetoria dele no próprio Lattes

…Mas se está acostumado a considerar mais opiniões que práticas, eu tenho a honra de elogiar um pouco o que vejo no Renato. Ético, solidário e objetivo. Renato faz parte de um grupo seleto de profissionais da Comunicação, que mesmo dentro do mainstream media tem um relacionamento intenso e colaborativo com os jornalistas especializados. Ele ouve, mas não entra nas fofocas rotineiras dos bastidores da imprensa – o que é muito raro em espécies como a nossa (risos). Mas a característica que mais me fascina em Renato é o bichinho da imprensa. Ele gosta do que faz, tem paixão pelo bom jornalismo. Ele compartilha as “investigações” ao ensinar a dinâmica do setor aos outros. Enfim, Renato já é um pouco mestre na prática do jornalismo pra quem sabe ouvir e tem interesse em fazer um jornalismo especializado que valha mais que o salário. É aquele jornalismo que vale a pena!

Com vocês, Renato Cruz:
1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?
Eu fiz logo depois da graduação, então é quase como se eu não tivesse parado de estudar. Terminei a faculdade de jornalismo e, no ano seguinte, prestei para o mestrado.
 
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim. Eu escrevi o projeto antes de ter um orientador. O projeto era um pré-requisito para a seleção.
 
3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Na minha opinião, o mais difícil para nós, jornalistas, é cuidar das referências bibliográficas. Dá mais trabalho que escrever.
 
4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Na verdade, o orientador é quem me escolheu.
 
5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Já dei aula de especialização. Para mim, dar aula é um projeto de mais longo prazo. O legal do mestrado é escrever a dissertação. Profissionalmente, a gente não costuma ter a oportunidade de escrever um texto com essa extensão e essa profundidade.
 
6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
No mestrado, escrevi sobre a venda de conteúdo na internet. A conclusão foi de que são poucas as oportunidades para fazer o leitor pagar pela informação. A dissertação está aqui: http://njmt.incubadora.fapesp.br/portal/publi/renatoc/EconomiadoExcesso.pdf.

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Jesus Martín Barbero – Um encontro com os acadêmicos

Agosto 18, 2009 · 5 Comentários

Ontem, talvez, tenha sido o meu primeiro contato, de fato, com a área acadêmica. Participei da Aula Magna com Jesus Martin Barbero, promovida durante o Fórum Permanente de Programas de Pós-graduação em Comunicação do Estado de São Paulo, que aconteceu no Memorial da América Latina, de São Paulo. A sensação era de pura transformação. Para se ter uma idéia, o espanhol terminou sua aula com seguinte discurso: “tudo que sabemos, sabemos entre todos”

Foi mágico ver um senhor com seus cabelos brancos com idéias consideradas tão atuais e, de certa maneira, até revolucionárias. Ele acredita que pesquisadores devem ter imaginação e ainda critica o olhar tão comum de considerar a oralidade um analfabetismo. “Tem outras culturas além do livro“, alertou Barbero. Nunca li nada sobre autor, mas a entrevista dele concedida à Matrizes, enviada por email pela organização do evento como material de apoio, já dá um gostinho satisfatório do que prega Jesus. Me lembrou muito a leitura que tive de Maria Nazareth Ferreira  – outra senhora revolucionária que conheci na ECA conforme já relatei aqui  porque ambos parecem se preocupar com as atuais trajetórias das pesquisas na área de Comunicação.

Eu ainda estou deslumbrada com o discurso de ambos. Logo, tudo que penso alto por aqui tem a parcialidade da paixão pelo novo. O que mais tem me cativado a mergulhar neste universo ainda desconhecido é a possibilidade  de mudança e de integração com os demais pensadores da América Latina. Ter um ponto de partida que não seja tão europeu nem norte-americano me fascina e me atrai. Vale registrar aqui o que anotei da entrevista de Barbero:

Sabíamos que estávamos presos, mas pelo menos dentro do grupo da alaic existia uma consciência clara de que era preciso criar um pensamento latino-americano, de que não se tratava simplesmente de misturar coisas que vinham da semiótica com outras do marxismo e da teoria da dependência.

