Identidade, Modernidade, Democracia, Unidade e Desenvolvimento.
Esses são os fantasmas históricos colocados por Aníbal Quijano, um dos teóricos que faz parte da bibliografia da disciplina Cultura Brasileira, no Celacc (ECA-USP). Infelizmente tenho lido bastante picado o imenso volume de livros propostos no curso, o que fragmenta ainda mais minhas idéias e interpretações. Logo, resulta em posts ainda mais confusos e egoístas (sorry!)
O que me faz blogar sobre Quijano é a idéia sobre os (des) encontros. Ele diz: o novo não acabou de nascer e o velho não terminou de morrer. Esse paradigma, aliás, é o que permeia a história de Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. São momentos de (des) encontros como esse que há oportunidade de enxergar as coisas de forma diferente daquela que estamos acostumados. Ou seja, os (des) encontros permitem a ruptura do pensamento da ordem dualista, sequencia unilinear e unidirecional de evolução. É uma oportunidade de pensar diferente e perceber que a história segue uma ordem associativa, extremamente complexa, contraditória e descontínuas de significados.
Quijano acredita que os fantasmas (citados acima) sempre nos perseguem porque o tratamos ainda como colonizados/colonizadores ( pensamento eurocêntrico). Ou seja, de forma fragmentada, separada, por etapas e tentamos resolvê-los gradualmente e em sequência. E, por isso mesmo, consideramos as propostas e tentativas meras utopias. Ou seja, ninguém as vê como propostas de novos sentidos históricos até porque a maioria realmente não é. Todo esse contexto permeia a cultura da América Latina, mas cada paragrafo lido me remetia à Comunicação, mídias sociais, comunidades, blogs e por aí vai.
Não é por acaso que a cada aula reforço a premissa de que COMUNICAÇÃO É PURA CULTURA, ou vice-versa. A hegemonia da cultura de massa segue muito bem a cartilha do pensamento eurocêntrico e o ecossistema que forma a Imprensa é recheado de pensamentos dualistas, progressistas e lineares. Pelo menos essa foi minha vivência. Meu maior desafio quando resolvi entrar na turma dos blogueiros foi abandonar a cabeça de seções, categorias, segmentos e nichos. Eu via tudo dentro de caixas. Não tinha capacidade de associar, ligar, interagir…
Hoje ainda é muito complicado inverter toda minha experiência, mudar meu jeitinho de pensar, mas ler Quijano permitiu entender um pouco a razão desse meu jeito de agir. Não é só cultural ( o que já é um motivo e tanto), mas também tem uma carga histórica. Confesso que olhar as potencialidades das redes e mídias sociais agora faz mais sentido, porém demonstra o TAMANHO do desafio. Minha sensação é de que a internet também potencializa a concentração e a hierarquia, o que torna as quatro famílias da MÍDIA ainda muito mais importante do que quando vendiam só papel. Afinal, agora – além delas estarem relacionadas a grandes grupos de telecom – o público cresceu e ainda tem muita gente que trabalha de graça pra eles.
PS: o material disponível em um dos links acima faz parte dos Estudos Avançados, de 2005 e também do curso de extensão universitária Gestão de Projetos Culturais