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Modelos comerciais de mídias sociais

Outubro 2, 2008 · Deixe um comentário

É bom lembrar que não sou especialista em planejamento nem tenho conhecimento suficiente para determinar formatos de modelos comerciais para qualquer negócio, inclusive mídia. Sou apenas uma blogueira, formada em jornalismo, que transita entre o deslumbramento e a busca por respostas a partir da experiência vivida há quase três anos na internet. Ou seja, nada que você ler a seguir deve ser interpretado como uma verdade (já que nem sempre elas são escritas) e também porque não tenho resposta para nada. Pelo contrário, escrevo uma experiência.

E a minha experiência começa a partir da Minha Cabeça de Papel que acredita no modelo de Patrocínio para viabilizar um site de conteúdo diferente. A idéia é simples: grandes empresas vão patrocinar uma boa idéia que envolva mídia, conteúdo e plataforma web. Afinal, um projeto de conteúdo de boa qualidade, que ainda inova a partir do conceito da colaboração (leia-se redes sociais, blogs, fóruns) seria interessante para as donas do dinheiro corporativo, certo?! Afinal, o que é R$ 10 mil ou R$ 50 mil por mês para essas empresas. Pode ser até pouco, mas esse modelo é irreal. Calma!

É irreal para quem não escreveu um livro, não é filho de ninguém e nem conhece o amigo do amigo do gerente de marketing ou qualquer outro gerente que tenha acesso à tomada de decisão.

Nada é tão simplista como escrevo agora, mas o fato é que patrocínio exige bom relacionamento, credibilidade alta e um marketing pessoal consolidado. Algumas perguntinhas pra gente dar risada:

1-Enfim, você tem marca própria no segmento onde busca patrocínio?
R: Então, existe o modelo comercial de patrocínio para você.
2-Não tem marca própria?
R: Então, busque um sócio que tenha!
3-Vai construir essa marca ainda?
R:
Então, aposte no seu projeto, passe bastante fome e espere, espere, espere e espere…Ah! Não esqueça que fatores externos e outras circunstâncias são cruciais para seu projeto acontecer, independente do seu esforço profissional e dedicação exclusiva ao seu projeto. Exemplo? São vários, mas responda-me: o mercado sabe diferenciar seu projeto de um blog?
PS: E, você, sabe? Mensagem clara é a lição número um para seu projeto dar certo e, detalhe, essa mensagem não surge do nada.

A Cabeça de Papel também acredita que a velha publicidade pode resolver todos os problemas, enquanto o patrocínio não vem… E, detalhe: acredita que se as “velhas” agências não entendem o que você está falando, há ainda a alternativa de “vender” espaços publicitários para pequenas e médias empresas que buscam um lugar ao sol. Vender como, cara pálida?

Cada representante comercial custa entre R$2 mil a R$ 5 mil, quando tem salário fixo e a ajudinha de custo sai por uns R$ 1mil. Ele trabalha com comissão entre 10% a 20% em cima do negócio. E, você, tem idéia onde achar esse profissional que vale ouro: entende de internet e ainda tem relacionamento com cliente?

Ok. Tem as agências que terceirizam essa equipe pra você e cobra 50% para ser sua equipe comercial. Ahhhhhhhhh, achou a fórmula ideal para seu negócio?

Hehehehehe. Cara Cabeça de Papel, é bom lembrar que publicidade vive de números. Já superou o desafio da audiência? O quê? Seu público, cara pálida? Ele se chama visitas, visitantes únicos e exibições de páginas, entre outras métricas. Existe uma estimativa maluca que diz que um site pequeno tem 10 mil visitas/dia. O médio é acima de 100 mil visitas/dia e o grande tá acima de 1 milhão. Tem esses números? Então, corra atrás deles ou vá se virar com Google.

Tudo bem! Eu sei que número não é a única métrica crucial para seu sucesso (nunca falei isso, ok?) e que há uma possibilidade de valorizar a qualidade do relacionamento com seu público. OK. Você venceu! Só me responda uma coisinha: como você mensura a qualidade do seu público? Já olhou o potencial do seu público versus aquilo que visita sua página? Então, corra!

Você pode correr para Google e descobrir que contratar um expert em SEO pode ser um bom caminho para começar a pensar em publicidade no mundo de mídias sociais. Você não vai ter grana para contratar esse profissional, mas as informações estão no sistema de busca e, talvez, você perceba a importância do código e da arquitetura de informação do seu site. Você vai ter que fazer essa lição de casa.

Pode até soar que você tá ficando louca e quer ser um tecnólogo ou um especialista em AI. Deixem que falem, mas continue sua lição de casa porque se quer ter um site precisa entender como ele funciona para definir, entre tantas outras coisas, o modelo comercial. Você não será especialista de nada, apenas coletará informações para saber fazer aquilo que faz bem, no caso da Cabeça de Papel: conteúdo. Detalhe: precisa fazer toda essa lição de casa (conhecer o espetáculo de brincar na web) sem deixar de fazer a única coisa que sabe fazer. É foda! Mas você não pode dizer que é foda. Não pega bem e isso é péssimo para marketing pessoal, lembra dele?

Há ainda outras alternativas. Uma delas é você criar um modelo comercial que não seja focado em patrocínio nem publicidade. Pode pensar em licenciamento de conteúdo? Vai vender para quem? Tem marca própria? Ah, já sei você tem volume. Quantas páginas de conteúdo produzidas?

O quê? qua-li-da-de? Ichiiiiiiiiiiii, você não leu nada que escrevi aí em cima. Ah, você tem um novo processo de produção que representa uma inovação no jeito de produzir conteúdo? Legal. Quantas páginas já produziu?

