Eu tive a honra de estar ali ouvindo a leitura do documento. Éramos muito poucos e também com quase nenhuma diversidade. Ali só tinha governo ou acadêmico. Afinal, isso é coisa pra quem? Publicitário, assessor de imprensa, RP, jornalista, radialista, apresentador de TV, atriz, ator, diretor, compositor, músico, programador, webdesigner, blogueiro, AI? Não! Acorda! Estamos falando de política e sociedade civil, entende!?
OK. Eu também ainda me sinto um peixe fora d’água. Mas até mesmo onde eu sei nadar muito bem tenho ficado sem ar. Por isso, estava ali.
Sinto que retomo a leitura fragmentada de Benkler, resgato aquele relatório. Ainda está tudo muito cru, mas o esqueleto parece estar pronto. Precisamos colocar pele, revestí-lo, aprimorá-lo muito…Não sei se é possível conjugar o verbo da diversidade, mas seria um começo e tanto se saíssemos agora dos nossos guetos para fazer diferente. Dar pitaco de quem vive na prática o desafio de viver na mão do programador ou não saber a hospedagem certa para seu projeto. Mas são muito poucos que vivem esse desafio e ainda tão dispersos. E o pior de tudo exige tempo…
Ufa! Desabafo pronto, vamos então aos fatos. Estive na quinta-feira no Fórum de Cultura Digital e participei somente das tais PLENÁRIAS. Não tenho idéia do que rolou nos seminários. Mas a plenária foi uma apresentação do que os tais eixos estavam fazendo desde lançamento da rede social. André Deak entrevistou editor, teórico, teórico e teórico, diretor, participou de eventos, enfim, ouviu muita gente e ainda coletou informações do que rolou na rede para escrever o documento. Isso vai servir pra virar política de governo!!!
A idéia envolve Direito, Educação e Financiamento. O direito começa pelo acesso, passa pela produção e chega até ao anonimato. A Educação entra como meio para permitir as tais práticas sociais de jornalismo. Parece que a idéia é propor a “cultura digital ou a comunicação” desde a escola. De certa forma ela já existe, não? Só não está claro se essa educação será mediada pela técnica ou olhará para Comunicação também como mediação social, cultural e estrutural. Como se ensina uma criança a se relacionar pra não se tornar um adulto preso em guetos? A outra vertente ( financiamento) é ampla: vai desde propostas de jornalismo independente e, detalhe não vinculado a terceiro setor nem pontos de cultura, até à inserção de cultura digital no campo do Audiovisual e, consequentemente, dentro da Lei Rouanet.
Eu ainda não reli o documento com calma, mas confesso que sai dali satisfeita. O esqueleto está lá pronto para virar gente. Alguma coisa já começou a ser questionada dentro da plenária. Destaco duas porque as considero com mais potencial de aprendizado, pelo menos, pra mim.
1- Quem vai ganhar money do governo?
São práticas sociais de jornalismo ou a disputa pela hegemonia da informação. É possível criar uma política para as duas demandas? E o que significa cada uma delas?
Eu não consegui registrar o nome da pessoa que trouxe o tema em questão, mas comecei a viajar muito sobre o que isso significa. Práticas sociais de jornalismo, pra mim, é pensar no tal capital social, o intangível, as relações e isso me remete a comunidades. Quais? Pensei naquelas que estão vivas no cotidiano e “podem” migrar para mundo digital. O desafio é a migração. Por outro lado, há as comunidades que nasceram da prática do virtual. No entanto, poucas evoluiram como movimento cidadão, os interesses são diversos e dinâmicos e, detalhe, os membros das comunidades virtuais são mutantes. Como pensar política para financiar algo tão líquido? Mais fácil financiar as referências já estabelecidas no mundo offline. Neste caso, o desafio é menor: educação mediada pela técnica e infraestrutura. Porém, só tais recursos não garante rede viva (acho eu).
Já a disputa da hegemonia da informação é mais fácil. É a briga da velha ideologia: dominante X dominados. A internet poderia ser canal para democratizar o consenso das quatro famílias. Talvez, neste caso, os “jornalistas” podem ter alguma chance. Mas jornalistas de quais guetos e com qual cluster do lado?
A segunda questão veio á tona por Alex Primo: comunicação para todos e jornalismo para alguns? Essa merece outro post…Volto em breve!