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Um Jabá com contexto para Blogs

Junho 19, 2008 · 5 Comentários

Eu nunca vi nem me lembro de nada que a LG promoveu entre 2000 e 2005. Neste período, eu viajei até para França patrocinada pela Nokia para cobrir evento de mobilidade. Houve sempre bons jabás de fabricante de switch, desenvolvedor de plataformas de CRM e por aí vai. NUNCA durante cinco anos de IDG, lembro de alguma iniciativa da LG que envolveu JABÁ.

Em abril deste ano, entretanto, a fabricante sul-coreana entrou para lista de discussão sobre Ética em Blogs devido a ação Safari Urbano. Pitacos e críticas vieram de todos os lados. Aqui eu citei a ação a partir de diversos pontos que foram discutidos durante o NewsCamp: Responda-me: porque a LG não dá seus brinquedinhos para os presidentes das corporações andarem de helicóptero e fotografar as imagens vistas lá de cima? Seria uma estratégia de relacionamento? Não é fácil discutir “o que homem faz a partir do que fizeram dele” ( Sartre).

Eu acredito nas convenções como Informe Publicitário, Anúncio, Licenciamento de conteúdo e até no tão criticado JABÁ. Mas, como já disse antes, certas convenções precisam ser reinventadas porque replicá-las dentro do ambiente de rede provoca, no mínimo, mal estar. Motivo? É preciso se adequar ao ambiente de “sociedade em rede”. Fazer jabá com blog é oferecer algo a pessoas. Fazer jabá com a Imprensa é oferecer algo à uma entidade burocrática, hierarquizada. Não existe “o jabá da Nokia é para Ceila Santos”, mas o jabá da Nokia é para o veículo tal. Essa mudança implica num cuidado estrondoso na hora de criar os recursos do Jabá para que a ação com pessoas não torne-se exploração ou coação.

O erro do Safari Urbano foi utilizar a tão propagada “voltinha de helicóptero” para falar de celular. Tudo bem, lá do alto as imagens devem ser incríveis, mas o recurso é bastante luxuoso para pessoas assim como é extremamente usual para executivos. Não há como não se assustar com o helicóptero dentro dessa ação.

OK. Eu sei que você vai me questionar: Mas a viagem para França paga pela Nokia? Ela está atrelada ao evento de mobilidade. Por mais luxuoso que seja, a viagem é a ÚNICA via para chegar ao evento. Já o helicóptero é uma opção diante de diversas possibilidades de fotografar por ângulos diferentes.

Faço esse mega pano de fundo pra informar o seguinte: Eu vi Rafinha Bastos e Danilo Gentili no show da LG! Minha sensação foi de que o grupo sul-coreano acertou na dose. Desta vez, a Dudinka e a One Digital ofereceram um Jabá dentro do Contexto.

A fabricante lançou um site ( ok, eu sei que isso é comum e típico das grandes organizações) com uma estratégia de divulgação que envolveu quase 99% de blogueiros. O nome do site é Lorotas e os dois atores (NASCIDOS DA INTERNET e extremamente famosos por causa do programa de TV CQC, da Bandeirantes) apresentaram seu repertório de comédias, trazendo á tona o jabá (achei fantástico!), o produto, a internet e ainda suas piadas. Enfim, uma campanha viral com contexto.

Não houve luxo, deu o recado, vai gerar muito buzz, é imediatista e, detalhe, não deve nada aos típicos jabás oferecidos à Imprensa. Talvez uma pergunta que se coloca diante da ação é: TV de Plasma é um produto adequado a blogueiros? Acredito que não assim como muitas ações de Jabá não são adequadas a jornalistas, mas ao público que lê os veículos onde esses profissionais trabalham. Também não tenho a mínima idéia se o público dos blogueiros presentes é o nicho alvo. Mas, com certeza, TV de Plasma é SIM um desejo de consumo. Ainda mais com a chegada da TV Digital.

Houve alguns percalços. Eu não sabia, por exemplo, que o show oferecido era patrocinado pela LG. Óbvio que como fui convidada para ir ao show do Rafinha Bastos e Danilo Gentili sabia que era um jabá, mas o convite não deixou isso claro. É bom adotar a convenção: “A LG tem o prazer de lhe convidar….” Na troca de emails até houve menção à marca ( [dudinka] LG Plasma – Stand Up Comedy Show) mas somente no tópico assunto do email. Passou despercebido por mim.

De resto, gostei do formato. A dupla de apresentadores trouxe á tona a palavrinha mágica: JABÁ sem nenhum pudor nem hipocrisia, durante o show. E como todo jabá não houve nenhum tipo de coação para gerar o viral como o que faço aqui e agora, mesmo sem ter uma TV Plasma na minha sala, mas o encontro foi tão agradável que hoje posso falar dele como uma pessoa comum que escreve. Se estivesse lá como jornalista, talvez, não falaria nada. Ou até divulgaria o release sobre o produto, mas você JAMAIS ficaria sabendo que eu vi o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili de graça. Essa é a transparência que a sociedade em rede traz á tona e, consequentemente, permite relacionar e mostrar um pouco dos bastidores do jornalismo convencional.

