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Dialogo entre guetos é possível?!

Novembro 21, 2009 · Deixe um comentário

Eu tive a honra de estar ali ouvindo a leitura do documento. Éramos muito poucos e também com quase nenhuma diversidade. Ali só tinha governo ou acadêmico. Afinal, isso é coisa pra quem? Publicitário, assessor de imprensa, RP, jornalista, radialista, apresentador de TV, atriz, ator, diretor, compositor, músico, programador, webdesigner, blogueiro, AI? Não! Acorda! Estamos falando de política e sociedade civil, entende!?

OK. Eu também ainda me sinto um peixe fora d’água. Mas até mesmo onde eu sei nadar muito bem tenho ficado sem ar. Por isso, estava ali.

Sinto que retomo a leitura fragmentada de Benkler, resgato aquele relatório. Ainda está tudo muito cru, mas o esqueleto parece estar pronto. Precisamos colocar pele, revestí-lo, aprimorá-lo muito…Não sei se é possível conjugar o verbo da diversidade, mas seria um começo e tanto se saíssemos agora dos nossos guetos para fazer diferente. Dar pitaco de quem vive na prática o desafio de viver na mão do programador ou não saber a hospedagem certa para seu projeto. Mas são muito poucos que vivem esse desafio e ainda tão dispersos. E o pior de tudo exige tempo…

Ufa! Desabafo pronto, vamos então aos fatos. Estive na quinta-feira no Fórum de Cultura Digital e participei somente das tais PLENÁRIAS. Não tenho idéia do que rolou nos seminários. Mas a plenária foi uma apresentação do que os tais eixos estavam fazendo desde lançamento da rede social. André Deak entrevistou editor, teórico, teórico e teórico, diretor, participou de eventos, enfim, ouviu muita gente e ainda coletou informações do que rolou na rede para escrever o documento. Isso vai servir pra virar política de governo!!!

A idéia envolve Direito, Educação e Financiamento.  O direito começa pelo acesso, passa pela produção e chega até ao anonimato. A Educação entra como meio para permitir as tais práticas sociais de jornalismo. Parece que a idéia é propor a “cultura digital ou a comunicação” desde a escola. De certa forma ela já existe, não? Só não está claro se essa educação será mediada pela técnica ou olhará para Comunicação também como mediação social, cultural e estrutural. Como se ensina uma criança a se relacionar pra não se tornar um adulto preso em guetos?  A outra vertente ( financiamento) é ampla: vai desde propostas de jornalismo independente e, detalhe não vinculado a terceiro setor nem pontos de cultura, até à inserção de cultura digital no campo do Audiovisual e, consequentemente, dentro da Lei Rouanet.

Eu ainda não reli o documento com calma, mas confesso que sai dali satisfeita. O esqueleto está lá pronto para virar gente. Alguma coisa já começou a ser questionada dentro da plenária. Destaco duas porque as considero com mais potencial de aprendizado, pelo menos, pra mim.
1- Quem vai ganhar money do governo?
São práticas sociais de jornalismo ou a disputa pela hegemonia da informação. É possível criar uma política para as duas demandas? E o que significa cada uma delas?
Eu não consegui registrar o nome da pessoa que trouxe o tema em questão, mas comecei a viajar muito sobre o que isso significa. Práticas sociais de jornalismo, pra mim,  é pensar no tal capital social, o intangível, as relações e isso me remete a comunidades. Quais? Pensei naquelas que estão vivas no cotidiano e “podem” migrar para mundo digital. O desafio é a migração. Por outro lado, há as comunidades que nasceram da prática do virtual. No entanto, poucas evoluiram como movimento cidadão, os interesses são diversos e dinâmicos e, detalhe, os membros das comunidades virtuais são mutantes. Como pensar política para financiar algo tão líquido? Mais fácil financiar as referências já estabelecidas no mundo offline. Neste caso, o desafio é menor: educação mediada pela técnica e infraestrutura. Porém, só tais recursos não garante rede viva (acho eu).
Já a disputa da hegemonia da informação é mais fácil. É a briga da velha ideologia: dominante X dominados. A internet poderia ser canal para democratizar o consenso das quatro famílias. Talvez, neste caso, os “jornalistas” podem ter alguma chance. Mas jornalistas de quais guetos e com qual cluster do lado?

A segunda questão veio á tona por Alex Primo: comunicação para todos e jornalismo para alguns? Essa merece outro post…Volto em breve!