A sensação é de que o caminho das pesquisas é muito novo e , de certa maneira, segue a prática da “butique” ( copiar e seguir os norte-americanos) e se molda muito de acordo com investimento. Parece até que há modismos nos temas escolhidos como as ondas que vivemos no mundo de cá, dos pobres mortais. Tudo é pura percepção pessoal…Entretanto, meu perfil de jornalista de bloquinho trouxe também algumas informações de discursos soltos que vale compartilhar por aqui:

São 36 programas de pós-graduração na área de Comunicações no Brasil e 14 delas estão localizadas no Estado de São Paulo. Na década de 70, as pesquisas feitas eram resultados de trabalhos que confundiam investigação com pesquisa, em 80, surgiram as linhas de pesquisa cheia de categorias e com foco ainda no modelo linear. Parece que tudo se move entre o objeto de conhecimento ser os MEIOS  ou as Mediações ( acho que isso em função do convidado, que tem um livro focado neste tema) e também que agora entramos na fase de analisar as interações, cognição, simulacros. Agora, a questão é como se comunica? Barbero alerta que pensar como exige saber o que

Foram muitos os fragmentos que restaram deste encontro e prometo retomá-los por aqui. Fui!

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Teoria da Recepção, Stuart Hall

Agosto 13, 2009 · Deixe um comentário

O título deste post é referente ao pedacinho do livro “Da Diáspora – Identidades e Mediações Culturais“, que trata-se do meu primeiro “trabalhinho’ em grupo lá no curso Gestão Cultural. Eu passei os olhos no texto, depois reli a primeira parte e fiz um resuminho no google docs. Cada membro do grupo também fez seu resuminho no Google e depois nos encontramos pra discutir como seria a apresentação do grupo. Resultado: nenhum resumo tinha nada a ver com outro e o único consenso entre os resumos era de que Stuart Hall propunha um conceito diferente do modelo emissor/mensagem/receptor porque o considerava linear.

A proposta de Hall baseava no esqueleto da produção de mercadorias apresentada por Marx. Todo mundo entendeu as seguintes palavras-chave: cíclico, multireferencial, Marx e articulação, entre outras. Saimos de lá e só agora, quando reli pela segunda vez o texto, sinto menos perdida.

Estou contando esta rotina toda para chamar atenção no desafio que é ler códigos. Ler códigos? Sim, a escrita acadêmica é um código e para decodificá-lo, é preciso entender as regras acadêmicas. Eu, como ainda não as conheço, resolvi googlar para ver como Hall era decodificado pela rede. Pasmem?! O que aconteceu?

De novo, cada um teve uma leitura bastante particular, dentro de outro contexto, enfim, dificil achar o link preferencial ( que combina com a minha leitura). Destaco dois deles (pra não dizer que  achei 5,1 mil links sobre tema):

O Café com Notícias, um blog de estudantes de jornalismo, foi mais similar com a minha pobre leitura porque fez um resuminho com algumas interpretações, pegando pedaços ( paragrafos inteiros) originais do texto. Seria uma resenha, dentro de um blog no formato pdf. Veja com seus próprios olhos e decodifique com seus próprios códigos o link aqui 

Outro achado foi  da Intercom ( a partir da página 9) que avalia e compara a Teoria de Hall dentro de uma pesquisa de Mauro Porto, que lê Hall de um jeito completamente diferente do pouco que entendi diante das suas conclusões. entretanto, explica a teoria e ainda a contextualiza. Destaco a conclusão dele: Portanto, um dos principais problemas do modelo é o fato de que ele parte do pressuposto de que as mensagens da mídia sempre expressam a ideologia dominante, através de leituras e significados “preferidos”.
Eu interpretava quase oposto disso porque na minha leitura, o que ouvi foi justamente o contrário: as mensagens da mídia não são uma repetição da ideologia, mas uma busca pelos significados que a idelogia constroi no seu mapa de sentidos.

