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Aníbal Quijano – os fantasmas nossos de cada dia

Outubro 28, 2009 · Deixe um comentário

 Identidade, Modernidade, Democracia, Unidade e Desenvolvimento.
Esses são os fantasmas históricos colocados por Aníbal Quijano, um dos teóricos que faz parte da bibliografia da disciplina Cultura Brasileira, no Celacc (ECA-USP). Infelizmente tenho lido bastante picado o imenso volume de livros propostos no curso, o que fragmenta ainda mais minhas idéias e interpretações. Logo, resulta em posts ainda mais confusos e egoístas (sorry!)

O que me faz blogar sobre Quijano é a idéia sobre os (des) encontros. Ele diz: o novo não acabou de nascer e o velho não terminou de morrer. Esse paradigma, aliás, é o que permeia a história de Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. São momentos de (des) encontros como esse que há oportunidade de enxergar as coisas de forma diferente daquela que estamos acostumados. Ou seja, os (des) encontros permitem a ruptura do pensamento da ordem dualista, sequencia unilinear e unidirecional de evolução. É uma oportunidade de pensar diferente e perceber que a história segue uma ordem associativa, extremamente complexa, contraditória e descontínuas de significados.

Quijano acredita que os fantasmas (citados acima) sempre nos perseguem porque o tratamos ainda como colonizados/colonizadores ( pensamento eurocêntrico). Ou seja, de forma fragmentada, separada, por etapas e tentamos resolvê-los gradualmente e em sequência. E, por isso mesmo, consideramos as propostas e tentativas meras utopias. Ou seja, ninguém as vê como propostas de novos sentidos históricos até porque a maioria realmente não é. Todo esse contexto permeia a cultura da América Latina, mas cada paragrafo lido me remetia à Comunicação, mídias sociais, comunidades, blogs e por aí vai.

Não é por acaso que a cada aula reforço a premissa de que COMUNICAÇÃO É PURA CULTURA, ou vice-versa. A hegemonia da cultura de massa segue muito bem a cartilha do pensamento eurocêntrico e o ecossistema que forma a Imprensa é recheado de pensamentos dualistas, progressistas e lineares. Pelo menos essa foi minha vivência. Meu maior desafio quando resolvi entrar na turma dos blogueiros foi abandonar a cabeça de seções, categorias, segmentos e nichos. Eu via tudo dentro de caixas. Não tinha capacidade de associar, ligar, interagir…

Hoje ainda é muito complicado inverter toda minha experiência, mudar meu jeitinho de pensar, mas ler Quijano permitiu entender um pouco a razão desse meu jeito de agir. Não é só cultural ( o que já é um motivo e tanto), mas também tem uma carga histórica. Confesso que olhar as potencialidades das redes e mídias sociais agora faz mais sentido, porém demonstra o TAMANHO  do desafio. Minha sensação é de que a internet também potencializa a concentração e a hierarquia, o que torna as quatro famílias da MÍDIA ainda muito mais importante do que quando vendiam só papel. Afinal, agora – além delas estarem relacionadas a grandes grupos de telecom – o público cresceu e ainda tem muita gente que trabalha de graça pra eles.

PS: o material disponível em um dos links acima faz parte dos Estudos Avançados, de 2005 e também do curso de extensão universitária Gestão de Projetos Culturais

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Raça e Preconceito

Outubro 18, 2009 · 1 Comentário

Tivemos uma aula bastante participativa na disciplina Cultura Brasileira, neste sábado, que deu vontade até de blogar… Estamos mergulhando nas origens brasileiras, questionando as ideologias eurocêntricas ( vindas da formação Européia com sentido hegemônico) e a tal da formação colonialista. Tudo em busca da desconstrução, da ruptura e principalmente da meta do Celacc, cujo slogan é Conhecer para transformar.

Ainda não li as bibliografias propostas, mas as leituras em sala de aula traziam uma mensagem um pouco vaga. Motivo? A sensação era muito mais de constatar o óbvio do que digerir algo novo. Hoje, entretanto, a questão da raça ganhou novos ares. Eu nunca aceitei muito bem a “cota das universidades” porque tenho pavor de políticas públicas que são baseadas em critérios tão discriminatórios como raça. Eu não tenho dúvida de que é necessário a intervenção do Estado na dinâmica das universidades elitizadas. Mas não entendia o discurso em prol das tais cotas porque me remetia a Hitler, totalitarismo e ao reforço de que eu, cidadã, sou obrigada a entrar dentro de uma caixinha. Qual você escolhe: negro, branco ou índio?

Mas aprendi algo novo. Meu olhar é muito AGORA. Eu vejo o diferente e ele é óbvio. Todo mundo vê quem é negro ou branco. Eu “aprendi” a história e, por isso, reconheço nesse olhar o bem e o mal. Mas eu nunca tinha percebido que priorizo o presente. Quando eu constato a raça, tenho medo de assimilar o simbólico. Eu não quero ter preconceito nem ser o mal. Eu não aceito isso!!! Porquê? Alienação, falta de conhecimento, ideologia dominante…

Simples porque eu não entendo. Resolvi adotar uma das respostas na terapia de quem-somos: hoje o discurso desloca a democracia racial para o preconceito ao invés da raça. Então, quando você constata o diferente (raça), você segue o pensamento eurocêntrico - diferente é o outro, logo quem é o bem e o mal? – Ou seja, quem é o inferior (preconceito)? Maluco, né.

O desafio é que o simbólico não é negado, mas o processo de dominação, sim! Quando o discurso desloca para o preconceito é natural que você associe raça a poder e esqueça completamente do processo histórico. Afinal, vivemos o eterno presente…

Eu estou no comecinho da terapia. Vale lembrar que escrevo muito mais aquilo que não entendo do que aquilo que sei. São fragmentos de mim mesma que coloco aqui em busca de construções. Por isso, lhe convido a pensar junto, a dar pitaco, a re-pensar o passado, o meu, o seu e o nosso!

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