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Media On – Joshua Benton

Outubro 29, 2009 · Deixe um comentário

Rever a curadoria e os palestrantes na platéia do Media On deu saudades da minha inocência infantil. Naquela época, ainda enxergava apenas os extremos das possibilidades da democracia de acesso, produção e circulação do conteúdo. Escutava apenas aquilo que fazia sentido para quem sonha com alternativas para a atual estrutura da mídia. Por isso, no auge da minha inocência, eu tinha absoluta certeza de que a hegemonia dos donos da mídia também estava em jogo. E, detalhe: os fragmentos, os múltiplos, os diversos e, principalmente, os pequenos teriam poder com seus respectivos públicos. Sim, poder de grana, além da transformação social!

Eu acreditava que os velhos grupos seriam eternos, mas não os via como os vejo hoje. Tenho a sensação de que ainda estou cega, mas desta vez minha crença está baseada em outros extremos das potencialidades das mídias digitais. Agora, ouço Joshua Benton como um uma mero telespectadora. Explico: No passado, cheguei até a acreditar que fazia parte do público e, detalhe, sem a hierarquia que carrego na identidade profissional que ocupo.Vejo no palco apenas um narrador que faz parte e fala para o mainstream. Agora, sim o discurso do palco ganha mais sentido. O extremo que vejo na internet agora é muito mais recheado de hegemonia e hierarquia do que democracia e mídias alternativas.

Sei que existe um meio do caminho, entre outros tantos tão diversos, mas estou vivendo e, falando, de EXTREMOS. Agora, meu olhar para as potencialidades da internet é de que ela reforça a concentração dos donos da mídia. A arrogância e gestão de links que Joshua cita no palco só faz sentido porque é a maneira como o velho profissional - dos grandes grupos - poderá explorar os outros. Pra mim, ainda soa mais como subordinação que parceria ou deslocamento de poder. A mudança parece deslocar apenas o meio, enquanto o status quo permanece vivo, forte e lucrativo.

Não é só o custo do papel, mas também as próprias cabeças de papéis. Muito MAIS com menos. Porquê vejo tudo tão extremista? Eu acompanhei muitos nascimentos de guetos, participei da construção dos quase impossíveis consensos e os caminhos trilhados apontam sempre para a mesma porta do passado. Lógico que a idéia sempre foi bater nessas portas, mas achei que haveria uma transformação. Ela não aconteceu ainda e o processo continua o mesmo. 

Ouvir Joshua, entretanto, também mostra que há ainda um caminho em construção. Ele citou que a estrutura marxista da produção da notícia está em xeque. No mínimo, neste novo circuito foi eliminado o processo de circulação/impressão, acrescentado novos elementos no processo de produção. Mas cadê a criatividade para colocar essa nova estrutura pra rodar uma nova economia, inclusive entre quem são os donos da mídia?

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Conversa sobre Mestrado em Comunicação II

Agosto 27, 2009 · Deixe um comentário

Quem participa da série Conversas   hoje é  André Borges, que atualmente trabalha no jornal Valor Econômico. Eu tive a honra de trabalhar ao lado desse grande repórter entre 2000 e 2003 numa editora especializada. André é curioso, inteligente e tem “alma de brasileiro’.

Calma! Eu explico a tal alma de brasileiro: ele reconhece a diversidade dentro de casa, sabe qual é sabor da comida mineira e entende a razão da loucura paulista. Parece meio maluco, mas confesso que não sei expressar em poucas palavras o que representa ter alma de brasileiro. De certa maneira, identifico o melhor de mim nessa tal alma brasileiro e me reconheço um pouco no Andrezinho quando tento caracterizá-lo desta forma. Já o pior de mim está um pouco fora daquilo que considero alma de brasileiro, sacou?

Mas aborges é muito mais que isso. É um profissional que sabe contar história, que sente prazer em apurá-las, que gosta de pessoas e sabe fazer delas uma representação brilhante num texto simples, claro e objetivo. Enfim, André tem tudo de um bom repórter!

O Borges foi o segundo que respondeu meu email com seis perguntinhas sobre a experiência de ter feito mestrado. Meu terceiro convidado foi o Madureira, que em breve conto um pouco sobre ele aqui e publico suas respostas. Com vocês, André Borges:

1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?

Eu tinha concluído minha graduação, mas fiquei com vontade de seguir com os estudos. Terminei a graduação em 1997 e, um ano depois, ingressei no mestrado;
 
 
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim, o objeto de pesquisa é um pré-requisito para concorrer ao mestrado da ECA-USP. O que ocorreu é que, meses depois de entrar no curso, decidi mudar meu objeto de pesquisa e fui apoiado pelo meu orientador.
 