 

 

 

Mas, afinal, o que é essa tal de teoria da recepção? Parece simples: é um novo modelo baseado em Marx para conceituar a prática de produção da mídia. Ok e onde entra a recepção dentro disso? Não faz pergunta dificil, mas acho que está ligado com a audiência. A relação entre audiência e a produção. Não dá pra entender um sem o outro, saca? Eles são relacionados. Mas isso é obvio? Pois é justamente por pensar assim que fica dificil entender o código. Que tal de código é esse, Ceila? Sorry!!!! Não dá mesmo pra explicar de maneira simples, apesar de parecer tão simples. Então, lá vai o que eu joguei no google docs para meu grupo de estudo, quem sabe você não pode decodificar a mensagem pra gente:

Primeiro, Hall vai defender um novo conceito de como funciona a mídia e defende que em todos os momentos há codificação e decodificação. quais momentos?
 
1- produção ( mensagem)
2-circulação (discursiva)
3- distribuição (discursiva)
4- consumo ( sentido)
5- reprodução (valor de uso social)
 
Cada momento deste é determinista no fluxo de produção (fixo), porém cada momento isolado é um processo de codificação e decodificação (articulação). Como estes cinco momentos foram criados a partir da teoria de Marx, ele resulta num produto. qual produto? a mensagem que só é consumida se tiver sentido e valor de uso social. Outra coisa importante é de que a Circulação (2) e a Distribuição (3) só são realizadas de forma discursiva. E, detalhe, todo discurso envolve a operação de códigos. Logo, circulação e distribuição envolve o processo de codificar e decodificar um discurso. E onde está o codificar/decodificar do restante do fluxo ( produção/consumo/reprodução)?
 
o circuito de produção da mídia produz (1) uma mensagem codificada na forma ( 2 e 3) de um discurso significativo.
 
A meleca toda começa porque ele vai explicar cada pedacinho dessa frase aí em cima e mistura uma porrada de coisa só pra dizer como se constroi o código da mensagem. Para nos convencer disso, ele argumenta contra as seguintes teorias:
1- abordagem do conteúdo do behaviorismo, onde acontece a teoria semiotica ( signos – pierce)
2-teoria linguística ( conotação e denotação), onde acontece a codificação
3-teoria da percepção seletiva ( audiencia) onde acontece a decodificação a partir dos seguintes hipotéticos códigos dominantes, códigos profissionais, códigos negociados e os códigos de oposição

Não entendeu nada? Hummmmm, eu fiz outro resuminho da mesma coisa, quando dei uma passada de olhos. Veja se facilita ou complica:

 

 

Stuart Hall traz três inovações nos conceitos de Mídia. Primeiro ela não funciona de forma unidirecional no modelo “produtor emite a mensagem ao receptor”. Ele ensina: “produzir a mensagem não é  uma atividade tão transparente como parece”. Segunda mudança: a lógica da mídia não é determinista, mas sim multirreferencial. Porém, os momentos do fluxo de produção são deterministas. Ou seja, a mensagem tem sentido diferentes de acordo com a referência do receptor. A terceira inovação é contra a idéia de que a relação de produção do conteúdo está relacionada ao consumo (grana e capital). Ou seja, Hall não acredita nos ditados populares: “a TV é ruim porque é o que o povo gosta. Audiência é quem manda. circo para povo…”. Ele alerta para o fato de que o consumo determina a produção assim como a produção determina o consumo. Ou seja, a relação da produção de conteúdo é um resultado de articulação entre os circuitos de produção.

 

 

 

E aí, algum comentário que possa resultar numa mensagem mais transparente, clara e decodificada para a maioria?

 

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Democratização no Ciberespaço é possível?

Julho 27, 2009 · Deixe um comentário

Ontem, terminei um dos capítulos do livro Reinventando @ Cultura, de Muniz Sodré, onde ele questiona as relações da Comunicação com Poder político clássico. A sensação é de que a tal democracia da informação é mesmo uma utopia. Sonhar com um jornalismo coletivo produzindo conteúdo com foco político, então… Eu ainda não sei o quanto a participação no jornalismo pode resultar em uma informação menos elitizada. E, você, qual sua opinião?