Upgrade: hoje – quase 18 horas após ter publicado este post - pensei o quanto essa minha divagação está atrelada, ou não, ao fato de ter participado pela primeira vez à uma ação destinada a blogueiros. Como não participei do Safari Urbano, minha percepção era de quem lê a espuma. Agora que vivi presencialmente a segunda ação, estou influenciada. Afinal a ótica é outra. E, pela primeira vez, percebo minha metamorfose em aceitar as convenções do modelo de mídia para a Imprensa e talvez considerar estranho a mesma estratégia para mídias sociais. leia Mais: Um desabafo de uma blogueira, ou seria Jornalista?

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Além das Convenções está o relacionamento?

Abril 15, 2008 · 10 Comentários

Não há dúvida de que ética e transparência são cruciais para as agências de marketing digital e as consultorias de novas mídias com foco empresarial. Por outro lado, o enigma está em como estimular e explorar o potencial da ”sociedade em rede” quando o nome do jogo é marketing guerrilha? Ou seja, tudo de graça e com um efeito assustador para o cliente quando se trata de volume de informação, espuma e discussão.

Eu tenho minhas opiniões pessoais que vão totalmente contra o caminho de agora. Eu acredito em estratégias de relacionamento, mas isso exige respeito e vínculo. Ou seja, nada pra agora e muito menos com grande escala. Pelo contrário. Minha crença está na publicidade que acredita em pessoas e respeita suas escolhas. Não na publicidade que intimida o mais fraco e ainda o acusa pela falta de ética. Ou seja, minha crença exige estratégias de nicho e longo prazo. Não gosto das estratégias de exploração que visam apenas os resultados imediatos.

Mas esse não é o cenário que encontrei, durante o NewsCamp, quando participei da desconferência com alguns profissionais de mídia corporativa. Confesso que me dediquei pouco às conversas da sala de cima do Gafanhoto, onde a turma de negócios passou a maior parte do tempo. Mas descobri que relacionamento ainda está preso às velhas estratégias de jabá, que sempre foram tema para os bastidores da imprensa. É bom reforçar que a hipocrisia comanda esse processo na imprensa: há editoras que têm políticas de comunicação que impedem o jornalista receber jabá, mas permite que o diretor editorial receba seus brinquedinhos em casa.

OK. Ninguém tem dúvida de que ética se aprende em casa. Porém, no Brasil, status é mais forte que prato de comida: vide a euforia dos celulares. E, diante dessa cultura cheia de jeitinhos, eu confesso que jabá não é apenas uma questão de ética. Pelo menos, pra mim, não é tão simples assim. Jabá representa, para muitos, oportunidades a quem deseja fazer parte ou a quem tem fome. E dizer que isso é apenas a prática do ditado “cada um tem seu preço” soa, no mínimo, uma conclusão simplista. Heloooooo, estamos no Brasil. Responda-me: porque a LG não dá seus brinquedinhos para os presidentes das corporações andarem de helicóptero e fotografar as imagens vistas lá de cima? Seria uma estratégia de relacionamento? Não é fácil discutir “o que homem faz a partir do que fizeram dele” ( Sartre).

Mas dizem que tal estratégia funciona. Eu tenho minhas dúvidas. Questionei diversas vezes, durante o NewsCamp, se um plano de relacionamento, que envolve jabá, não pode ser visto como o tão mal falado post pago, que ganhou fama de falta de ética( acho injusto tal fama, mas a prática mostra o contrário). A maioria acredita que não. Eu acho que está tudo dentro do mesmo saco (post pago que omite e jabá que intimida produtor de conteúdo). Isso não é relacionamento, mas exploração.

Se o jabá é uma convenção que eu acho que deve ser revista a partir da sociedade em rede - porque cada vez mais haverá mais pessoas comuns e, consequentemente, sem condições de fazer parte do grupinho que tem status - há outras como informe publicitário, classificados e formatos padrão de páginas para espaços publicitários que acredito que não devem ser reinventadas.

1-Post pago, pra mim, segue a regra de informe publicitário. Ou seja, conteúdo devidamente identificado como publicidade ( pago) para leitor. Muitos jornalistas são contratados para fazer informe publicitário e ganham extra para escrever para o anunciante. Porém, quem assina aquela “reportagem” é a empresa.
2-Quer replicar o conteúdo do meu blog no seu site? Isso é licenciamento de conteúdo.
3-Quer associar sua marca ao meu conteúdo? Isso é anúncio de página inteira, meia página ou joelho.
4-Quer divulgar seu produto? Faça um classificado. Ou seja, link patrocinado nas lojinhas ou no Google Ad Sense.

Agora quer uma estratégia de relacionamento com meu público? Então, venha conversar com minha comunidade, bata na porta antes de entrar, deixe claro quem você é, esteja preparado pra ouvir críticas e, acima de tudo, não vá embora antes de criar vínculos. Você pode aprender muito a partir daquilo que você me ensina. Mas, ensinar não é me convencer a comprar seu produto, ok? Pelo contrário. Nossa estratégia está baseada em troca. Comprar, ou não, seu produto é apenas uma consequência da nossa história.

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