 
3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Acho que o que merece destaque é o perfil do trabalho de mestrado. Diferente da graduação, que na maioria das vezes se apoia em trabalhos coletivos, o mestrado é um exercício individual e aprofundado. É um trabalho solitário, que o aluno precisa aprender a desenvolver.
 
4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Me baseei no perfil de suas orientações anteriores e também em sua postura profissional.
 
5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Não cursei o mestrado com o propósito de dar aula, embora seja este o principal objetivo para quem faz o curso na USP. Muitos colegas de sala, aliás, já eram professores em algumas faculdades em cursos relacionados à área de comunicação. O mestrado me trouxe conhecimento e maior capacidade analítica; o mercado traz a aplicação disso. Penso em dar aula, mas é um projeto para o futuro.
 
6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
Escolhi a linha de jornalismo comparado. Na tese, defendida em 2001, falei sobre os embates da mídia impressa e a internet e as tentativas da mídia tradicional para explorar os negócios no ambiente digital. O cenário analisado foi de 1995 a 2001. Não mudou muita coisa de lá para cá. A tese está à disposição na biblioteca da ECA.

Veja Também:
Renato Cruz

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Conversa sobre Mestrado em Comunicação

Agosto 23, 2009 · 1 Comentário

Quem acompanhou meus últimos posts já sabe sobre minha busca para conhecer melhor o mundo acadêmico. Um dos passos para trajetória do Mestrado é dialogar com quem já teve essa experiência, entender a razão dessa etapa e conhecer melhor a dinâmica e as regras da Pós-Graduação. É por isso que inauguro aqui uma troca de emails com amigos solidários e colaborativos, que já passaram pelo Mestrado. Renato Cruz é o primeiro que responde minhas cinco perguntinhas. Você pode conhecer melhor a trajetoria dele no próprio Lattes

…Mas se está acostumado a considerar mais opiniões que práticas, eu tenho a honra de elogiar um pouco o que vejo no Renato. Ético, solidário e objetivo. Renato faz parte de um grupo seleto de profissionais da Comunicação, que mesmo dentro do mainstream media tem um relacionamento intenso e colaborativo com os jornalistas especializados. Ele ouve, mas não entra nas fofocas rotineiras dos bastidores da imprensa – o que é muito raro em espécies como a nossa (risos). Mas a característica que mais me fascina em Renato é o bichinho da imprensa. Ele gosta do que faz, tem paixão pelo bom jornalismo. Ele compartilha as “investigações” ao ensinar a dinâmica do setor aos outros. Enfim, Renato já é um pouco mestre na prática do jornalismo pra quem sabe ouvir e tem interesse em fazer um jornalismo especializado que valha mais que o salário. É aquele jornalismo que vale a pena!

Com vocês, Renato Cruz:
1- Como surgiu a idéia de fazer mestrado na sua vida?
Eu fiz logo depois da graduação, então é quase como se eu não tivesse parado de estudar. Terminei a faculdade de jornalismo e, no ano seguinte, prestei para o mestrado.
 
2- Você já tinha um objeto de pesquisa para sua dissertação antes de encontrar seu orientador?
Sim. Eu escrevi o projeto antes de ter um orientador. O projeto era um pré-requisito para a seleção.
 
3- O que foi novidade para você em relação ao mundo acadêmico. Ou seja, o que você não tinha idéia de que é assim ou assado?
Na minha opinião, o mais difícil para nós, jornalistas, é cuidar das referências bibliográficas. Dá mais trabalho que escrever.
 
4- Como escolheu seu orientador para o mestrado?
Na verdade, o orientador é quem me escolheu.
 
5- Seu objetivo com mestrado é dar aula, ou não? Aproveitando, qual finalidade de um mestrado. Afinal, pra que serve um mestrado para um jornalista?
Já dei aula de especialização. Para mim, dar aula é um projeto de mais longo prazo. O legal do mestrado é escrever a dissertação. Profissionalmente, a gente não costuma ter a oportunidade de escrever um texto com essa extensão e essa profundidade.
 
6- Qual é a linha de pesquisa que escolheu? Pode falar um pouquinho sobre essa experiência. Podemos ver sua dissertação em qual endereço eletrônico ou ela não está disponível?
No mestrado, escrevi sobre a venda de conteúdo na internet. A conclusão foi de que são poucas as oportunidades para fazer o leitor pagar pela informação. A dissertação está aqui: http://njmt.incubadora.fapesp.br/portal/publi/renatoc/EconomiadoExcesso.pdf.

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