Confesso que preciso reler o capítulo, além de terminar o livro, para ter uma noção da mensagem deste baiano. Sodré descreve e cita diversas teorias para explicar que existe uma Crise da Representatividade política, que o Governo legitima seu poder baseado no crescimento econômico e que a Mídia ganha cada vez mais poder… Vale citar duas frases anotadas:

sobre o Estado (governo) …embora mantendo toda organização política  da época liberal (partidos, parlamento, sistema eleitoral), legitima-se de fato como gerador e facilitador de condições para o aumento do consumo

Já não se trata mais da velha imprensa como tribuna de uma consciência liberal, mas de um complexo integrado de formas de expressão escrita, falada e magistica, suscetível de construir uma verdadeira estrutura do poder

Depois, ele retoma algo tão óbvio que ás vezes escapa do nosso dia-a-dia: ” o acesso á informação define-se pela posição econômica do usuário. Em qualquer domínio, informação é algo que se vende, é o modo mais avançado de realização do valor do capital” Então, ele conclui que a tal democratização no ciberespaço: ainda permanecem no plano da pura euforia tecnológica, que tem sido uma espeécie de contraponto ideológico para o pessimismo característico das críticas intelectuais, direta ou indiretamente da Escola de Frankfurt.

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O caminho da busca pela tese e o tal do Mestrado…

Julho 22, 2009 · 8 Comentários

No script da vida, chega uma hora em que você vai pensar em voltar para a Faculdade, ou não. Mas se você já chegou naquele estágio de cansaço profissional, em busca de algo novo e ainda sua profissão está passando pela fase (“Terapêutica”) da reinvenção, é bem provável que o tal do Mestrado vai rondar sua cabecinha. Aí, você olha para o lado: 80% dos seus amigos estão fazendo, pensando em fazer ou já fizeram o danado. Então, você pensa: e agora José? Ou, você mergulha na onda sem pensar em nada. Já eu??? Hummmmmm….

Eu gosto de colocar pedra no meio do meu caminho. Então, penso: e agora, Caipirapora??!!

Caipirapora Original Mesmo escolhe aquilo que todo mundo conhece: USP! Afinal, até Paulão, lá de são tomás, acha que USP é diminutivo de universidade. Já saiu da USP?, pergunta ele quando vê alguém que está cursando a faculdade e, por isso, mora fora de casa.

E aí já que é pra pensar, começa devagarinho. Só observando. Tudo parece fácil: basta falar com a mulher que é orientadora dos 80% dos seus amigos, inventar alguma coisa relacionada à web e fazer uma provinha. Detalhe: a tal fluência no inglês parece que vale de quem só lê e escreve.

Mas, Nossa Senhora, eu gosto de colocar pedra no meu caminho. Então, resolvi começar como Aluno Especial, na minha área, e paguei pra sentir clima de outra área. Mas quem é caipirapora se apaixona, gosta de criar rituais para contemplação…E aqui estou eu me deslumbrando de novo com novo.

O encantamento, agora, é pelas metodologias da pesquisa. Resolvi ler  ” Alternativas metodológicas para produção científica“, de Maria Nazareth Ferreira. Faz parte do pacote do Celacc, um centro de estudos que tem na ECA , o qual eu cai de paraquedas por lá assim como um monte de gente.

A autora esteve no auditório no primeiro dia de aula e minha percepção foi daquelas típicas de Caipirapora, que chora quando vai embora de casa ou ouve o som da viola. Aquele gostinho de que algo a mais realmente existe veio na boca e caracterizei a mulher como mais uma Mestra da minha vida. [Vale ressaltar que eu sou um pouco abençoada de mestres, vivo atribuindo essa tarefa para alguém na minha vida. E não me arrependo. Tive muita gente boa e ruim me ensinando a viver, todos de certa maneira me fazendo um bem danado e, lógico, a sofrer um pouquinho pra aprender.]

Comecei a ler o livro porque as perguntas que Orlando fez aqui, no post passado, me deu vontade de levar adiante a idéia de realmente entrar nessa. E, pra variar, achei que o livro tinha sido escrito pra mim. Coisa esquisita, sô. Tudo que passei até agora tava lá no livro, uai: a ingenuidade de mergulhar bem fundo numa idéia, abandonar um pouco a vida pela construção do objeto, colocar o negócio funcionando sem saber exatamente do que se trata e com isso feito, entrar numa fase de repensar e  questionar, de novo, a mim mesmo até sobre quem eu sou… E pra fechar o ciclo: buscar o mundo acadêmico.  Parece até coisa de livro, ou seria de duende, bruxa ou Nossa Senhora da Aparecida!