Vale lembrar que uma pesquisa recente aponta que os agregadores de conteúdo geram entre 200 e 300 páginas/mês “produzidas” nos canais considerados também mídias ou redes sociais. Corra, vá produzir conteúdo. Você tá divagando demais, falando de coisas que não entende e trocando os pés não apenas pelas mãos, mas também pelas orelhas, intestino grosso e uma abóbora que estava passando por ali.

Outra alternativa é olhar para lado. Ou melhor, para cima. Bem, lá em cima e descobrir como funciona a Lei Rouanet, cujo site (seu negócio) é contemplado no formato Mecenato na área Aduiovisual e, neste ano, o edital da Petrobrás permite a participação na área Cultura Digital sem passar pelo aval do Ministério da Cultura. Veja abaixo alguns detalhes do link da Lei Rouanet:

5. Multimídia (cd-room, site, portal):

a)Estrutura do site/portal;

b)Descrição das fontes de alimentação de conteúdo;

c)Definição de conteúdos( pesquisa e sua organização e, roteiros).
A qualquer produto ou sub-produto, faz-se necessário a inclusão da logomarca do Ministério da Cultura, conforme o Manual de Identidade Visual da SECOM/PR.

Agora não há dúvida de que as mídias sociais estão em plena transformação e novos modelos comerciais serão construídos ou já estão prontos para serem lançados em breve ou já estão pipocando no mercado e você pode estar ganhando dinheiro de outro jeito ou adotou um dos modelos acima de outra maneira. Afinal, o que não falta são caminhos para serem trilhados e criados nessa seara, né!? Que tal você contar um pouquinho da sua experiência aqui também…please!

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Google é a única cauda longa da publicidade online?

Junho 16, 2008 · Deixe um comentário

Não é novidade para ninguém que o mundo capitalista é construído pela desigualdade. Ou seja, POUCOS ganham MUITO Mais dinheiro. Não é à toa que a regrinha dos 80/20 ainda impera no nosso dia-a-dia. UOL, Terra, IG, Google, Yahoo e Microsoft, sem dúvida nenhuma, são responsáveis por 80% ou 90% da receita de R$ 527 Milhões movimentada no ano de 2007. Essa é a mídia online do mercado brasileiro de sucesso.

Talvez, vale somar os calhaus, cotas de patrocínios ou até mesmo CPM ou CPC vendidos pelos sites da Globo.com, Abril, Valor nesta conta da concentração. Eu considero dois regionais importantes: JC Online e Click RBS, porém não tenho a mínima idéia se ambos canais estão na conta da concentração. E nem imagino quem são os restos dessa história?

Será que no meio deste bolo entra sites segmentados da mídia de papel como IDG Now ou de ex-jornalistas como Convergência Digital e Telecom Online? Ou, a briga pelo que resta do pedacinho do bolo já é destinada para nova mídia ( neste caso, leia-se blogs e iniciativas como Desabafo de Mãe)? Duvido muito. Minha sensação é de que nichos como blogs são canais exclusivos do Google e suas réplicas nacionais (leia-se UOL, Submarino, Yahoo, Mercado Livre e por aí vai) que por eliminarem as agências dessa cadeia conseguiram trazer também um novo grupo de anunciantes, os quais já somam em torno de R$ 110 Milhões de movimento com o famoso Links Patrocinados ( veja mais detalhes dessa conta no post do Renato Cruz)

É impressionante a ausência de informação sobre esse mercado, cujo grande apelo é justamente a capacidade de mensurar e gerar cada vez mais relatórios dos serviços de publicidade que oferece ao mercado corporativo. Pior que isso é o silêncio das mídias de nicho.  Cadê nossa capcaidade de compartilhar conhecimento sobre o mercado. É impressão minha ou Tudo é OFF.

Parece até que vivemos na cultura empresarial dos GRANDES. Eu diria que é ainda pior porque é um medo, receio, “doença”( talvez) ou será apenas um despreparo pessoal?  Sem dúvida nenhuma faz parte do nosso crescimento como nicho. Espero em breve ter outra percepção, um olhar mais maduro e consciente desse setor. Infelizmente ainda continuo perdida e me sinto bastante solitária. E imagino que há muitos solitários nesta trilha - sem tempo de navegar, de compartilhar, de conhecer o outro porque o heroísmo exige assimilar diferentes competências a cada descoberta. Só não tenho certeza de que essa luta solitária seja viável para todos. E pior que seja correta para cultura de nichos…

 

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Internet é só para os Grandes e Principais?

Junho 12, 2008 · 2 Comentários

O que o Google mudará no modelo atual das agências de publicidade? Elas continuarão fazendo sites para realizar campanhas de relacionamento e investindo nos principais portais para a divulgação de produtos?

Nada melhor que um discurso comum entre os vencedores do TOP of Mind da Internet (detalhe: promovido pelo UOL) pra deixar claro que a insuportável concentração continuará pra sempre mesmo num segmento que se transforma:
Itau: “Utilizamos estrategicamente os grandes portais para gerar visibilidade…
LG : “Estivemos presentes nos principais canais e portais da internet durante todo o ano de 2007 com grandes e importantes campanhas”

Mas, então, não há saída para canais de nicho? Gente grande se relaciona com gente grande assim como você se relaciona com seus leitores, certo? Enquanto gente grande ganha dinheiro grande, você sobrevive porque o Google existe junto com os grandes que seguem o modelo Google em formato de afiliados. Não é á toa que Michel Lent diz Boicote ao Google no PodCrer como alternativa para surgir os canais de nicho das mídias sociais. Ouça e opine: afinal a única alternativa para ser inserido no mercado publicitário é um boicote ao Ad Sense?

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