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Media On – Joshua Benton

Outubro 29, 2009 · Deixe um comentário

Rever a curadoria e os palestrantes na platéia do Media On deu saudades da minha inocência infantil. Naquela época, ainda enxergava apenas os extremos das possibilidades da democracia de acesso, produção e circulação do conteúdo. Escutava apenas aquilo que fazia sentido para quem sonha com alternativas para a atual estrutura da mídia. Por isso, no auge da minha inocência, eu tinha absoluta certeza de que a hegemonia dos donos da mídia também estava em jogo. E, detalhe: os fragmentos, os múltiplos, os diversos e, principalmente, os pequenos teriam poder com seus respectivos públicos. Sim, poder de grana, além da transformação social!

Eu acreditava que os velhos grupos seriam eternos, mas não os via como os vejo hoje. Tenho a sensação de que ainda estou cega, mas desta vez minha crença está baseada em outros extremos das potencialidades das mídias digitais. Agora, ouço Joshua Benton como um uma mero telespectadora. Explico: No passado, cheguei até a acreditar que fazia parte do público e, detalhe, sem a hierarquia que carrego na identidade profissional que ocupo.Vejo no palco apenas um narrador que faz parte e fala para o mainstream. Agora, sim o discurso do palco ganha mais sentido. O extremo que vejo na internet agora é muito mais recheado de hegemonia e hierarquia do que democracia e mídias alternativas.

Sei que existe um meio do caminho, entre outros tantos tão diversos, mas estou vivendo e, falando, de EXTREMOS. Agora, meu olhar para as potencialidades da internet é de que ela reforça a concentração dos donos da mídia. A arrogância e gestão de links que Joshua cita no palco só faz sentido porque é a maneira como o velho profissional - dos grandes grupos - poderá explorar os outros. Pra mim, ainda soa mais como subordinação que parceria ou deslocamento de poder. A mudança parece deslocar apenas o meio, enquanto o status quo permanece vivo, forte e lucrativo.

Não é só o custo do papel, mas também as próprias cabeças de papéis. Muito MAIS com menos. Porquê vejo tudo tão extremista? Eu acompanhei muitos nascimentos de guetos, participei da construção dos quase impossíveis consensos e os caminhos trilhados apontam sempre para a mesma porta do passado. Lógico que a idéia sempre foi bater nessas portas, mas achei que haveria uma transformação. Ela não aconteceu ainda e o processo continua o mesmo. 

Ouvir Joshua, entretanto, também mostra que há ainda um caminho em construção. Ele citou que a estrutura marxista da produção da notícia está em xeque. No mínimo, neste novo circuito foi eliminado o processo de circulação/impressão, acrescentado novos elementos no processo de produção. Mas cadê a criatividade para colocar essa nova estrutura pra rodar uma nova economia, inclusive entre quem são os donos da mídia?

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Pierre Lévy e Michael Rosenblum

Setembro 10, 2008 · 6 Comentários

Quem estava ao lado de Michael Rosenblun no palco do Media On ( evento patrocinado pelo Terra que acontece até quinta-feira no Itau Cultural, em São Paulo) era Marcelo Tas, mas cada palavra que ouvia do jornalista norte-americano me remetia ao livro que encontrei de graça na “biblioteca” do SESC Pinheiros,  As Tecnologias da Inteligência, de Pierre Lévy (1993). Então não pude deixar de mudar a dupla no título deste post para escrever agora.

Rosenblum adora falar palavrão ( ufa! que alívio: também gosto de usar certas palavras consideradas não-politicamente corretas) em inglês fica ainda mais sonoro porque parece mais curtas e adequadas. Ele também adora contar história e, talvez, por isso lembrei muito do roteiro utilizado por Pierre Lévy, que descreve os sentidos do manuscrito, do livro, da impressão para falar sobre o hipertexto. Ambos deixam claro a importância de Gutemberg para mudar a forma de se comunicar e relaciona tal transformação aos momentos que vivemos agora onde a internet ou o “pólo informático-mediático” ( termo utilizado por Levy)  muda de novo essa brincadeira de se comunicar com outros.