É óbvio que esse ciclo faz parte da minha interpretação de Caipirapora, mas vale a pena destacar alguns fragmentos que me faz pensar essa coisa toda aí em cima:
Conhecer é transformar, penetrar as causas dos fenômenos e, portanto, descobrir o poder de modificá-los”
“Sem conhecimento da filosofia é impossível produzir o conhecimento científico”
“A ciência explica o mundo, mas se recusa a habitá-lo”
 

Eu entendi que Nazareth explica que até as pesquisas cientíticas entraram na era da automação, do mundo técnico demais, cheio de prazos, limites e metas. Ou seja, até as teses e mestrados seguem a receita de bolo padrão. Basta seguí-las para atingir seus resultados. Ela crítica esse exagero e sinaliza os resultados dessa dinâmica, mas também mostra que é a combinação do aprendizado do método com a filosofia ( pensar e contemplar) que traz um caminho diferente para pesquisa. E é óbvio que esse caminho é um jeitinho de colocar A Pedra no meio dele, mas eu já falei que gosto disso, né!?

A sensação que tive é de que a relação entre o Sujeito e o Objeto de Conhecimento é que diferencia as metodologias. Ela propõe uma metodologia de pesquisa com dialética  entre seus dois atores, onde essa troca permite a transformação de ambos. Você até se questiona: o quanto fazer parte do objeto de conhecimento é importante para ciência, o quanto vale a experiência e até entende os riscos de ter tal perfil, mas depois a sensação é de qua há alternativa e riqueza pra quem faz parte do objeto de conhecimento.

Vale registrar o que ela diz pra passar algo pra quem chegou a ler até aqui:

Três príncipios fundamentais para fazer uma pesquisa científica:
1- Existem coisas independententemente de nossa consciência, de nossa sensibilidade, fora do nosso conhecimento
2- Não existe, nem pode existir, nenhuma diferença entre o fenômeno em si e a coisa em si; o que existe é a diferença entre o que é conhecido e o que ainda não se conhece, devido ao nível de desenvolvimento das técnicas
3- Na Teoria do conhecimento, como em todos os domínios da ciência é necessário raciocinar sempre dialeticamente, isto é, não supor jamais que o conhecimento atual é acabado e imutável, mas, sim, de que maneira o conhecimento incompleto e inexato pode chegar a ser mais completo e inexato. para tanto, vale observar técnicas que podem ser interligadas em quaisquer procedimentos metodológicos.

Resumo da ópera: eu não descobri ainda o caminho  para fazer Mestrado. Minha percepção é de que o mundo acadêmico respeita uma ordem estabelecida e, talvez, até necessária para você bater na porta. Precisa ter a senha certa para pegar na mão do orientador e passar nos editais. Obtê-la não é difícil, basta conhecer o amigo do amigo do amigo. Mas se você ainda não faz parte do grupo e gosta de uma pedrinha no meio caminho, eu aconselho a ler este livrinho durante uma tarde no parque.

bjkas!

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Capital Simbólico da blogosfera, como ele se forma?

Julho 4, 2009 · 12 Comentários

O abandono da vida online aconteceu por três motivos: trabalho, faculdade e terapia. Mas o que não faltou foram posts pensados no travesseiro…Vontade de lembrar pelo menos de alguns deles, mas agora não resta nenhum fragmento. O que me traz aqui é a primeira idéia sobre uma tese: Quais as trajetórias para formação do campo simbólico entre blogueiros? Essa foi a primeira pergunta, na sala de aula, que o Dennis sugeriu como tema para um TCC. Ainda não sei se é isso nem se devo trilhar para um mestrado de jornalismo, mas a sugestão dele me incentivou a voltar a falar com a telinha e quem sabe encontrar um maluco que navegue por aqui…

Calma! Eu vou dar um lide pra você entender um pouquinho por onde anda minha cabecinha perdida. Estou fazendo pós-graduação, no Celacc , sobre Gestão Cultural. Tudo é super embrionário, mas voltar ao clima da “facu” é renascer, sem dúvida nenhuma. Tenho duas disciplinas, uma que me ensina a pensar de forma prática ( Eventos, com Mariangela Haswani) e outra que me permite viajar pelas teorias da cultura.

O que é cultura?, eis a questão!
Essa é a nossa trajetória. Tentar definir ideologia, hegemonia, relações de poderes, consenso, cotidiano e por aí vai. Ainda não consegui ler nenhum livro inteiro, mas as fontes vão desde Platão, Aristotéles até Bourdieu, John Thompson e Muniz Sodré. Confesso que ouvir fragmentos das teorias desses caras é mais compreensível que fazer terapia em grupo. A sensação é de que todos falam a mesma coisa, mas os teóricos são mais claros do que os rituais das Mulheres que Correm com os Lobos.

O tema é simples: CULTURA. Compreendê-lo, entretanto, requer sair do difícil umbigo de ”olhar para si mesmo”, passar pelo outro e exige uma percepção do todo. E haja resistência de classe média!!! Confesso que antes de ouvir tais teorias, estava justamente na busca de pertencer a algum grupo econômico em função das leituras de Clarissa Estes - cheguei até imprimir relatórios do IBGE para tentar me encaixar na infinita classe média brasileira. Nos dias de hoje, talvez, seja quase impossível se encaixar  de acordo com aquilo que consumimos. Responda-me: quem hoje não tem geladeira, telefone, TV, celular e carro dentro de casa? Ok. Isso é tema para outro post.

Mas percebi que a trajetória humana passa mesmo pela Grana, Educação e Reputação. Essa triologia é um pouco do que restou da teoria de Bourdieu. A gente até aprende que por aqui, no Brasil, a matriz é muito mais complexa. Ou seja,  não adianta tentar imitar a trajetória de estudo do norte-americano para conseguir um salário nas multinacionais e, consequentemente, ter também o tal capital simbólico. Exemplos não faltam de trajetórias diversas que atingem o pico do capital simbólico e passa pelas tradições futebolísticas até as religiosas como camdomblé e ainda vale citar as peculiaridades regionais e as periferias das megacidades. Haja post pra pensar alto sobre tudo isso, mas o que me traz aqui ainda é o que me move pessoalmente: autonomia!!!!

Explico: Viver na marginalidade das redações, ser obrigada a voltar pelo dinheiro e,  AGORA ( depois de cinco anos de luta) ter conquistado uma certa autonomia do meu tempo (com quatro dias de home office e uma estabilidade financeira ,que ainda me encaixa no “infinito” grupo que consome gasolina, tv paga, celular pré-pago e banda larga, sem deixar de ter dívida com cheque especial) me levou a ouvir apenas a relação da autonomia na sala de aula.

O lance é simples e óbvio: no mundo das trocas do capitalismo, você vende seu tempo pelo salário e passa 90% da sua vida cumprindo uma tarefa demandada pelo outro, sem escolha, sem ruptura, quase alienante.  Ou seja, as escolhas acontecem não a partir daquilo que você quer fazer, mas daquelas que são possíveis agora.

Diante deste contexto fragmentado e confuso, a idéia é pensar como se forma o campo simbólico da blogosfera. Ou seja, para ter uma reputação diante do seu público, quais são as estratégias necessárias para sua valorização simbólica? É fato que quem tem reputação (capital simbólico) na blogosfera nem sempre tem money. Motivo? Apesar da reputação gerar audiência, alguns fatores podem impedir que o seu capital simbólico gere capital econômico: seu público, sua competência técnica ou sua “capacidade” de fazer negócio. Conhecimento também não é garantia de capital simbólico. Blogs muito cultos podem até ter uma boa reputação, mas nem sempre tem uma quantidade considerável de audiência. E ainda tem os famosos que continuam ainda mais famosos na blogosfera. Não é tão simples assim, mas pensar as trajetórias a partir da teoria de Bourdieu na prática da blogosfera parece que não rola. Talvez, haja motivo para mergulhar na brincadeira. E, aí, alguém arrisca por onde começar?

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