Enquanto Lévy te convence que a impressão permitiu criar a interface da página de título, cabeçalhos, numeração regular, sumários, notas, referências cruzadas e o hipertexto demanda uma nova arquitetura de comunicação, Rosenblum nos assusta com a cruel realidade do fim das instituições – aquelas que são e sempre serão presas aos processos operacionais de imprimir, circular e gerenciar para vender conteúdo. Não cheguei ainda na terceira parte do livro de Lévy, mas já se percebe o quanto ele deixa claro que os três pólos ( oralidade, escrita e informático-mediático) estão sempre presentes a cada instante e a cada lugar, mas com intensidade variável. Rosenblum assusta, mas combina muito bem com aquilo que ensina Lévy quando responde à uma pergunta de Tas contando uma nova historinha, a qual ele afirmou ao executivo de um grande grupo de comunicação que tudo isso só vai mudar quando caras como o dono do jornal morrer e deixar de imprimir o papel do jornal ou de bancar o estúdio caro do broadcasting.

Seria perfeito demais se tudo isso estivesse acontecendo agora e, detalhe, está acontecendo exatamente agora só que muita gente ainda não morreu para deixar de ganhar dinheiro como ganhava no passado. E o custo da impressão ainda é alto para que nós, apaixonados pela internet, deixemos de usar a expressão “jornalismo online” para falarmos de jornalismo.

PS:Tas comenta que a expressão ‘jornalismo online” não tem mais sentido para a nova geração. Oba! Será que nós já velhinhos para sermos repórteres da redação podemos nos considerarmos da nova geração?

A resposta que a platéia buscava diante da realidade que Rosemblum apresentava no palco era: mas como nós, brasileiros, vamos sobrevivermos até os donos e executivos da impressão morrerem?

Ele gritava em alto e bom som: o que você tiver coragem de fazer. E ainda ensinou que: não adianta ficar sentado esperando a mídia convencional fazer algo por nós. E foi além: mostrando que a critividade exige fracasso em cima de fracasso. Ainda deu a dica do público: eu não quero que alguém me indica o que é melhor para mim. Eu mesmo defino isso a partir daquilo que eu escolho. Não precisa de editor a partir da democratização da escrita na web“. Mas a sensação é de que o público ainda buscava a resposta. As perguntas continuavam e Rosenblum, então, resolveu dar mais uma dica: Faça o curso de cinco dias que eu ministro lá na universidade.

Talvez se Lévy replicasse a frase em que finaliza o capítulo 11-Esquecimento, tornaria-se mais fácil ouvir o que Rosenblum espera de cada um de nós: “ Para inventar a cultura do amanhã, será preciso que nos apropriemos das interfaces digitais. Depois disso, será preciso esquecê-las“. Hummmmmmm, difícil esquecer tanta coisa nova que ainda não assimilei agora, mas é bom saber disso, né!?

Estou começando o capítulo em que Lévy começa a falar de ecologia digital e já grifei uma frase que considero crucial para nos tornarmos mais aptos a aprender esse jeitinho web de se comunicar: “Não sou “eu” que sou inteligente, mas “eu” com o grupo humano do qual sou membro, com minha língua, com toda uma herança de método e tecnologias intelectuais (dentre as quais, o uso da escrita).” Um amigo me questionou o que fazia ali no MediaOn, pra qual blog ou empresa estava cobrindo o evento, talvez, a frase copiada acima demonstra um pouquinho as razões pelas quais pessoas comuns podem participar de sessões fechadas para convidados. Ah! e pra quem teve interesse de ler o livro de Lévy e anda sem grana como eu, prometo entregá-lo na “biblioteca” do SESC Pinheiros neste fim-de-semana, tá?

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